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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

"A Cidade das Almas Perdidas" de Cassandra Clare [Opinião Literária]




Título: A Cidade das Almas Perdidas
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº5)




18:27 Publicada por Unknown 2

sábado, 28 de dezembro de 2013

"A Cidade dos Anjos Caídos" de Cassandra Clare [Opinião Literária]





Título: A Cidade dos Anjos Caídos
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº4)




16:07 Publicada por Unknown 0

domingo, 8 de setembro de 2013

"Anjo Mecânico" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: Anjo Mecânico
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras – As Origens (nº1)

Sinopse:
A magia é perigosa, mas o amor é ainda mais perigoso.
Quando Tessa Gray, uma rapariga de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizadoras aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos.
Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa depressa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si.
Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que juram encontrar-lhe o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente da sua vida à distância… ou seja, toda a gente menos Tessa. À medida que a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo… e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.

Opinião:
Como fã da saga Caçadores de Sombras, não poderia de forma alguma recusar a leitura deste livro – o primeiro de uma série que retrata as origens da mitologia que encontramos em A Cidade dos Ossos. Assente na Inglaterra do século XIX, esta é uma estória que prometia um romance paranormal, com um toque de steampunk, para a qual tinha grandes expectativas. Porém, apesar de ter correspondido ao que esperava em termos de entretenimento, não consegui ignorar alguns pormenores que impediram esta leitura de corresponder ao seu potencial.
Em primeiro lugar, tive alguns problemas com o retrato da época vitoriana. Na verdade, parece que a autora se limitou a adicionar alguns pormenores vitorianos/steampunk sem grande contexto. Alguns diálogos pareceram-me forçados e pouco enquadrados na época e ambiente pretendidos. Mas de uma forma geral, o retrato da Inglaterra vitoriana está apelativo e interessante, embora pudesse ser melhor explorado.
Contudo, o meu verdadeiro problema foi a caracterização dos protagonistas. Parecem uma cópia exata dos protagonistas da saga original, apenas com mínimas alterações físicas! Analisando mais pormenorizadamente: Tessa é a rapariga ingénua que descobre que descobre um mundo sobrenatural e perigoso enquanto tenta resolver o desaparecimento de um familiar e se apaixona por um Caçador de Sombras – exatamente como Clary em A Cidade dos Ossos! E Will é o Caçador de Sombras enigmático e egocêntrico, extremamente sarcástico, com um passado tortuoso e uma tendência para afastar as pessoas que o amam – tal e qual o Jace. Confesso que a meio do livro já estava um pouco farta deste paralelismo constante, especialmente quando Tessa e Will são apenas cópias baratas que nem sequer têm o mesmo encanto que Clary e Jace. Por outro lado, Jem, apesar de parecer um substituto de Simon nesta narrativa, até conseguiu fascinar-me. É uma personagem com um toque trágico que leva o leitor a criar uma empatia instantânea e merece sem dúvida maior destaque nos próximos volumes.
As próprias personagens secundárias acabaram por ultrapassar os protagonistas em certa medida, com as suas personalidades e motivações particulares e originais. Os meus intervenientes favoritos incluem Charlotte, uma mulher competente e determinada que desafia as convenções da época ao governar o Instituto; o seu marido Henry, despistado e ingénuo mas ainda assim muito caricato; Sophie, uma criada irreverente com uma estória tocante; e até mesmo as odiosas Irmãs Black, pelo toque de perversidade e malvadez que trouxeram à estória. Também o facto de rever Magnus Bane – uma das minhas personagens favoritas na saga original – conseguiu atenuar um pouco da minha irritação com Tessa e Will. Ainda assim, gostaria que estivesse mais envolvido na trama principal e que lhe fosse proporcionado mais protagonismo.
O enredo é interessante e o ritmo avassalador, com um final surpreendente e intrigante. Acabei por ficar curiosa com o possível rumo da estória nos próximos volumes mas espero um melhor aproveitamento dos protagonistas, de preferência com maior originalidade. Não foi uma leitura que me tenha arrebatado, mas aconselho aos fãs da saga original que pretendam aprofundar o seu conhecimento sobre o mundo dos Caçadores de Sombras.
22:44 Publicada por Unknown 0

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A Thousand Frames: "Os Instrumentos Mortais - A Cidade dos Ossos"



Título: Os Instrumentos Mortais – A Cidade dos Ossos
Género: Ação/ Aventura/Drama/Fantasia/Romance
Realizador: Harald Zwart
Adaptado de: A Cidade dos Ossos de Cassandra Clare
Estreia: 22 de Agosto de 2013
Elenco: Lily Collins; Jamie Campbell Bower; Robert Sheehan; Lena Headey; Jonathan Rhys Meyers; Aidan Turner; Kevin Zegers; Jemima West; Godfrey Gao




Uma das estreias pela qual mais ansiava este ano finalmente chegou! Adaptado de uma saga de fantasia young-adult com grande sucesso, este filme acarreta a árdua tarefa de retratar o conteúdo de um livro complexo e denso como A Cidade dos Ossos, repleto de ação, intriga e reviravoltas constantes. Por este motivo, as expectativas eram altas perante um filme que prometia trazer momentos intensos.

Enredo:
De uma forma geral, o ambiente do filme captura a essência da estória original, apesar das alterações efetuadas (algumas bastante significativas). O ponto forte desta adaptação é sem dúvida o ritmo, que mantém a sucessão de revelações e ação constantes. Com uma dinâmica que não dá tréguas, certamente manterá o público colado ao ecrã.
A mitologia foi bem enquadrada, ainda que um pouco diluída para caber em cerca de duas horas de filme. Não esperava que fossem explorados todos pormenores e, felizmente, achei que o essencial estava lá.
A estória tem um feeling juvenil mas com uma vertente suficientemente dark para apelar a uma audiência mais adulta.

Cenários & Efeitos especiais:
Os cenários foram representados de uma forma impecável, correspondendo em grande medida à minha visão durante a leitura da saga. O Instituto, a casa de Clary e Dorothea, a Cidade dos Ossos e a própria cidade de Manhattan têm o destaque merecido e uma caracterização soberba.



No fundo, não tenho queixas a apresentar relativamente aos efeitos especiais, corresponderam às minhas expectativas. A componente do género fantástico está bem representada, com a diversidade de criaturas bem retratada. Um louvor em especial para a caracterização dos Irmãos Silenciosos, conseguiram arrepiar-me!



De igual modo, as sequências de luta são absolutamente viciantes! O encadeamento da ação, os estilos de luta bem diversificados, tudo combinado com pura adrenalina capaz de contagiar todo o público! Com destaque para o chicote de Isabelle, a minha arma favorita nos livros e que está tão badass no filme. Só queria que aparecesse mais vezes!

Elenco:
Os protagonistas foram retratados impecavelmente; não se poderia esperar mais de Lily Collins (Clary), Jamie Campbell Bower (Jace) e Robert Sheehan (Simon) – provavelmente não serei capaz de imaginar estas personagens de outra forma quando ler os restantes livros. Os irmãos Isabelle e Alec, interpretados respetivamente por Jemima West e Kevin Zegers deixaram-me um pouco indiferente, espero melhores performances nas sequelas.  
A grande surpresa para mim foi Jonathan Rhys Meyers no papel de Valentine, que apesar de não corresponder em nada à descrição física original, trouxe uma intensidade à personagem que me impressionou. Confesso que tinha ficado dececionada quando vi o trailer, considerei-a uma caracterização risível mas agora tenho que engolir a minha perceção inicial.


Por outro lado, a desilusão neste elenco é Godfrey Gao, com a sua interpretação morna do excêntrico feiticeiro Magnus Bane. A culpa talvez também seja da frequência irrisória com que aparece, mas o ator poderia ter dado mais dinâmica, intensidade e peculiaridade a esta personagem, tão amada pelas suas extravagâncias e idiossincrasias.

No entanto, de uma forma geral todo o elenco faz um conjunto muito eficaz, com interpretações sólidas e cativantes.

Principais diferenças entre o filme e o livro:
O enredo do filme diverge em alguns pontos (alguns fulcrais), o que poderá distanciar os fãs mais acérrimos dos livros. Compreendo que uma adaptação nunca seja uma cópia exata da obra que lhe deu origem mas era desnecessário modificar uma estória que já era tão cinematográfica e visual, esquartejando algumas das suas cenas mais icónicas.
Uma das minhas cenas favoritas do primeiro livro é o salvamento de Simon do Hotel Dumort. No filme, existem algumas mudanças que me incomodaram um pouco. A luta estava brutal, não o nego, mas faltou alguma coisa aos vampiros, queria-os mais obscuros (onde está o líder Raphael já agora?), com uma aura que inspirasse verdadeiro terror quando Clary e companhia se aventuram pelo hotel. Mais ainda, o Simon é supostamente transformado num rato, o que para mim constitui um dos momentos mais hilariantes da estória. Sem dúvida que é uma opção mais dramática vê-lo suspenso no ar por correntes, mas ainda assim passei a cena toda à espera da transformação. Ainda na questão dos vampiros, gostaria de saber porque é que a mordida de Simon nunca mais é explorada ao longo de filme. Não faz muito sentido mostrarem algo quando não tencionam abordar esta questão (que pertence ao segundo livro curiosamente).
As capacidades de Clary estão bastante engrandecidas no filme. Os seus desenhos da runa antes de sequer saber o seu significado nunca acontece no livro e a sua habilidade de criar novas runas só é descoberta no final do segundo volume. Paralelamente estragou a minha perceção de uma rapariga normal a tentar integrar-se num mundo que mal conhece, mas admito que deu mais poder a uma personagem que não teria grande ação de outra maneira.

O desenlace final é também rebuscadamente alterado de uma forma significativa. O esconderijo de Valentine nunca é retratado, passando toda a ação final para o Instituto. Tornou-se um pouco confuso porque tudo parecia estar no mesmo sítio: está lá o Portal, está lá a mãe da Clary (escondida na cave – a sério que ninguém precisou de ir à “dispensa” durante aquele tempo todo?), é o ponto de encontro para praticamente todos (Valentine, os demónios, Magnus Bane, os lobisomens com a Clary)… Tudo converge no mesmo sítio e parece demasiado conveniente, sem uma explicação coerente. Mas o que mais me irritou foi a destruição do choque final, quando estragam uma das revelações mais importantes da saga (cuja resolução final apenas decorre no terceiro livro) a meio do filme! Quer dizer, colocaram um diálogo que é basicamente um spoiler gigantesco e para quê? Provavelmente para evitar a temática problemática que a revelação levanta mas ao mesmo tempo retiram todo impacto que o final poderia ter tido!
Não exigia uma adaptação completamente fiel à obra original mas pelo menos poderiam ter mantido alguns dos elementos que mencionei pois teria sido muito mais satisfatório para os leitores da saga. Ainda assim, este filme é uma excelente forma de entretenimento e valeu bem uma ida ao cinema. Para quem não leu os livros, são garantidas duas horas de adrenalina, mistério, fantasia e pura diversão!
Balanço final: 7/10

Trailer:
22:46 Publicada por Unknown 17

terça-feira, 30 de julho de 2013

"A Cidade de Vidro" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: A Cidade de Vidro
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº3)

Sinopse:
Para salvar a vida da mãe, Clary tem de ir à Cidade de Vidro, o lar ancestral dos Caçadores de Sombras - não a incomoda que a entrada nesta cidade sem autorização seja contra a Lei e que violá-la possa significar a morte. Piorando mais a situação, ela vem a saber que Jace não a quer lá e que Simon foi encarcerado na prisão pelos Caçadores de Sombras que suspeitam de um vampiro que tolera a luz do Sol.
Ao tentar descobrir mais pormenores sobre o passado da sua família, Clary encontra um aliado no misterioso Sebastian. Com Valentine a reunir toda a força do seu poder para destruir de uma vez por todas os Caçadores de Sombras, a única possibilidade de estes o derrotarem é combater ao lado dos seus eternos inimigos. Mas podem os Habitantes do Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras pôr de lado o seu ódio mútuo e aliarem-se? Embora Jace compreenda que está pronto a arriscar tudo por Clary, poderá ela utilizar os seus poderes recentes para ajudar a socorrer a Cidade de Vidro - custe o que custar?

Opinião:
Neste terceiro volume de uma saga extraordinária da fantasia urbana, o leitor é finalmente transportado para a mística e fascinante cidade de Idris, a capital do mundo dos Caçadores de Sombras. Este é um cenário mágico, um paraíso supostamente seguro e idílico para todos os que combatem as forças demoníacas. Mas uma ameaça iminente, protagonizada por Valentine, rapidamente revelará as fraquezas deste refúgio e colocará em risco as vidas e os futuros dos Caçadores de Sombras.
O enredo não poderia, pois, ser mais aliciante. A partir da segunda metade do livro, torna-se impossível parar. As revelações surgem em catadupa, o ritmo é alucinante e a adrenalina ao rubro! Ação, mistério, sacrifício são palavras-chave neste desenlace final. Este não deixa de ser previsível (nada surpreendente tendo em conta o público-alvo), embora não possa negar a existência de alguns momentos mais sombrios e uma certa tragédia que me surpreenderam bastante. A autora fornece todas as explicações necessárias, deixando todas as pontas soltas dos volumes anteriores bem atadas (o que me leva a inquirir acerca da necessidade e pertinência dos livros que escreveu a seguir, confesso que não sinto grande entusiasmo perante a perspetiva de os ler quando este volume terminou de uma forma tão perfeitinha).
Mais ainda, todo o leque de personagens está bem mais maduro e explorado, sendo que mesmo as personagens secundárias têm os seus momentos de destaque. É dado mais ênfase às personagens adultas (um pouco menosprezadas nos volumes anteriores), explorando os seus passados e as suas ligações.
A única personagem que me desiludiu foi Clary. Tenho que confessar: ela não é de todo uma protagonista muito interessante. Na maioria das vezes limita-se a fazer precisamente o oposto do que lhe dizem, sem ponderar as consequências dos seus atos. No fundo, acaba por ser uma heroína acidental e algo passiva. Esperava que evoluísse mais neste volume, o que, para mim, não aconteceu.
Por outro lado, Jace continua irreverente, destemido e enigmático, apesar de finalmente termos acesso a o seu lado mais emocional. As suas tiradas sarcásticas são fabulosas e extremamente divertidas, incluindo os seus diálogos com Simon. Este, por sua vez, é uma personagem com progressivo destaque ao longo da obra, que neste último volume foi capaz de me encantar. Não percebo por que demorei tanto tempo a criar empatia com Simon, mas agora já é uma das minhas personagens favoritas nesta saga. Neste sentido, também não posso deixar de mencionar Alec e Magnus Bane, cujo romance improvável se tornou num dos meus casais favoritos de sempre!
Este foi o culminar de uma estória muito apelativa e bem delineada, apresentada numa linguagem simples e acessível ao público-alvo a que está direcionada. A sua leitura foi sem dúvida rápida, descontraída e cativante. Aconselho vivamente esta saga aos fãs do género! 
00:04 Publicada por Unknown 5

domingo, 7 de abril de 2013

"A Cidade das Cinzas" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: A Cidade das Cinzas
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº2)

Sinopse:
Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Mas o que é normal quando se é um Caçador de Sombras? A mãe em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente começa a ver lobisomens, vampiros, e fadas?
A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine que, além de louco, simboliza o Mal e, para piorar o cenário, também é o seu pai.
Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente ser seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e aliar-se ao diabólico pai Valentine… mas as aparências podem iludir.

Opinião:
A trama adensa-se neste segundo volume de uma saga de fantasia urbana que me cativou desde a primeira página. A mitologia paranormal é alargada, na medida em que exploramos o domínio das Fadas, seres que não mentem mas apreciam distorcer a verdade e manipular os desejos mais obscuros das personagens.
Os protagonistas, Jace e Clary, lidam com as revelações surpreendentes do volume anterior, principalmente com a incapacidade para se manterem afastados mesmo sabendo a inviabilidade da ligação amorosa que os une. Por conseguinte, o início deste livro é algo passivo, focando-se no debate emocional das personagens que enfrentam os seus demónios interiores.
Jace mantém-se a personagem mais cativante de toda a estória. A sua infância conturbada endureceu-o mas o seu carácter sarcástico, arrogante e carismático é, neste volume, sobreposto pela sua luta interior entre os seus sentimentos e o seu lado racional. Assim, temos a oportunidade de vislumbrar o seu lado mais emotivo, mais humano. Clary torna-se mais interventiva, sendo que ambos descobrem capacidades peculiares muito interessantes e úteis para a sua demanda.
As personagens secundárias também emergem como partes essenciais deste contexto. Simon é uma das personagens que adquire mais relevo, um novo vigor e, por isso, tornou-se mais fácil de simpatizar com este jovem apaixonado que, apesar das suas inseguranças, se mostra forte e determinado. Outro aspeto que apreciei bastante em relação à caracterização de personagens foi o aprofundar da relação entre Alec e Magnus, um casal com uma dinâmica diferente e peculiar, com avanços e recuos, pela qual dou por mim a torcer com maior motivação do que pelo triângulo amoroso no centro da estória. Novos intervenientes surgem, como Maia, uma jovem lobisomem, que prometem trazer ainda mais dinâmica à narrativa. Por outro lado, a personagem de Isabelle, para meu desgosto, é relegada para segundo plano.
 A escrita da autora permanece simples e fluída, sendo que a narrativa, após o início mais vagaroso, adquire um ritmo alucinante, repleto de ação e acontecimentos que se sucedem freneticamente. Contudo, por vezes são introduzidos elementos que não se coadunam com o desenrolar do enredo. As atitudes de algumas personagens por vezes deixaram-me perplexa, como por exemplo a decisão de Simon regressar ao Hotel Dumort, com consequências trágicas, ou a maneira demasiado intuitiva de Clary resolver as dificuldades que encontra. Por vezes, senti que a narrativa adquiria contornos forçados e faltava alguma lógica ou contextualização destas ações.
Por fim, este segundo volume peca em comparação com o primeiro, com algumas falhas no enredo que impediu o meu envolvimento total na estória. Apesar de tudo, gostei bastante do elemento misterioso que se mantém permanentemente à volta do passado de Jace, a força motriz de toda a saga. Certas pistas subtis levaram-me a formular algumas teorias e estou completamente ansiosa por ler o próximo volume para descobrir o rumo da estória e as potenciais reviravoltas que surgirão. Em suma, apesar de algo previsível, esta foi uma leitura aprazível e estimulante.
20:11 Publicada por Unknown 0

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"A Cidade dos Ossos" de Cassandra Clare [Opinião Literária]


Título: A Cidade dos Ossos
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº1)

Sinopse:
No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens.
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota...

Opinião:
Já há muito que ansiava pela leitura desta coleção e, com a chegada do filme este ano, não pude adiar mais! E ainda bem que assim foi, pois fiquei agradavelmente surpreendida!
Antes de mais, convém explicar um pouco mais acerca da estória criada por Cassandra Clare, uma vez que, na minha opinião, a sinopse deixa um pouco a desejar. Resumidamente, Clary, que até ao início do livro vive uma existência regular e nada fora do normal, encontra-se, devido ao desaparecimento da sua mãe, subitamente envolvida num mundo sobrenatural de que nada sabe. Este é o mundo dos Caçadores de Sombras, guerreiros descendentes de anjos, treinados para combater demónios e proteger o mundo de seres sobrenaturais como vampiros, lobisomens, feiticeiros, fadas, entre outros habitualmente encontrados no universo da fantasia. Na sua demanda para salvar a sua mãe, Clary terá que aprender a lidar com esta nova maneira de ver o mundo e com segredos de um passado que nunca soube que existia. Este foi o aspeto que mais apreciei na obra: toda esta mitologia complexa e que, apesar de cliché, tem o seu próprio encanto.
Com um enredo bastante envolvente, esta obra é repleta de ação, drama e humor. Apreciei especialmente os diálogos irónicos entre as personagens, principalmente as expressões sarcásticas de Jace. Sendo uma das personagens principais, é fácil para o leitor criar empatia com Jace, com todas as suas vulnerabilidades escondidas por baixo de uma carapaça de solidão auto-imposta.
Por outro lado, Clary deixou-me ressentida com algumas atitudes mais egoístas e pouco sensíveis, principalmente em relação a Simon, o seu melhor amigo e de quem ela tende a esquecer-se demasiado facilmente…
Como é frequente no género young-adult, surge o inevitável triângulo amoroso, ou melhor, um emaranhado de possíveis ligações amorosas entre algumas das personagens. Felizmente, este não é o foco principal da trama e a ação constante compensa.
O final desta obra foi para mim como um murro no estômago e deixou-me angustiada com a dúvida imposta relativamente ao destino da relação entre Jace e Clary. Recomendo um espírito bastante aberto e quem leu este livro perceberá certamente porquê…
Sim, este é um livro destinado a um público jovem. No entanto, penso que a narrativa é suficientemente madura para apelar a um leitor mais velho que aprecie o género. Mais do que uma estória de romance com personagens cativantes, este é um mundo de fantasia bem delineado e com grande potencial para os próximos volumes.  
20:49 Publicada por Unknown 10