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domingo, 18 de agosto de 2013

"Equador" de Miguel Sousa Tavares [Opinião Literária]

Título: Equador
Autor: Miguel Sousa Tavares
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Quando naquela manhã chuvosa de Dezembro de 1905, Luís Bernardo é chamado por El-Rei D. Carlos a Vila Viçosa, não imaginava o que o futuro lhe reservava. Não sabia que teria de trocar a sua vida despreocupada na sociedade cosmopolita de Lisboa por uma missão tão patriótica quanto arriscada na distante ilha de S. Tomé. Não esperava que o cargo de governador e a defesa da dignidade dos trabalhadores das roças o lançassem numa rede de conflitos e interesses com a metrópole. E não contava que a descoberta do amor lhe viesse mudar a vida.
Equador é um retrato brilhante da sociedade portuguesa nos últimos dias da Monarquia, que traça um paralelo entre os serões mundanos da capital e o ambiente duro e retrógrado das colónias.
É com esta história admirável, comovente e perturbadora, que Miguel Sousa Tavares inaugura a sua incursão no romance.

Opinião:
Equador consiste numa extraordinária análise histórica, política e social de Portugal e das suas colónias em 1905. Esta obra explora alguns dos episódios mais marcantes da época, nomeadamente a descolonização, o ambiente nas colónias, a economia internacional, e o golpe de estado e subsequente implantação da república. De uma forma pertinente, o autor aborda a mentalidade da burguesia portuguesa da época, que justificava a violação da dignidade humana nas colónias segundo os seus interesses.
O autor não se poupou na pesquisa que fez, demonstrando uma abordagem muito completa da época. O contexto histórico é brilhantemente explorado e organizado de uma forma coerente, interessante e acessível. Para quem, como eu, não possui conhecimentos muito vastos sobre este tema foi sem dúvida extremamente esclarecedor.
O protagonista, Luís Bernardo, é uma personagem complexa, um homem com convicções morais fortes e inovadoras para a época. O que mais me encanta neste protagonista é, sem dúvida, o seu humanismo. É empolgante assistir à sua luta pelos direitos humanos nas colónias, mesmo quando parece ser impossível o seu sucesso. É também interessante observar a espiral descendente em que embarca perante a sua missão penosa e solitária, quando os seus ideais chocam brutalmente contra a realidade. É uma personagem em constante luta interior entre a razão e os seus desejos, entre cumprir o seu dever ou ceder aos caprichos do destino.
Contudo, este livro carece de personagens femininas interessantes. São todas ou demasiado planas e sem interesse, ou absurdamente odiosas, em particular Ann, que achei calculista e manipuladora.
A escrita é agradável e acessível, mas os longos capítulos, parágrafos extensos e passagens particularmente aborrecidas, perturbaram o ritmo da narrativa. Por conseguinte, a leitura poderia ter sido mais fluída. No entanto, as descrições de São Tomé são magníficas! As paisagens, o clima, a sensualidade inerente, todos estes elementos conspiram para uma maior intensidade sensorial: sente-se o pulsar de África em cada linha!
Para quem aprecia romances históricos aconselho vivamente a embarcarem nesta viagem ao passado detalhada e emocionante, com uma estória de amor complexa e tortuosa incapaz de deixar o leitor indiferente! 
18:09 Publicada por Unknown 8