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sexta-feira, 29 de março de 2013

"Marley & Eu: a vida e o amor do pior cão do mundo" de John Grogan [Opinião Literária]


Título: Marley & Eu: a vida e o amor do pior cão do mundo
Autor: John Grogan
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
A história enternecedora e inesquecível de uma família e do seu cão mal comportado que ensina o que realmente importa na vida.
Chamavam-se John e Jenny, eram jovens, apaixonados e estavam a começar a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava-se todo por cima das visitas, roubava roupa interior feminina e abocanhava tudo a que pudesse deitar o dente. De nada lhe valeram os tranquilizantes receitados pelo veterinário, nem, tão pouco, a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso.
Só que Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. Partilhou a alegria da primeira gravidez do casal e o seu desgosto com a morte prematura do feto, esteve sempre presente no nascimento dos bebés ou quando os gritos de uma vítima de esfaqueamento ecoaram pela noite dentro. Conseguiu ainda a "proeza" de encerrar uma praia pública e arranjou um papel numa longa-metragem, através do qual se fartou de "conquistar" corações humanos.
A família Grogan aprendeu, na prática, que o amor se manifesta de muitas maneiras... e feitios.

Opinião:
Esta é uma estória verídica, narrada na primeira pessoa por um jornalista americano que resolveu admitir na sua vida um pequeno ser de quatro patas, que se viria a tornar no seu melhor amigo e fiel companheiro durante treze anos. Num conjunto de crónicas que acompanham esta jornada atribulada, o autor revela as mais importantes lições de vida que aprendeu, todas elas através do seu cão, Marley.
Marley é provavelmente a representação fidedigna de todos os piores pesadelos de um dono de cães: desobediente, destrutivo, ladrão, irrequieto, arruaceiro, uma verdadeira dor de cabeça! Mas quando os seus donos, John e Jenny, se abstraem de todas as peripécias que este cão cometeu, rapidamente se apercebem das qualidades que suplantam os seus defeitos. Marley é uma criatura absolutamente feliz, apaixonado pela vida e pelas pequenas alegrias que esta lhe proporciona, e que vive a vida como se não houvesse amanhã. E não será esta a melhor maneira de viver?
Alternando entre as atribulações de Marley, descritas com um sentido de humor brilhante, e os momentos de sentimentalismo mais profundos, o autor comprova a sua capacidade em abranger ambos os registos e de despertar as emoções mais intensas no leitor. Qualquer dono de cães rever-se-á certamente em alguns dos episódios mais caricatos, mas recomendo sem reservas a quem não possui este tipo de companheiro nas suas vidas.
A mensagem que esta obra transmite é muito forte: o amor é uma linguagem universal e pode vir em várias formas e feitios, mesmo onde menos esperamos! É um livro que enaltece o respeito e a dignidade que estes animais merecem, uma simples reflexão sobre a efemeridade da vida e o valor dos pequenos momentos que por vezes tomamos como garantido… No fundo, Marley foi um animal que demonstrou ao longo da sua vida quais deveriam ser os verdadeiros princípios da humanidade!
O final é, obviamente, extremamente emocional. Não fui capaz de conter as lágrimas perante a despedida de um animal que tanta felicidade trouxe a uma família. Assim, como posso cotar um livro que me comoveu desta maneira, que me revolveu as entranhas só de pensar na possibilidade de um dia ser esta a minha experiência, de vivenciar a perda do meu animal de estimação, do meu amigo mais fiel? Portanto, mesmo não sendo uma obra-prima, talvez nem sequer um grande exemplar de literatura, tenho que lhe dar 5 estrelas pelas emoções que é capaz de despertar no leitor!
00:33 Publicada por Unknown 8

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

"O Caçador de Almas" de John Darnton [Opinião Literária]


Título: O Caçador de Almas
Autor: John Darnton
Editora: Casa das Letras

Sinopse:
Tyler, um rapaz de treze anos, jaz inconsciente numa cama de hospital após um trágico acidente que lhe danificou o cérebro. O pai permite que dois invulgares cientistas tomem a seu cargo o destino de Tyler. Um deles é um neurocirurgião cujas experiências pouco ortodoxas incluem o uso de computadores para controlar as respostas físicas dos pacientes durante as cirurgias. O outro, é um investigador por conta própria e autor de experiências altamente secretas que visam descobrir a centelha da consciência humana... e capturá-la para sempre.
Juntos, alcançarão um resultado que ultrapassará tudo o que haviam imaginado, fazendo Tyler transpor os limites da ciência médica e enviando-o para um lugar nunca antes visitado e do qual um pai desesperado tentará resgatá-lo...
Um romance científico e tecnológico fascinante. O Caçador de Almas é uma viagem inesquecível ao interior das possibilidades da mente... e da alma humana.

Opinião:
Este é um livro que me deixou dividida quanto à opinião final. As primeiras páginas são excelentes: a descrição da angústia de Scott perante o acidente do filho e o início da ação são cativantes. A própria estrutura do livro é muito boa: dividido em três partes (acidente, operação e recuperação) originam uma leitura mais organizada.
A personagem de Scott inicialmente é bastante emotiva e cativante, com o seu desespero perante a situação do filho. Contudo, ao longo da estória acabei por me distanciar dele, tornando-me indiferente à sua demanda.
De igual modo, nota-se que o autor fez uma pesquisa bastante extensa sobre os aspetos médicos e científicos presentes no livro. Contudo, parece que optou por colocar esta pesquisa toda no meio da ação, o que originou passagens altamente descritivas. Toda esta informação tão compactada e maçuda torna a leitura cansativa e desmotiva o leitor.
Mais ainda, muitas das personagens frequentemente entravam em duas ou três páginas de monólogos introspetivos, chegando a um ponto em que perdia completamente o interesse pelo que estava a acontecer. Na verdade, se o livro tivesse menos páginas não perderia nada e poderia até ter sido uma experiência literária mais intensa e marcante.
21:45 Publicada por Unknown 0