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sábado, 17 de agosto de 2013

"Insurgente" de Veronica Roth [Opinião Literária]

Título: Insurgente
Autora: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Coleção: Divergente (nº2)

Sinopse:
A tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas qualquer escolha implica consequências, e à medida que as várias fações começam a insurgir-se, Tris Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria.
O dia da iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a fação escolhida. No entanto, o dia termina da pior forma possível. À medida que o conflito entre as diferentes fações e as ideologias de cada uma se agita, a guerra parece ser inevitável. Escolher é cada vez mais incontornável... e fatal.
Transformada pelas próprias decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda completamente o que poderá vir a perder.
A muito esperada continuação da saga Divergente volta a impressionar os fãs, com um enredo pleno de reviravoltas, romance e desilusões amorosas, e uma maravilhosa reflexão sobre a natureza humana.

Opinião:
Após Divergente, o primeiro volume de uma saga que introduz um mundo distópico segregado em cinco fações, não esperava uma continuação tão fantástica, envolvente, absolutamente viciante!
Perante um clima de grande tensão, em plena guerra entre fações, esta sociedade anteriormente tão perfeita desfaz-se em bocados enquanto fações são destruídas e pessoas mortas para satisfazer a ambição e arrogância dos seus líderes. Por conseguinte, as personagens surgem mais duras, mais determinadas, sem lugar para piedade ou misericórdia se pretendem sobreviver.
Também Tris está mudada. Cega de dor e culpa pelas escolhas que tomou no final do volume anterior, esta protagonista terá de lutar contra os seus medos e inseguranças. Tris é, para mim, a personagem mais realista de todas, retratando a imperfeição da humanidade. Mais do que um produto da sua educação na Abnegação, mais do que a sociedade espera de si enquanto Intrépida, Tris é Divergente e encerra em si mesma coragem e determinação, medos e insegurança, egoísmo e uma tremenda capacidade de amar. No fundo, uma personalidade holística, a essência do ser humano.
Quatro, por sua vez, mantém o seu encanto, ainda que, na minha opinião, tenha sido ultrapassado por Tris neste volume. A ligação entre ambos é testada inúmeras vezes ao longo da estória, trazendo profundidade a esta relação.
A componente romântica não é, contudo, o foco desta estória. O enredo aprofunda cada vez mais a origem desta sociedade distópica, desvendando pouco a pouco os segredos e mentiras que a construíram. São finalmente exploradas a fundo as restantes fações, levando o leitor a perceber o seu funcionamento interno. A narrativa é intensa, avassaladora, repleta de ação, reviravoltas surpreendentes e revelações chocantes. A autora não tem receio de fazer as suas personagens sofrer, tornando esta uma obra dura, cruelmente realista.
Esta é uma das poucas vezes em que posso dizer que um segundo volume me entusiasmou mais do que o primeiro! Veronica Roth superou em grande medida as minhas expectativas, elevando a estória para um patamar mais obscuro e intenso. E o desenlace final? Extraordinário! Sem querer revelar demasiado (e acreditem, há muito para revelar), posso tirar uma conclusão deste final: nada nesta estória voltará a ser como dantes! 
17:22 Publicada por Unknown 2

domingo, 21 de abril de 2013

"Silver Bay - A Baía do Desejo" de Jojo Moyes [Opinião Literária]

Título: Silver Bay – A Baía do Desejo
Autora: Jojo Moyes
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes. Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente.
Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á dividido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável.
Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?

Opinião:
Esta é uma estória familiar, com um pouco de mistério à mistura. A família nesta obra não se limita a laços de sangue, mas abarca os habitantes de Silver Bay que constituem uma comunidade – no fundo, uma família alargada. E o mistério? Este vem na forma que mais aprecio: um segredo obscuro enterrado nas brumas do passado.
Para além da belíssima estória de amor retratada neste livro, a autora aborda uma temática sempre atual: o impacto do ser humano na natureza. Com as descrições sublimes das paisagens, do mar, dos golfinhos, das baleias e de todos os outros animais marinhos do local, torna-se impossível não desejar a preservação de toda esta beleza natural.
Um dos aspetos que mais apreciei nesta estória foi a paixão de Liza pelas baleias e por toda a vida marinha, pelas quais luta afincadamente. Este seu amor pela natureza é contagiante e comovente. Também a sua filha, Hannah, apresenta esta capacidade apaixonante de lutar pelo que acredita. E é através do convívio com ambas que Mike sofre uma grande transformação. Na verdade, esta é a personagem que sofre uma maior evolução: Mike passa de um homem apático e conformado, a um homem determinado e capaz de sacrificar tudo pelo que ama. Contudo, Kathleen foi sem dúvida a personagem mais cativante, uma mulher extremamente perspicaz, que diz sempre o que pensa.
Com uma escrita simples e agradável, o enredo comovente e, sobretudo, humano, agarra o leitor desde o início. Uma estória tocante sobre segredos e descobertas, perdas e transformações, escolhas capazes de alterarem o rumo das nossas vidas.
22:06 Publicada por Unknown 4

quinta-feira, 11 de abril de 2013

"Divergente" de Veronica Roth [Opinião Literária]

Título: Divergente
Autora: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Coleção: Divergente (nº1)

Sinopse:
Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.
Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Opinião:
Nesta obra temos acesso a uma narrativa emotiva, inovadora e espontânea, que retrata uma sociedade onde a perfeição é atingida pela segregação populacional, onde tudo é controlado e monitorizado, onde uma escolha aos meros 16 anos define por completo o rumo da sua vida.
Através de um discurso direto temos acesso na primeira pessoa às experiência e emoções da protagonista. Tris é uma jovem que se destaca num mundo mecânico e previsível. Corajosa, mas com inseguranças que a tornam mais humana, Tris prova ser muito mais do que o destino que lhe foi imposto.
Mas a personagem verdadeiramente fascinante nesta estória é Quatro. O seu lado frio e rude, em alguns momentos, é compensado pela ternura e preocupação que desenvolve por Tris. Uma personagem com múltiplas camadas, Quatro é muito mais do que parece à primeira vista e a forma como defende os seus valores e ideais é notável! Este é um protagonista feito para ser repudiado e amado em simultâneo, que não deixará o leitor indiferente. Tris e Quatro formam um par singular, com uma ligação profunda, rebelde e apaixonante, fortalecendo a componente romântica desta estória.
Roth caracteriza brilhantemente cada uma das fações que compõem esta comunidade, descrevendo uma sociedade complicada de gerir e de se manter em paz. Esta é uma estória que sem dúvida exige alguma reflexão: será a humanidade assim tão linear que possa ser dividida em cinco traços de personalidade? A mensagem final que retiro deste livro é que, a união e o trabalho em comunidade se sobrepõe à segregação. Se as diferentes fações se unissem e superassem as falhas de comunicação que levaram a esta situação, seria possível reestruturar o ideal de perfeição desta sociedade. Afinal, a humanidade é complexa e não pode ser limitada mediante uma característica.    
Com um enredo sem momentos mortos, repleto de ação e suspense, é um livro que se lê num ápice. Uma estória que proporciona bons momentos de reflexão e constatação sobre a humanidade, sem remover o teor juvenil. Indubitavelmente uma boa aposta no género young-adult.
20:31 Publicada por Unknown 9

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"O Segredo da Casa de Riverton" de Kate Morton [Opinião Literária]


Título: O Segredo da Casa de Riverton
Autora: Kate Morton
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?
Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.
Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta.
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.
Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor.

Opinião:
Este é um romance fluído e apaixonante, que alterna entre memórias do passado e episódios do presente de uma forma concisa, sem causar confusão. Assim, o leitor vai tendo acesso ao mistério subjacente à narrativa: o que verdadeiramente aconteceu naquela noite de Verão de 1924.
A estória é contada pela perspetiva de Grace, uma antiga criada da casa de Riverton. Esta é uma das melhores personagens do livro, na medida em que assistimos à sua evolução ao longo do tempo, incluindo a sua atitude sonhadora e observadora que potencia a descoberta de muitos dos segredos que envolvem a família Hartford. A sua relação com Hannah Hatford é sublime, evidenciando a importância da amizade verdadeira nas nossas vidas.
Um dos aspetos mais cativantes deste romance é a caracterização da Inglaterra no início do século XX. Kate Morton retrata esta época de uma forma brilhante, incluindo o conflito entre o vitorianismo rígido e tradicional do século anterior e a nova agitação social associada às inovações artísticas, num país destroçado pela 1ª Guerra Mundial. Todos estes acontecimentos históricos afetam a família Hartford, permitindo que o leitor viva este período com grande intensidade. É impossível não ficar encantado com as descrições da vida neste século, quase que nos sentimos parte da narrativa.
Além disso, este livro prima pela aura de mistérios e segredos que rodeia a Casa de Riverton. Todos os momentos ou diálogos nesta narrativa parecem repletos de segundas intenções, de fantasmas do passado que pairam sobre todas as personagens. A narrativa parece constantemente encaminhar-se para uma tragédia que demora a chegar, mas que sabemos que abalará toda esta família. Até que finalmente chegamos àquela noite de Verão de 1924, em que descobrimos a verdade por trás da morte do poeta e as repercussões nas vidas de todas as personagens. Assim se estabelece um desfecho surpreendente e arrebatador, que não deixará ninguém indiferente.
Kate Morton é uma autora que sabe como tocar verdadeiramente nas emoções do leitor. Ao longo deste livro, bebi das suas palavras em longos tragos, sem pressas, com o intuito de saborear todas as intrigas e nuances nos diálogos, todas as pequenas peças do puzzle que se acabam por encaixar perfeitamente. Recomendo a sua leitura sem reservas!
22:46 Publicada por Unknown 13

domingo, 17 de fevereiro de 2013

"O Hipnotista" de Lars Kepler [Opinião Literária]

Título: O Hipnotista

Autor: Lars Kepler

Editora: Porto Editora

Coleção: Série Joona Linna (nº1)

Sinopse:

Erik Maria Bark é o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora. Estocolmo. Uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre. Nessa mesma noite, Erik Maria Bark recebe um telefonema do comissário Joona Linna solicitando os seus serviços - urge descobrir a identidade do assassino e para tal Josef deverá ser hipnotizado. Erik aceita a missão com relutância, longe de imaginar que o que vai encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios. Dias mais tarde, o seu filho de 15 anos, Benjamin, é sequestrado da própria casa. Haverá uma ligação entre estes dois casos? Para salvar a vida de Benjamin, o hipnotista deverá enfrentar os fantasmas do seu passado e mergulhar nas mentes mais sombrias e perversas que jamais poderia imaginar; o que tinha por difuso revela-se abominável, o que tinha por suspeito surge como demoníaco. Para Erik, a contagem regressiva já começou...

Opinião:

Este é um thriller puro, capaz de fazer o leitor virar página atrás de página sem qualquer remorso. Logo pelo primeiro capítulo é fácil discernir que estamos perante um mistério intrigante e envolvente. O autor, ou melhor, os autores - Lars Kepler é o pseudónimo de uma dupla de escritores – conseguem criar um suspense imediato e que se prolonga ao longo da obra.

De igual modo, possui um tema principal bastante interessante: a hipnose. A discussão da sua validade é controversa e por isso esta obra prima pela sua perspetiva direta do que um hipnotista realmente faz.

As personagens adquirem um bom desenvolvimento e a narrativa é fluída e de fácil leitura. Em suma, é um livro viciante e que se lê rapidamente. Contudo, aviso que este não é um policial puro, mas sim um thriller psicológico – e de muito boa qualidade.  


11:57 Publicada por Unknown 11

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"Pensa Num Número" de John Verdon [Opinião Literária]


Título: Pensa Num Número
Autor: John Verdon
Editora: Porto Editora
Coleção: Série Dave Gurney (nº1)

Sinopse:
Pelo correio chega uma série de cartas perturbadoras que terminam com uma declaração inquietante: «Pensa num número qualquer até mil, o primeiro que te vier à cabeça... Repara agora como eu conheço bem os teus segredos.» Estranhamente, aqueles que obedecem constatam que o remetente de tais cartas previu com precisão a sua escolha. Para Dave Gurney, um inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e amigo de um dos alvos das missivas, o que primeiro lhe pareceu um caso estranho depressa se transforma num complicado quebra-cabeças que levará a uma investigação em grande escala na busca de um pérfido assassino em série. Convidado como consultor pelo gabinete do procurador, em pouco tempo Gurney consegue alguns avanços na descoberta de pistas que a polícia local negligenciara. Ainda assim, diante de um adversário que parece ter o dom da clarividência e antecipar-se a todos os passos, vê os seus melhores esforços dissiparem-se como areia por entre os dedos. Terá encontrado, ao fim de vinte e cinco anos de carreira exemplar, um adversário capaz de o vencer?

Opinião:
Este policial inicia-se com uma premissa absolutamente genial: a possibilidade de haver alguém que nos conhece tão bem que até adivinha o que estamos a pensar, capaz de escolher precisamente o número aleatório que nos vem à cabeça. O autor prende-nos imediatamente com esta ideia perturbadora. Logo desde o primeiro homicídio que John Verdon consegue revestir uma personagem sem rosto – o assassino – numa personagem malévola e aterradora. À medida que surgem novos crimes como o mesmo modus operandi, este assassino em série torna-se cada vez mais assustador, demasiado inteligente e perfecionista para ser capturado.
Contudo, o investigador principal, Dave Gurney, é também um homem extremamente perspicaz e uma personagem afável e cativante. A maneira como Verdon retrata o ambiente familiar de Gurney, como a relação com a sua mulher e filho, origina uma maior afinidade entre o leitor e o protagonista.
John Verdon conquista o leitor até à última página com a sua escrita fluída, suspense e ação sempre presentes, e uma premissa muito criativa, num thriller vibrante e intenso. Aconselho vivamente a quem aprecia um bom quebra-cabeças!
19:55 Publicada por Unknown 6

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"Bons Sonhos, Meu Amor" de Dorothy Koomson [Opinião Literária]


Título: Bons Sonhos, Meu Amor
Autora: Dorothy Koomson
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Nova Kumalisi faria qualquer coisa pelo seu melhor amigo. Ela deve-lhe a vida.
Por isso, quando ele lhe pede que seja mãe de substituição do seu filho e, apesar de saber que corre o risco de perder a amizade, Nova aceita.
Oito anos mais tarde, Nova está a criar o filho de Mal sozinha, porque a mulher dele mudou de ideias, escassos meses antes de a criança nascer, assim destruindo a relação entre os dois amigos.
Agora, Leo, o filho de ambos está gravemente doente. Nova quer que Mal conheça o filho antes que seja demasiado tarde.
Na tragédia descobrirão o quanto significam um para o outro.

Opinião:
Esta é uma estória de amor, mais do que o amor romântico e cor-de-rosa, de um amor feito de altos e baixos, de encontros e desencontros, com uma intensidade que para sempre abalará as vidas de Mal e Nova. Esta é uma estória triste, repleta de drama, com personagens credíveis e fascinantes.
Alternando entre o passado e o presente, o leitor adquire diferentes perspetivas acerca do que aconteceu para destruir a relação de Mal e Nova. Rapidamente nos apercebemos que, tal como na vida real, nem tudo é o que parece e nem sempre há um lado “bom” e um lado “mau”. Todos temos razões para as nossas escolhas e é importante não julgar sem compreendermos totalmente o ponto de vista da outra pessoa. Com esta lição moral em mente, Dorothy Koomson envolve o leitor com a sua escrita direta, envolvente e fluida.
É uma obra que aborda os conceitos de amizade, amor, sofrimento, responsabilidade e parentalidade. No fundo, é um livro que lida com as emoções humanas no seu esplendor, acerca da dor de uma perda e do que podemos fazer por amor. Para quem aprecia este género, é uma excelente opção!
10:54 Publicada por Unknown 11

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

"A Filha da Minha Melhor Amiga" de Dorothy Koomson [Opinião Literária]


Título: A Filha da Minha Melhor Amiga
Autora: Dorothy Koomson
Editora: Porto Editora

Sinopse:
A forte relação de amizade entre Kamryn Matika e Adele Brannon, companheiras desde os tempos de faculdade, é destruída num instante de traição que marcará as suas vidas para sempre.
Anos depois desse incidente, Kamryn é uma mulher com uma carreira de sucesso, que vive sem ligações pessoais complexas, protegendo-se de todas as desilusões. Mas eis que, no dia do seu aniversário, Adele a contacta... A amiga de Kamryn está a morrer e implora-lhe que adopte a sua filha, Tegan, fruto da sua ilícita relação de uma noite com Nate.
Terá ela outra escolha? Será o perdão possível? O que estará Kamryn disposta a fazer pela amiga que lhe partiu o coração?

Opinião:
Este é um romance cheio de emoções, daqueles que facilmente nos toca o coração. A autora aborda temas sensíveis como a morte, a traição, o poder da amizade e a redenção, de uma forma simples mas cativante.
Kamryn é uma mulher amargurada e fechada ao mundo devido às traições que sofreu no passado. Quando Tegan entra na sua vida, Kamryn tem que enfrentar o papel de mãe, para o qual não estava minimamente preparada. Assim assistimos à sua luta para se adaptar a uma vida nova, para educar uma criança pequena e equilibrar esta dinâmica familiar com a sua vida profissional. Esta é uma estória muito realista, que demonstra com honestidade as dificuldades que uma mãe ultrapassa para cuidar dos seus filhos. A relação entre Kamryn e Tegan, com os seus momentos íntimos e engraçados, é profundamente ternurenta e tornou-se na minha parte favorita desta obra.
Alternando entre o passado e o presente, a autora demonstra a importância de não julgar pelas aparências, pois nem tudo é o que parece, sendo que não adianta fugir do passado pois ele volta sempre para abrir as feridas que supostamente saradas. Esta obra também ensina a perdoar, a compreender que muitas vezes perdoar alguém também traz mais benefícios para nós próprios, eclipsando a dor que tantas vezes insistimos em arrastar durante toda a nossa vida.
Com uma narrativa deliciosa, repleta de ternura e humor, Dorothy Koomson presenteia o leitor com uma estória fascinante sobre o poder do amor – amor este que pode tomar muitas formas – e a importância da amizade.
15:38 Publicada por Unknown 0

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

"Viagens na Minha Terra" de Almeida Garrett [Opinião Literária]


Título: Viagens na Minha Terra
Autor: Almeida Garrett
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Partindo de uma viagem real, Garrett faz várias divagações e considerações sobre a situação política e social do país, entrecruzando-as com a história de Frei Dinis, Carlos e a sua prima Joaninha. O amor entre os dois primos parece ser eterno, mas acontecimentos externos e um segredo familiar irão provocar o desastre. Paralelamente ao drama amoroso, o romance constitui ainda uma feroz crítica à política e à sociedade do país.

Opinião:
Viagens na Minha Terra é uma obra que mistura uma narração novelesca com os detalhes de uma viagem real (de Lisboa a Santarém). Almeida Garrett mistura no seu discurso elementos da linguagem ora clássica, ora popular e por vezes jornalística. É, portanto, uma obra original, mas cuja miscelânea de estilos e alternância dos planos temporais acaba por se tornar confusa para o leitor.
No entanto, para além das digressões pessoais do narrador, a componente novelesca desenvolve-se em torno de Frei Dinis, Carlos e Joaninha, personagens repletas de simbolismo. Frei Dinis representa o espírito velho, absolutista, conservador e defensor dos valores tradicionais. Carlos, por sua vez, apresenta-se como o símbolo dos novos ideais, renovadores e liberais. Através destas personagens o autor realiza uma crítica à sociedade portuguesa da época.
Apesar de ser claramente uma obra que trouxe inovação ao mundo literário, não me conseguiu cativar. A narrativa desenrola-se de uma forma pesada, monótona e algo confusa. Contudo, Almeida Garrett concretiza uma excelente crítica política e social do país, praticamente intemporal.


21:56 Publicada por Unknown 0

sábado, 10 de novembro de 2012

"As Quatro Últimas Coisas" de Paul Hoffman [Opinião Literária]





Título: As Quatro Últimas Coisas
Autor: Paul Hoffman
Editora: Porto Editora
Coleção: Trilogia O Braço Esquerdo de Deus (nº2)





00:07 Publicada por Unknown 2

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

"O Braço Esquerdo de Deus" de Paul Hoffman [Opinião Literária]


Título: O Braço Esquerdo de Deus

Autor: Paul Hoffman

Editora: Porto Editora

Coleção: Trilogia O Braço Esquerdo de Deus

Sinopse:

A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça…

«Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção.»

O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado – um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo – servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro. Agora chamam-lhe Cale. É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga. Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço… Não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.

Opinião:

Este é um livro estranhamente viciante. E porquê estranhamente? Porque simplesmente não era nada do que estava a espera: para um livro de fantasia, não possui componentes que o definam como tal; alguns diálogos evidenciam um tom juvenil mas as descrições intensas e violentas contradizem este facto; o mundo criado pelo autor é inicialmente bem desenvolvido para depois carecer de aprofundamento. Contudo, o enredo tem o seu encanto e acaba por suplantar algumas falhas.

As personagens são marcantes e a estória possui elementos históricos e religiosos interessantes. Na verdade, denota-se uma crítica subjacente à religião organizada e ao extremismo que esta pode alcançar.

Apesar de assentar sobre alguns lugares-comuns do género, a estória não é desprovida de frescura ou originalidade. Hoffman deixa o leitor constantemente curioso relativamente ao rumo que a estória de Cale levará, o que me motiva bastante para ler o próximo volume.  


12:45 Publicada por Unknown 1