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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"O Prisioneiro do Céu" de Carlos Ruiz Záfon [Opinião Literária]




Título: O Prisioneiro do Céu
Autor: Carlos Ruiz Záfon
Editora: Planeta
Coleção: O Cemitério dos Livros Esquecidos (nº3)




22:45 Publicada por Unknown 8

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

"A Cidade das Almas Perdidas" de Cassandra Clare [Opinião Literária]




Título: A Cidade das Almas Perdidas
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº5)




18:27 Publicada por Unknown 2

sábado, 28 de dezembro de 2013

"A Cidade dos Anjos Caídos" de Cassandra Clare [Opinião Literária]





Título: A Cidade dos Anjos Caídos
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº4)




16:07 Publicada por Unknown 0

domingo, 8 de setembro de 2013

"Anjo Mecânico" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: Anjo Mecânico
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras – As Origens (nº1)

Sinopse:
A magia é perigosa, mas o amor é ainda mais perigoso.
Quando Tessa Gray, uma rapariga de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizadoras aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos.
Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa depressa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si.
Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que juram encontrar-lhe o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente da sua vida à distância… ou seja, toda a gente menos Tessa. À medida que a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo… e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.

Opinião:
Como fã da saga Caçadores de Sombras, não poderia de forma alguma recusar a leitura deste livro – o primeiro de uma série que retrata as origens da mitologia que encontramos em A Cidade dos Ossos. Assente na Inglaterra do século XIX, esta é uma estória que prometia um romance paranormal, com um toque de steampunk, para a qual tinha grandes expectativas. Porém, apesar de ter correspondido ao que esperava em termos de entretenimento, não consegui ignorar alguns pormenores que impediram esta leitura de corresponder ao seu potencial.
Em primeiro lugar, tive alguns problemas com o retrato da época vitoriana. Na verdade, parece que a autora se limitou a adicionar alguns pormenores vitorianos/steampunk sem grande contexto. Alguns diálogos pareceram-me forçados e pouco enquadrados na época e ambiente pretendidos. Mas de uma forma geral, o retrato da Inglaterra vitoriana está apelativo e interessante, embora pudesse ser melhor explorado.
Contudo, o meu verdadeiro problema foi a caracterização dos protagonistas. Parecem uma cópia exata dos protagonistas da saga original, apenas com mínimas alterações físicas! Analisando mais pormenorizadamente: Tessa é a rapariga ingénua que descobre que descobre um mundo sobrenatural e perigoso enquanto tenta resolver o desaparecimento de um familiar e se apaixona por um Caçador de Sombras – exatamente como Clary em A Cidade dos Ossos! E Will é o Caçador de Sombras enigmático e egocêntrico, extremamente sarcástico, com um passado tortuoso e uma tendência para afastar as pessoas que o amam – tal e qual o Jace. Confesso que a meio do livro já estava um pouco farta deste paralelismo constante, especialmente quando Tessa e Will são apenas cópias baratas que nem sequer têm o mesmo encanto que Clary e Jace. Por outro lado, Jem, apesar de parecer um substituto de Simon nesta narrativa, até conseguiu fascinar-me. É uma personagem com um toque trágico que leva o leitor a criar uma empatia instantânea e merece sem dúvida maior destaque nos próximos volumes.
As próprias personagens secundárias acabaram por ultrapassar os protagonistas em certa medida, com as suas personalidades e motivações particulares e originais. Os meus intervenientes favoritos incluem Charlotte, uma mulher competente e determinada que desafia as convenções da época ao governar o Instituto; o seu marido Henry, despistado e ingénuo mas ainda assim muito caricato; Sophie, uma criada irreverente com uma estória tocante; e até mesmo as odiosas Irmãs Black, pelo toque de perversidade e malvadez que trouxeram à estória. Também o facto de rever Magnus Bane – uma das minhas personagens favoritas na saga original – conseguiu atenuar um pouco da minha irritação com Tessa e Will. Ainda assim, gostaria que estivesse mais envolvido na trama principal e que lhe fosse proporcionado mais protagonismo.
O enredo é interessante e o ritmo avassalador, com um final surpreendente e intrigante. Acabei por ficar curiosa com o possível rumo da estória nos próximos volumes mas espero um melhor aproveitamento dos protagonistas, de preferência com maior originalidade. Não foi uma leitura que me tenha arrebatado, mas aconselho aos fãs da saga original que pretendam aprofundar o seu conhecimento sobre o mundo dos Caçadores de Sombras.
22:44 Publicada por Unknown 0

sábado, 24 de agosto de 2013

"Anjo Caído" de Lauren Kate [Opinião Literária]

Título: Anjo Caído
Autora: Lauren Kate
Editora: Planeta
Coleção: Anjo Caído (nº1)

Sinopse:
Existe qualquer coisa de dolorosamente familiar em Daniel Grigori.
Misterioso e distante, prende a atenção de Luce Price logo que o vê no primeiro dia de aulas no internato Sword & Cross, em Savannah. É a única coisa boa num lugar onde os telemóveis são proibidos, os outros estudantes são tramados e as câmaras de segurança vigiam todos os movimentos.
Excepto uma coisa: Daniel não quer ter nada a ver com Luce e faz o possível para tornar isso muito claro. Mas ela não consegue desistir. Atraída para ele como uma borboleta para uma chama, Luce tem de descobrir o que Daniel, desesperado, tenta manter em segredo... mesmo que a mate.

Opinião:
Esta é mais uma típica estória sobre um amor impossível, com uma componente sobrenatural, que pelo menos esperava que trouxesse algo novo ao género ou que se destacasse por alguma particularidade. Infelizmente, isto não acontece: não é de modo algum inovador e nem sequer é um bom exemplar deste género literário. Ao contrário do que possa parecer, até aprecio uma boa estória de romance paranormal young-adult mas este foi uma amarga desilusão.
 Luce é uma protagonista fraca, uma jovem deprimida e confusa cujo único sentido na vida é conseguir a atenção de Daniel – um rapaz misterioso e aparentemente bipolar que num momento a despreza e humilha e noutro já corre para a salvar – e resistir aos encantos de Cam – o jovem popular, amistoso e extremamente sedutor que por qualquer motivo parece fascinado com Luce. Os protagonistas são ocos e se os tivesse de caracterizar psicologicamente provavelmente não conseguiria. A única tábua de salvação é encontrada no leque de personagens secundárias: Arriane, Penn e Gabbe, que conseguem cativar o leitor com as suas respetivas idiossincrasias.
O próprio cenário da estória até é interessante: um reformatório decrépito, repleto de jovens delinquentes cujos crimes e possível insanidade são um mistério para Luce. Este ambiente hostil é ideal para o início da estória na medida em que repugna e ao mesmo tempo intriga o leitor. Apreciei o facto da autora não se coibir de adicionar um lado mais sombrio à obra, através do cenário e do destino de alguns dos intervenientes principais da estória.
Contudo, a trama é demasiado aborrecida. Luce não faz mais nada para além de suspirar por Daniel, ir às aulas, evitar Cam, conversar com as personagens secundárias, ser perseguida por umas sombras de vez em quando e obcecar mais um bocado sobre Daniel. Mas o pior mesmo foi o desenlace final. Se é que lhe posso chamar isso, pois consistiu apenas num conjunto de acontecimentos confusos e apressados, em que a revelação de Daniel como anjo é simplesmente banal, sem impacto nenhum (provavelmente por causa do próprio título do livro). No fim, fiquei ainda com mais dúvidas sobre o significado desta estória toda. Exijo um mínimo de explicações para compreender a estória, não deveria ser obrigada a ler o segundo volume para perceber praticamente tudo o que acontece neste final, só porque pelos vistos a protagonista pode morrer se lhe derem demasiadas informações sobre o passado (sim, a sério, que conveniente). Se autora queria esticar a estória para fazer uma série, pelo menos fazia um primeiro volume completo e não um mero rascunho inacabado. Em suma, acabei por não entender grande parte da mitologia da estória e apenas vou ler o segundo volume porque já o tenho na estante e porque não gosto de me sentir ignorante.  
15:33 Publicada por Unknown 10

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"Morte Num País Estranho" de Donna Leon [Opinião Literária]

Título: Morte Num País Estranho
Autora: Donna Leon
Editora: Planeta
Coleção: Série Comissario Brunetti (nº2)

Sinopse:
Um dia de manhã cedo, Guido Brunetti, Commissario da Polícia de Veneza, é confrontado com uma visão horrenda, quando o corpo de um jovem é tirado de um fétido canal veneziano. Todas as pistas apontam para um assalto violento, mas, para Brunetti, o roubo parece um móbil demasiado conveniente. Em seguida, algo muito incriminatório é descoberto no apartamento do morto – algo que aponta para a existência de uma cabala de alto nível – e Brunetti convence-se de que alguém, algures, se está a esforçar muito para fornecer uma solução já pronta para o crime…

Opinião:
Este é o segundo volume protagonizado por Guido Brunetti, um comissário da polícia veneziana cuja vida não poderia ser mais vulgar, mas cujo intelecto e paixão pela profissão superam qualquer outra personagem num policial. Desta vez é incumbido de investigar um caso – a morte de um militar americano – mas este aparentemente já se encontra solucionado por ordens superiores. Os membros influentes e poderosos da sociedade italiana unem-se num jogo de intriga, segredos, conspirações e manipulação de provas onde um homem honesto como Guido terá dificuldade em trabalhar – e sobreviver…
As temáticas desta obra são bem mais profundas do que esperava à primeira vista. Donna Leon aborda questões bastante atuais, com especial destaque para a poluição ambiental e o depósito ilegal de resíduos tóxicos. Este é um cenário que, infelizmente, não é meramente ficcional. A eliminação destes produtos tóxicos em países do terceiro mundo gera grandes lucros para alguns indivíduos e é frequentemente ignorada pelos países ocidentais. Citando Donna Leon: “Embora cientes daquilo que estamos a fazer, não hesitamos em destruir o nosso futuro (…) Somos uma nação de gente egoísta. É a nossa coroa de glória, contudo, essa atitude será a nossa destruição, uma vez que nenhum de nós tem capacidade para se consciencializar de que devemos preocupar-nos com qualquer coisa de tão abstrato como «o bem-estar comum».”. Escrita há uma década atrás, esta citação ainda se encontra assustadoramente verdadeira na sociedade moderna.
No entanto, ainda que extremamente interessante, a abordagem destas questões perturbou o ritmo da narrativa. Em vez de uma leitura frenética, tornou-se algo aborrecida, pontuado por breves momentos de maior intensidade ou humor. O foco da estória distanciou-se rapidamente da resolução dos crimes para uma análise sociopolítica da Europa e dos Estados Unidos da América. Não encontrei aqui o policial que esperava e nem o desenlace final foi satisfatório, pois deixou algumas questões em aberto.
Ainda assim, o retrato de Veneza – o cenário desta estória – é imperdível. Todos os seus recantos são explorados com a beleza e romantismo que associamos a esta cidade. A própria escrita da autora é muito reconfortante, sem detalhes gráficos ou violentos. Esta familiaridade e ternura são acentuadas pelo retrato da vida familiar de Guido, explorando de uma forma realista a vida de uma família no seio da sociedade mediterrânea. Esta não é uma obra absolutamente viciante, mas foi uma leitura cómoda e fácil, ideal para uma tarde de Verão.
22:38 Publicada por Unknown 0

terça-feira, 30 de julho de 2013

"A Cidade de Vidro" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: A Cidade de Vidro
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº3)

Sinopse:
Para salvar a vida da mãe, Clary tem de ir à Cidade de Vidro, o lar ancestral dos Caçadores de Sombras - não a incomoda que a entrada nesta cidade sem autorização seja contra a Lei e que violá-la possa significar a morte. Piorando mais a situação, ela vem a saber que Jace não a quer lá e que Simon foi encarcerado na prisão pelos Caçadores de Sombras que suspeitam de um vampiro que tolera a luz do Sol.
Ao tentar descobrir mais pormenores sobre o passado da sua família, Clary encontra um aliado no misterioso Sebastian. Com Valentine a reunir toda a força do seu poder para destruir de uma vez por todas os Caçadores de Sombras, a única possibilidade de estes o derrotarem é combater ao lado dos seus eternos inimigos. Mas podem os Habitantes do Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras pôr de lado o seu ódio mútuo e aliarem-se? Embora Jace compreenda que está pronto a arriscar tudo por Clary, poderá ela utilizar os seus poderes recentes para ajudar a socorrer a Cidade de Vidro - custe o que custar?

Opinião:
Neste terceiro volume de uma saga extraordinária da fantasia urbana, o leitor é finalmente transportado para a mística e fascinante cidade de Idris, a capital do mundo dos Caçadores de Sombras. Este é um cenário mágico, um paraíso supostamente seguro e idílico para todos os que combatem as forças demoníacas. Mas uma ameaça iminente, protagonizada por Valentine, rapidamente revelará as fraquezas deste refúgio e colocará em risco as vidas e os futuros dos Caçadores de Sombras.
O enredo não poderia, pois, ser mais aliciante. A partir da segunda metade do livro, torna-se impossível parar. As revelações surgem em catadupa, o ritmo é alucinante e a adrenalina ao rubro! Ação, mistério, sacrifício são palavras-chave neste desenlace final. Este não deixa de ser previsível (nada surpreendente tendo em conta o público-alvo), embora não possa negar a existência de alguns momentos mais sombrios e uma certa tragédia que me surpreenderam bastante. A autora fornece todas as explicações necessárias, deixando todas as pontas soltas dos volumes anteriores bem atadas (o que me leva a inquirir acerca da necessidade e pertinência dos livros que escreveu a seguir, confesso que não sinto grande entusiasmo perante a perspetiva de os ler quando este volume terminou de uma forma tão perfeitinha).
Mais ainda, todo o leque de personagens está bem mais maduro e explorado, sendo que mesmo as personagens secundárias têm os seus momentos de destaque. É dado mais ênfase às personagens adultas (um pouco menosprezadas nos volumes anteriores), explorando os seus passados e as suas ligações.
A única personagem que me desiludiu foi Clary. Tenho que confessar: ela não é de todo uma protagonista muito interessante. Na maioria das vezes limita-se a fazer precisamente o oposto do que lhe dizem, sem ponderar as consequências dos seus atos. No fundo, acaba por ser uma heroína acidental e algo passiva. Esperava que evoluísse mais neste volume, o que, para mim, não aconteceu.
Por outro lado, Jace continua irreverente, destemido e enigmático, apesar de finalmente termos acesso a o seu lado mais emocional. As suas tiradas sarcásticas são fabulosas e extremamente divertidas, incluindo os seus diálogos com Simon. Este, por sua vez, é uma personagem com progressivo destaque ao longo da obra, que neste último volume foi capaz de me encantar. Não percebo por que demorei tanto tempo a criar empatia com Simon, mas agora já é uma das minhas personagens favoritas nesta saga. Neste sentido, também não posso deixar de mencionar Alec e Magnus Bane, cujo romance improvável se tornou num dos meus casais favoritos de sempre!
Este foi o culminar de uma estória muito apelativa e bem delineada, apresentada numa linguagem simples e acessível ao público-alvo a que está direcionada. A sua leitura foi sem dúvida rápida, descontraída e cativante. Aconselho vivamente esta saga aos fãs do género! 
00:04 Publicada por Unknown 5

terça-feira, 9 de julho de 2013

"Evernight" de Claudia Gray [Opinião Literária]

Título: Evernight
Autora: Claudia Gray
Editora: Planeta
Coleção: Evernight (nº1)

Sinopse:
A Raquel inclinou-se para mim e sussurrou: — Nunca te parece que há qualquer coisa nesta escola que é... cruel? — A sua voz tremeu. — Acreditas no mal absoluto? Nunca me tinham feito aquela pergunta, mas eu sabia a resposta:  — Sim. Acredito.
A Bianca quer fugir.
Foi arrancada à sua pequena terra natal e inscrita na Academia Evernight, um sinistro colégio interno gótico, onde os estudantes são estranhamente demasiado perfeitos: inteligentes, requintados e quase predadores. Bianca sabe que este mundo não é o seu. Depois, conhece o Lucas. Tal como ela, não se enquadra em Evernight, e gosta que assim seja. Lucas ignora as regras, faz frente aos snobes e diz a Bianca que ela tem de ter cuidado – mesmo quando se trata de gostar dele.
Mas a ligação que une Biança e Lucas não pode ser negada. Ela correrá qualquer risco para estar com o Lucas, mas segredos obscuros estão destinados a separá-los... e a levar Bianca a questionar tudo aquilo em que sempre acreditou.

Opinião:
Mais um livro vampírico para adolescentes? Talvez, mas este tem algo especial. Um enredo emocionante, repleto de mistérios à espreita em cada página, com uma mitologia original, ainda que assente no tão badalado vampirismo. Claudia Gray prova que, apesar de ser uma temática explorada até à exaustão, ainda se pode introduzir algumas reviravoltas no formato tradicional.
Os protagonistas são cativantes, com quem criei uma empatia instantânea. É verdade que Bianca é a típica adolescente que se sente desintegrada e excluída entre os seus colegas – sempre inteligentes, belos, perfeitos –, e Lucas é o rapaz ideal: determinado, altruísta, que não tem medo de dizer o que pensa e quebrar todas as regras, perfeito para ser o salvador da protagonista. Contudo, a autora quebra as convenções habituais ao esconder a verdadeira natureza de ambos, invertendo os papéis tradicionais do género.
Na verdade, e sem querer revelar demasiado, um dos aspetos mais positivos desta obra é, sem dúvida, a capacidade da autora em mascarar o verdadeiro teor da estória, a natureza de grande parte das personagens, que apenas vai desvendando subtilmente ao longo da obra. Adorei a forma como me senti completamente ludibriada ao atingir a segunda metade do livro, quando finalmente a teia do mistério principal é levantada e compreendemos que a perspetiva da narradora nos havia induzido em erro. A partir deste momento, segue-se uma catadupa fluída de revelações inesperadas, que contribui para o ritmo avassalador desta leitura.
Porém, gostava que o ambiente gótico tivesse sido mais explorado, com um terror mais intensificado. Por vezes tive a sensação que as instalações da Academia Evernight poderiam ter sido quase uma personagem por si só, se a autora tivesse apostado em descrições mais aprofundadas. No fundo, senti falta de algo para considerar este cenário verdadeiramente sinistro e assustador.
Em geral, penso que a autora foi genial ao criar um enredo que, apesar de assente sobre premissas pouco inovadoras, tem um toque especial que o distingue no seu género. Uma leitura imperdível para qualquer amante da fantasia urbana, mesmo aqueles que se admitem enfadados com toda a paranoia vampírica atual.
15:34 Publicada por Unknown 0

domingo, 7 de abril de 2013

"A Cidade das Cinzas" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: A Cidade das Cinzas
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº2)

Sinopse:
Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Mas o que é normal quando se é um Caçador de Sombras? A mãe em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente começa a ver lobisomens, vampiros, e fadas?
A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine que, além de louco, simboliza o Mal e, para piorar o cenário, também é o seu pai.
Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente ser seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e aliar-se ao diabólico pai Valentine… mas as aparências podem iludir.

Opinião:
A trama adensa-se neste segundo volume de uma saga de fantasia urbana que me cativou desde a primeira página. A mitologia paranormal é alargada, na medida em que exploramos o domínio das Fadas, seres que não mentem mas apreciam distorcer a verdade e manipular os desejos mais obscuros das personagens.
Os protagonistas, Jace e Clary, lidam com as revelações surpreendentes do volume anterior, principalmente com a incapacidade para se manterem afastados mesmo sabendo a inviabilidade da ligação amorosa que os une. Por conseguinte, o início deste livro é algo passivo, focando-se no debate emocional das personagens que enfrentam os seus demónios interiores.
Jace mantém-se a personagem mais cativante de toda a estória. A sua infância conturbada endureceu-o mas o seu carácter sarcástico, arrogante e carismático é, neste volume, sobreposto pela sua luta interior entre os seus sentimentos e o seu lado racional. Assim, temos a oportunidade de vislumbrar o seu lado mais emotivo, mais humano. Clary torna-se mais interventiva, sendo que ambos descobrem capacidades peculiares muito interessantes e úteis para a sua demanda.
As personagens secundárias também emergem como partes essenciais deste contexto. Simon é uma das personagens que adquire mais relevo, um novo vigor e, por isso, tornou-se mais fácil de simpatizar com este jovem apaixonado que, apesar das suas inseguranças, se mostra forte e determinado. Outro aspeto que apreciei bastante em relação à caracterização de personagens foi o aprofundar da relação entre Alec e Magnus, um casal com uma dinâmica diferente e peculiar, com avanços e recuos, pela qual dou por mim a torcer com maior motivação do que pelo triângulo amoroso no centro da estória. Novos intervenientes surgem, como Maia, uma jovem lobisomem, que prometem trazer ainda mais dinâmica à narrativa. Por outro lado, a personagem de Isabelle, para meu desgosto, é relegada para segundo plano.
 A escrita da autora permanece simples e fluída, sendo que a narrativa, após o início mais vagaroso, adquire um ritmo alucinante, repleto de ação e acontecimentos que se sucedem freneticamente. Contudo, por vezes são introduzidos elementos que não se coadunam com o desenrolar do enredo. As atitudes de algumas personagens por vezes deixaram-me perplexa, como por exemplo a decisão de Simon regressar ao Hotel Dumort, com consequências trágicas, ou a maneira demasiado intuitiva de Clary resolver as dificuldades que encontra. Por vezes, senti que a narrativa adquiria contornos forçados e faltava alguma lógica ou contextualização destas ações.
Por fim, este segundo volume peca em comparação com o primeiro, com algumas falhas no enredo que impediu o meu envolvimento total na estória. Apesar de tudo, gostei bastante do elemento misterioso que se mantém permanentemente à volta do passado de Jace, a força motriz de toda a saga. Certas pistas subtis levaram-me a formular algumas teorias e estou completamente ansiosa por ler o próximo volume para descobrir o rumo da estória e as potenciais reviravoltas que surgirão. Em suma, apesar de algo previsível, esta foi uma leitura aprazível e estimulante.
20:11 Publicada por Unknown 0

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"A Cidade dos Ossos" de Cassandra Clare [Opinião Literária]


Título: A Cidade dos Ossos
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº1)

Sinopse:
No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens.
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota...

Opinião:
Já há muito que ansiava pela leitura desta coleção e, com a chegada do filme este ano, não pude adiar mais! E ainda bem que assim foi, pois fiquei agradavelmente surpreendida!
Antes de mais, convém explicar um pouco mais acerca da estória criada por Cassandra Clare, uma vez que, na minha opinião, a sinopse deixa um pouco a desejar. Resumidamente, Clary, que até ao início do livro vive uma existência regular e nada fora do normal, encontra-se, devido ao desaparecimento da sua mãe, subitamente envolvida num mundo sobrenatural de que nada sabe. Este é o mundo dos Caçadores de Sombras, guerreiros descendentes de anjos, treinados para combater demónios e proteger o mundo de seres sobrenaturais como vampiros, lobisomens, feiticeiros, fadas, entre outros habitualmente encontrados no universo da fantasia. Na sua demanda para salvar a sua mãe, Clary terá que aprender a lidar com esta nova maneira de ver o mundo e com segredos de um passado que nunca soube que existia. Este foi o aspeto que mais apreciei na obra: toda esta mitologia complexa e que, apesar de cliché, tem o seu próprio encanto.
Com um enredo bastante envolvente, esta obra é repleta de ação, drama e humor. Apreciei especialmente os diálogos irónicos entre as personagens, principalmente as expressões sarcásticas de Jace. Sendo uma das personagens principais, é fácil para o leitor criar empatia com Jace, com todas as suas vulnerabilidades escondidas por baixo de uma carapaça de solidão auto-imposta.
Por outro lado, Clary deixou-me ressentida com algumas atitudes mais egoístas e pouco sensíveis, principalmente em relação a Simon, o seu melhor amigo e de quem ela tende a esquecer-se demasiado facilmente…
Como é frequente no género young-adult, surge o inevitável triângulo amoroso, ou melhor, um emaranhado de possíveis ligações amorosas entre algumas das personagens. Felizmente, este não é o foco principal da trama e a ação constante compensa.
O final desta obra foi para mim como um murro no estômago e deixou-me angustiada com a dúvida imposta relativamente ao destino da relação entre Jace e Clary. Recomendo um espírito bastante aberto e quem leu este livro perceberá certamente porquê…
Sim, este é um livro destinado a um público jovem. No entanto, penso que a narrativa é suficientemente madura para apelar a um leitor mais velho que aprecie o género. Mais do que uma estória de romance com personagens cativantes, este é um mundo de fantasia bem delineado e com grande potencial para os próximos volumes.  
20:49 Publicada por Unknown 10

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Gwenhwyfar: O Espírito Branco" de Mercedes Lackey [Opinião Literária]


Título: Gwenhwyfar: O Espírito Branco
Autora: Mercedes Lackey
Editora: Planeta

Sinopse:
A mais antiga das histórias galesas e o mais antigo dos mitos de Artur falam como se não tivesse uma, mas sim três rainhas com esse nome. Recorrendo a essas fontes mais antigas, Mercedes Lackey reconta a história da lendária terceira rainha de Artur.
A crescer numa Inglaterra onde os costumes antigos estavam a ser suplantados pela influência do Cristo Branco, Gwenhwyfar move-se num mundo onde os deuses antigos ainda caminham entre os devotos pagãos, onde visões nebulosas advertem contra perigos futuros e onde existem dois caminhos para uma mulher, o caminho da Bênção ou o caminho mais raro do Guerreiro.
Quando as Senhoras da Fonte convocam Gwen para servir um propósito especial, cede às circunstâncias para se tornar a terceira rainha de Artur - e encontrará tentação e traição, intriga e decepção, mas também amor e redenção.

Opinião:
Este é um romance histórico, uma recriação da lenda arturiana, que alia na perfeição a narrativa histórica com o misticismo e a magia deste mito. Contudo, um aspeto surpreendente nesta obra é a personagem principal: ao contrário do que seria expectável, não é o Rei Artur que se destaca na estória; este tem um papel secundário relativamente às personagens femininas, com especial destaque para Gwenhwyfar.
Ao longo da estória acompanhamos o crescimento e o quotidiano de Gwen, desde a sua infância e a relação com as suas irmãs, até ao seu sucesso como guerreira com capacidades invejáveis mesmo pelos homens, chegando finalmente à renúncia deste sonho para cumprir o seu dever como mulher de Artur. Através da sua visão do mundo que a rodeia, perspetivamos as suas dificuldades enquanto rapariga abençoada pela magia mas cujo o sonho envolve um caminho árduo para uma mulher: o caminho do Guerreiro. Num ambiente dominado por homens, Gwenhwyfar destaca-se pela sua determinação, coragem e dedicação – à sua carreira, à sua família e ao seu povo. Esta é uma personagem cativante, com a qual o leitor desenvolve empatia com facilidade.
Por outro lado, achei a ideia de Gwenhwyfar não ser apenas o nome de uma mulher, mas sim das três esposas diferentes de Artur, com personalidades e características distintas, amadas de diferentes formas pelo Rei Supremo, muito original.
No fundo, esta é uma estória marcante, com ação, mistério, fantasia e personagens intrigantes. Mais do que um simples romance histórico, é uma visão inovadora mas muito interessante acerca da lenda arturiana.


22:57 Publicada por Unknown 2

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"A Princesa Guerreira" de Barbara Erksine [Opinião Literária]

 

Título: A Princesa Guerreira
Autora: Barbara Erksine
Editora: Planeta

Sinopse:
Jess, professora em Londres, é vítima de um ataque de que não consegue recordar-se. Tudo indica que o agressor é um homem que a conhece bem. Assombrada pelo medo e pela suspeita, Jess refugia-se na casa isolada da irmã, na fronteira do País de Gales. O silêncio que procura é, porém, interrompido pelo choro de uma misteriosa criança.
A casa, a floresta que a cerca e o vale mais abaixo transportam ecos de uma grande batalha, travada dois mil anos antes. Ali caiu Caratacus, liderando a resistência das tribos da Britânia aos invasores romanos. O rei foi capturado e levado para Roma como prisioneiro, juntamente com a mulher e com a filha, a princesa Eigon. Sentindo-se impelida a investigar a história de Eigon, Jess segue os seus passos até à Roma de Cláudio e de Nero, onde a princesa assistiu ao grande incêndio, presenciou a perseguição movida aos cristãos e privou com o apóstolo Pedro. Aqui, talvez o mistério da extraordinária vida de Eigon se desvende, ou Jess se abandone progressivamente à sua obsessão, arriscando uma proximidade crescente com o seu agressor.

Opinião:
Neste livro apresentam-se dois séculos, alternando entre a vida de Jess, nos dias de hoje, e o quotidiano de Eigon, na época romana. Esta dualidade temporal não é propriamente original e penso que nesta obra acaba por ser pobremente executada.
As partes da estória no passado foram sem dúvida mais substanciais e cativantes, enquanto o relato de Jess aparenta ser apenas um acessório e muito menos apaixonante. A vida de Eigon é descrita de forma fluida, com os cenários bem desenvolvidos e descritos. Com uma linguagem eloquente, a cultura romana é explorada de uma forma interessante. Por sua vez, no presente os diálogos são um pouco forçados e os acontecimentos incoerentes e pouco credíveis. Esta divergência de a nível de conteúdo deixou-me bastante confusa e desiludida.
Em suma, a premissa deste livro é bastante boa, apesar de pouco original, mas a sua execução deixou muito a desejar.

00:17 Publicada por Unknown 0

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Morte no Teatro La Fenice" de Donna Leon [Opinião Literária]


Título: Morte no Teatro La Fenice

Autor: Donna Leon

Editora: Planeta

Coleção: Série Comissario Brunetti (nº1)

Sinopse:

Brunetti, funcionário exemplar da polícia de Veneza, tem um instinto infalível, agilidade na acção e gentileza no trato com vivos e mortos, características que o tornam um concorrente à altura das grandes personagens no género.
Neste livro, Brunetti investiga o caso do reputado maestro Wellauer, encontrado morto no seu camarim no Teatro La Fenice, após dirigir o primeiro acto da ópera La Traviata, de Verdi. O comissário vê-se imediatamente confrontado com um problema que o faz pensar e com um vasto leque de suspeitos: a prima donna Flávia Petrelli, que é uma rapariga mimada e egoísta; o director que estava furioso com a recusa do maestro em actuar num teatro muito conceituado; uma jovem esposa; uma soprano extraordinária e mentirosa e um director de teatro homossexual que tivera uma discussão com o maestro pouco antes do crime. Perplexo, Guido Brunetti interroga-se sobre quem calou para sempre o mais eloquente maestro do Ocidente.

Opinião:

Donna Leon agrupa nesta obra os elementos essenciais de um bom policial: um enredo misterioso e empolgante, uma personagem principal extremamente carismática e descrições detalhadas de uma cidade impressionante.

Esta estória tem como pano de fundo a belíssima cidade de Veneza, retratada pela autora de uma forma realista mas mantendo o misticismo habitualmente associado a este local. As descrições são detalhadas mas não massudas, ajudam o leitor a visualizar e a embrenhar-se na narrativa.

A personagem principal é uma das mais invulgares que já conheci num policial: Guido Brunetti tem uma vida ideal, um casamento sólido e uma família feliz. No fundo, é uma personagem sem problemas pessoais que interfiram com o seu trabalho! E esta é uma brisa de ar fresco, um conceito inovador mas que funciona muito bem. Brunetti é sensato e capaz de levar testemunhas e suspeitos a divulgar informações importantes numa simples conversa informal. E é este tom divertido e humorístico que torna esta obra diferente de tantas outras do mesmo género.

Não posso afirmar que a identidade do assassino me tenha surpreendido, mas o raciocínio de Brunetti e o desenlace final são arrebatadores. Este não é um livro de procedimentos laboratoriais ou técnicas forenses revolucionárias, mas sim um jogo de mentes entre o detetive e o assassino. É um policial que não precisa de sangue ou mortes macabras para agradar facilmente ao leitor.


00:00 Publicada por Unknown 0