Título: Quem Ama
Acredita
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº287)
Sinopse:
Jeremy Marsh vive em Nova Iorque, é um jornalista científico que
trabalha para a Scientific American. O seu talento especial para desmistificar
fenómenos paranormais fraudulentos faz dele uma personalidade pública e
conceituada. O cepticismo é, naturalmente, uma das suas características. Agora,
aí vai ele a caminho da Carolina do Norte, aonde alguém o chamou, da pequena
localidade de Boone Creek, para esclarecer um fenómeno de luzes misteriosas que
à noite têm sido vistas sobre um velho cemitério meio arruinado. Jeremy está
convencido que lhe bastará apenas uma semana para desvendar o caso. Porém não
espera que irá encantar-se com aquela pequena comunidade que o recebe
calorosamente nem sobretudo com uma bela e enigmática bibliotecária. Ela
disponibiliza-lhe gentilmente um gabinete onde ele pode pesquisar documentos
antigos. A aproximação é inevitável, mas ambos sofreram amargas desilusões no
passado. Jeremy, que passou por um divórcio, e Lexie, que se envolveu em dois
casos amorosos que a deixaram profundamente magoada, vão ter de se confrontar
com escolhas arriscadas se quiserem ficar juntos. Lexie está fortemente
enraizada na sua comunidade e, além disso, não quer abandonar Doris, a avó que
a criou e por quem nutre um imenso carinho. Estará Jeremy disposto a deixar
Nova Iorque para ficar com a sua amada? Será ele ainda capaz de acreditar num
grande amor?
Opinião:
Nicholas Sparks aposta mais uma vez no seu género de eleição: o romance.
No entanto, cai no erro de apostar na sua fórmula habitual, levando-a à
exaustão. A narrativa é demasiado previsível, sem o habitual cunho pessoal que
o autor introduz nas suas estórias.
As próprias personagens são algo ocas e unidimensionais. Os protagonistas
sofreram desilusões e amarguras no passado, mas rapidamente se atiram de cabeça
para uma relação que tem tudo para correr mal para ambos. Mais ainda, o autor
opta pelo típico final feliz, o que apenas reforçou a minha ideia de que esta
estória não traz nada de especial.
A explicação final sobre a origem do fenómeno supostamente sobrenatural
que fascina toda esta vila – o grande mistério da obra – é mediana e sem grande
interesse, deixando-me francamente desiludida.
Em contrapartida, gostei do retrato de uma comunidade unida, com fortes
raízes no passado, constituída por indivíduos caricatos. Na verdade, gostaria
que as personagens secundárias que compõem esta vila, como Doris, Rodney e
Rachel, tivessem sido mais exploradas.
No fundo, é uma leitura confortável, mas careceu a componente emotiva
que me teria feito apaixonar pela estória, pelas personagens, pelo ambiente. Aliás,
esteve longe de me conseguir arrebatar e surpreender verdadeiramente. Não é
certamente um bom exemplo da qualidade normalmente associada a este autor.
23:11
Publicada por
Unknown