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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

"A Ilha das Três Irmãs" de Nora Roberts [Opinião Literária]

Título: A Ilha das Três Irmãs

Autora: Nora Roberts

Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]

Coleção: Trilogia das Três Irmãs (nº1)

Sinopse:

Quando Nell Channing chega à acolhedora Ilha das Três Irmãs, acredita que finalmente encontrou um refúgio do seu marido violento... e da vida horrível que levara nos últimos anos. Mas mesmo nesse lugar calmo e distante, Nell nunca se sente inteiramente à vontade.

Escondendo cuidadosamente a sua verdadeira identidade, aceita um lugar como cozinheira num café e começa a explorar os seus sentimentos pelo simpático xerife da ilha. Mas há uma parte de si que ela nunca lhe poderá revelar, pois tem de guardar alguns segredos se quer manter o passado longe de si. Uma palavra a mais... e a sua nova vida tão cuidadosamente montada pode despedaçar-se.

E quando Nell começa a questionar-se se alguma vez será capaz de se libertar do seu medo, apercebe-se de que a ilha sofre de uma terrível maldição que só pode ser desfeita pelas descendentes das Três Irmãs: as bruxas que se instalaram na ilha em 1692. Então, com a ajuda de outras duas mulheres talentosas e determinadas – e com os pesadelos do passado a atormentarem-na constantemente – ela tem que encontrar a força para salvar o seu lar, o seu amor e a sua vida.

Opinião:

Este é o início de mais uma trilogia que promete conciliar a fórmula tradicional dos romances de Nora Roberts com uma boa dose de magia.

Mais uma vez, a autora conseguiu fazer-me apaixonar pelos cenários da sua estória, através das descrições de uma ilha mágica, belíssima e fascinante e de uma pequena comunidade em harmonia com a natureza.

Contudo, o aspeto que merece maior destaque é sem dúvida a abordagem à temática da violência doméstica. A protagonista, Nell, é uma mulher que teve de descobrir toda a sua força interior para escapar ao horror a que era submetida pela pessoa que lhe prometeu amor e proteção. As reações de terror e permanente desconfiança desta personagem pareceram-me extremamente realistas face ao contexto e adorei acompanhá-la na sua jornada de redescoberta da paixão e do poder do amor.

No fundo, a estória não acarreta grande mistério, a narrativa é bastante linear e não há grandes revelações finais, mas a autora compensa com a criação de uma componente mágica mais física e palpável do que o habitual. Com a junção de três mulheres tão diferentes – Nell, Ripley e Mia – é criado um poder assente na natureza, com direito a receitas, feitiços e tudo o que poderíamos querer numa estória de bruxas!

Relativamente à componente romântica, Nora Roberts não desilude. É uma autora com quem podemos sempre contar para conceber cenas tocantes, manipular as emoções do leitor e deixar-me com os sentimentos à flor da pele.

Esta é indubitavelmente uma trilogia que não hesitarei em acompanhar!

18:13 Publicada por Unknown 6

domingo, 17 de novembro de 2013

"O Cão da Morte" de Agatha Christie [Opinião Literária]

Título: O Cão da Morte

Autora: Agatha Christie

Editora: Edições Asa

Coleção: Obras de Agatha Christie (nº44)

Sinopse:

Uma marca de pólvora com a forma de um cão; um presságio do “outro mundo”; uma casa assombrada; uma reunião aterradora; um caso de dupla personalidade; um pesadelo recorrente; uma amnésia súbita; uma levitação; um misterioso pedido de socorro… Doze casos inexplicados – e aparentemente inexplicáveis – cujo desfecho requer o génio “sobrenatural” de uma Agatha Christie.

Opinião:

Nesta coletânea de pequenos contos, a Rainha do Crime revela-se também numa mestre do sobrenatural, produzindo enigmas aterradores e aparentemente irresolúveis.

Estes doze contos são perfeitamente assustadoras e ideais para quem procura uma leitura leve e gosta de estórias insólitas. Não é propriamente uma obra de terror puro, mas deixará certamente qualquer leitor arrepiado.

Como favoritos posso eleger o “O Cão da Morte” que partilha o título da obra e a inicia de uma forma brilhante, preparando o leitor para o tipo de estórias que o precedem, e “O Quarto Homem”, que questiona os limites da sanidade mental e o que faríamos quando a nossa própria mente se torna no nosso pior inimigo.  

Mesmo fora do seu registo habitual, o cunho pessoal da autora está sempre presente, com os seus finais surpreendentes que farão os mais céticos ponderar a existência de forças muito para além daquilo que podemos compreender ou explicar!

A obra perfeita para quem aprecia um bom susto de vez em quando!

23:33 Publicada por Unknown 2

terça-feira, 29 de outubro de 2013

"Um Beijo em Havana" de Michelle Jackson [Opinião Literária]

Título: Um Beijo em Havana

Autora: Michelle Jackson

Editora: Quinta Essência

Sinopse:

E se umas férias mudassem a sua vida?

Emma, Louise e Sophie são irmãs. Talentosas, artísticas e criativas, têm muito em comum, especialmente no que diz respeito a homens. Quando Emma recebe do seu falecido marido pelo correio dois bilhetes para Cuba, fica mais do que surpreendida. Decide levar Sophie, sem perceber que o marido sempre tivera a intenção de a levar com ele. Enquanto as irmãs aproveitam o sol das Caraíbas, Louise reencontra Jack Duggan, o amor do seu passado, o que vai abalar o seu casamento com Donal. Enquanto isso, em Cuba, Emma conhece um sósia de Che Guevara, Felipe, e Sophie conhece Greg, um negociante de arte canadiano. Num cenário paradisíaco de amenas noites tropicais, música cubana e cocktails de rum, as irmãs não fazem ideia de onde um beijo em Havana as vai levar...

Opinião:

Este é um romance certamente pouco convencional, que se foca mais nos conceitos de adultério e traição do que propriamente numa verdadeira união. A paixão é explorada de uma forma intrincada, com múltiplos intervenientes que se enredam numa teia de relações e formas de amar complexas e por vezes disfuncionais.

As protagonistas – Emma, Louise e Sophie – são três irmãs muito diferentes mas cujas personalidades não são bem exploradas, nunca passam de meros estereótipos no papel. Não criei empatia com nenhuma, talvez pela essência de egoísmo partilhada, com especial destaque para Sophie, provavelmente a personagem mais egocêntrica, imatura e manipuladora de sempre. A disfuncionalidade deste núcleo familiar chega a ser desgastante, não há uma comunicação verdadeira e as atitudes de praticamente todas as personagens são frustrantes.

O enredo tem pouco de substância e deixou-me uma sensação de vazio enquanto leitora. A estória peca pelo excesso de dramatismo, pelos diálogos que soam a falso e pela resolução final dos conflitos: completamente irrealista, pouco aprofundada e demasiado apressada. A autora ignora o potencial da estória e a sua mensagem para nos trazer um final feliz demasiado “cor-de-rosa”, forçado e pouco credível.

A única mais-valia nesta obra é mesmo a descrição de Cuba: a sua beleza exótica, a sua cultura tão distinta da ocidental, o fosso que separa a riqueza dos turistas e a pobreza humilde do povo cubano. Este cenário idílico foi a escolha acertada para o desenvolvimento da trama principal, criando o ambiente ideal para o romance florescer.

Ainda assim, o meu veredicto final é algo negativo. Na minha opinião, esta não é uma estória de amor, é mais um relato amargo do egoísmo do ser humano, de relações fúteis e desconexas, sem grande relevância e que se arrasta por demasiadas páginas desnecessariamente.


23:36 Publicada por Unknown 0

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"As Cinquenta Sombras de Grey" de E. L. James [Opinião Literária]





Título: As Cinquenta Sombras de Grey
Autora: E. L. James
Editora: Lua de Papel
Coleção: Trilogia Fifty Shades (nº1)





18:24 Publicada por Unknown 9

terça-feira, 24 de setembro de 2013

"Sapatos de Rebuçado" de Joanne Harris [Opinião Literária]

Título: Sapatos de Rebuçado
Autora: Joanne Harris
Editora: Edições Asa
Coleção: Trilogia Chocolate (nº2)

Sinopse:
Após ter abandonado a aldeia de Lansquenet-sur-Tannes, cenário de Chocolate, Vianne Rocher procura refúgio e anonimato em Paris, onde, juntamente com as suas filhas Anouk e Rosette, vive uma vida pacífica, talvez até mesmo feliz, por cima da sua pequena loja de chocolates. Não há nada fora de comum que as destaque de todos os outros. A tempestade que caracterizava a sua vida parece ter acalmado... Pelo menos até ao momento em que Zozie de l’Alba, a mulher com sapatos de rebuçado, entra de rajada nas suas vidas e tudo começa a mudar… 
Mas esta nova amizade não é o que parece ser. Impiedosa, retorcida e sedutora, Zozie de l’Alba tem os seus próprios planos - planos que vão despedaçar o mundo delas. E com tudo o que ama em jogo, Vianne encontra-se perante uma escolha difícil: fugir, tal como fez tantas outras vezes, ou confrontar o seu pior inimigo… 
Ela própria.

Opinião:
Neste segundo volume de uma trilogia tão doce como chocolate, acompanhamos Vianne Rocher, com uma nova identidade e novos desafios à espreita para perturbar a sua recente vida pacata e incógnita em Paris.  
Na verdade, a protagonista que tanto me encantou em Chocolate surge com uma personalidade completamente distinta. Vianne é neste volume uma mulher apagada, temerosa, sem qualquer réstia da vivacidade que a caracterizava. Apesar de entender a sua necessidade de fugir ao passado, nunca percebi completamente esta mudança de carácter tão súbita. Por conseguinte, acabou por se tornar numa personagem vazia e irritante.
Pelo contrário, adorei a oportunidade de explorar a personalidade de Anouk – filha de Vianne –, que neste livro já não é uma simples menina, é uma jovem a descobrir-se a si mesma e aos seus poderes.
Mas o verdadeiro foco da estória é Zozie, uma mulher intensa e enigmática, que fará tudo ao seu alcance para atingir os seus objetivos. Uma personagem que retrata precisamente a ilusão das aparências, que por detrás de uma imagem de amizade e dedicação, encerra um mundo de truques e segredos obscuros.
Quanto ao enredo, este pareceu-me algo desconexo, sem grande interesse ou objetivo final durante a primeira metade do livro, com alguns momentos um pouco forçados e que se arrastaram por demasiadas páginas. Ainda assim, a autora compensa com a reintrodução de Roux, e a sua relação com Vianne trouxe ternura, romance e um propósito à estória.
E claro, como posso negar o prazer de ler acerca da confeção de doces? A escrita é tão vívida, tão sensorial, que quase saboreio o chocolate ao folhear as páginas. Porém, após a conclusão desta leitura, não posso deixar de sentir que este segundo volume carece alguma da magia do primeiro, pecando pelo excesso de floreados sem grande substância. Ainda assim, aconselho a quem pretenda uma leitura leve, um romance delicioso, um breve sustento tanto para o estômago como para a alma.

23:44 Publicada por Unknown 7

domingo, 15 de setembro de 2013

"O Armazém e Outras Estórias" de Patrícia Madeira [Opinião Literária]


Título: O Armazém e Outras Estórias
Autora: Patrícia Madeira
Ilustrador: João Raposo
Editora: Escrytos/Edição de Autor

Sinopse:
Com temas muitos distintos, que vão do amor, à solidão, à velhice, ao sexo, à morte, à amizade, à unreality TV até ao fantástico, O Armazém e Outras Estórias revela-nos a ansiedade e a insegurança que temos connosco próprios, que jamais ousaremos contar a alguém, e a certeza que estamos sozinhos mesmo quando rodeados pelos nossos mais queridos.
Em O Armazém e Outras Estórias pratica-se um requintado exercício de voyeurismo dos costumes, num desfile de fantasias, anseios, equívocos, manias e pequenos milagres que povoam o quotidiano de personagens maioritariamente anónimas. Num estilo fotográfico e linguagem elegantemente despudorada (já revelados em 2001 Instantâneos de Sapo) dá-se corpo a um universo que pode ser tão hilariante e patético, ou terno e improvável, quanto a vida de cada um de nós. Entre alguns dos contos mais emblemáticos destacam-se A confidente – o que poderá levar um indivíduo com fobia social que viaja numa carruagem do metro a sentir-se seguro para partilhar as suas angústias? –; A porca, em que um caso de amor alternativo tem um desfecho inesperado; e Roy Blue está na cidade, o qual revela o que mais se poderá ter, além de fama, para deixar a nossa marca no mundo.
São 18 estórias escritas numa perspetiva individual e intimista, ilustradas por João Raposo.

Opinião:
O Armazém e Outras Estórias consiste num conjunto de 18 pequenas estórias intimistas e refrescantes explorando temas como o amor, a solidão, o sexo, a morte e a amizade. Não sendo propriamente uma leitora ávida de contos, esta coletânea surpreendeu-me pela diversidade de temas abordados, pelo humor implícito em cada estória e pela escrita crua e realista que a autora emprega.
O conto inicial – O Armazém – tem um impacto brutal no leitor. É irreverente, sensual, algo perturbador e retrata precisamente o ambiente de toda a coletânea. Foi um começo decididamente brusco, mas essencial para mostrar o modo como a autora não tem medo de chocar e ultrapassar as convenções sociais, abordando o amor e a sexualidade nas suas formas mais diversas, tal como exemplifica nos contos A Porca, Esta cidade é pequena demais e Nove centímetros. Também Roy Blue está na cidade é um exemplar desta abordagem inusitada, na medida em que apresenta a contenda interior de um artista, lidando com o peso da fama e a necessidade intrinsecamente humana de deixar a sua marca no mundo.
Mas o conto que me rendeu verdadeiramente aos encantos da imaginação de Patrícia Madeira foi A Confidente. Uma estória simples mas pujante, que brinda o leitor com uma reflexão sobre a solidão e o isolamento, com um final arrepiante e inesperado.
A autora é bastante competente na sua abordagem do quotidiano, da amargura que advém do dia-a-dia, da rotina, da necessidade de sermos algo mais que por vezes impede a nossa ligação com os outros. Os contos Amo-vos muito e Eles vão ver na segunda-feira são tributos a este ideal, retratando sem pudor esta realidade. De igual modo, importa realçar o conto A Luz, sem dúvida um dos meus favoritos, pela honestidade com que evidencia a angústia do envelhecimento e o direito à dignidade mesmo na morte.
De um modo geral, esta foi uma leitura rápida e estimulante, em particular pela escrita singular de Patrícia Madeira: sempre com um toque de humor e cumplicidade, aliado a um tom tongue-in-cheek e uma ironia deliciosa subjacente. Acompanhada de belíssimas ilustrações pela mão de João Raposo, esta coletânea certamente promete satisfazer os fãs de pequenas estórias com grandes mensagens!
16:32 Publicada por Unknown 0

sábado, 14 de setembro de 2013

"Eragon" de Christopher Paolini [Opinião Literária]

Título: Eragon
Autor: Christopher Paolini
Editora: Gailivro
Coleção: Ciclo da Herança (nº1)

Sinopse:
Quando Eragon encontra uma pedra azul polida na floresta, acredita que poderá ser uma descoberta bendita para um simples rapaz do campo: talvez sirva para comprar carne para manter a família durante o Inverno. Mas quando descobre que a pedra transporta uma cria de dragão, Eragon depressa se apercebe de que está perante um legado tão antigo como o próprio Império. De um dia para o outro, a sua vida muda radicalmente, e ele é atirado para um perigoso mundo novo de destino, de magia e de poder. Empunhando apenas uma espada legendária e levando os conselhos dum velho contador de histórias como guia, Eragon e o jovem dragão terão de se aventurar por terras perigosas e enfrentar inimigos obscuros, dum Império governado por um rei cuja maldade não conhece fronteiras. Conseguirá Eragon alcançar a glória dos lendários heróis da Ordem dos Cavaleiros do Dragão? O destino do Império pode estar nas suas mãos...

Opinião:
Finalmente decidi dar uma segunda oportunidade a este livro, cuja leitura abandonei há uns anos atrás, principalmente porque a fantasia era um género que não me cativava na altura (algo que mudou consideravelmente). Esta segunda leitura foi mais agradável, ainda que as expectativas demasiado altas talvez tenham influenciado negativamente a minha opinião geral sobre a obra.
Inicialmente devorei os primeiros capítulos com avidez, até porque a escrita é muito dinâmica e acessível, e a estória intrigou-me bastante. Não que o enredo seja propriamente inovador para os fãs do género, mas parecia-me que o autor fosse capaz de introduzir algo de novo. Contudo, quando o autor inicia um relato interminável e aborrecido de uma viagem que não parece ter um fim à vista, em conjunto com uma miríade de clichés, a desilusão tomou as rédeas e já não me conseguia concentrar devidamente na leitura. Simplesmente não consegui ignorar a sensação de déjà-vu, pois as semelhanças com a jornada retratada em O Senhor dos Anéis são inegáveis.
As personagens tornaram tudo um pouco melhor, com a exceção do protagonista. Eragon é uma personagem demasiado perfeita, que adquire as habilidades sem grande esforço e a quem tudo acontece convenientemente. Achei-o egocêntrico, imaturo e espero que tenha uma grande evolução em termos de caracterização nos próximos volumes. No entanto, o autor presenteia-nos com algumas personagens interessantes e carismáticas: Brom, Saphira, Murtagh, Arya e Nasuada deixam a sua marca e fornecem-me um incentivo para ler os restantes livros da saga para conhecer os seus desfechos. Em particular, a relação entre Eragon e o seu dragão, Saphira, é bem explorada e enternecedora. Já os vilões careciam genuíno terror para fazerem o leitor temer o desenlace final. Este, por sua vez, foi um pouco apressado e nada marcante, deixando algumas questões em aberto para o volume seguinte.
Em suma, esperava mais desta leitura. Acabou por ser a típica viagem épica de um jovem a tentar descobrir a origem dos seus poderes, uma estória genérica com dragões à mistura, à qual faltou algo para verdadeiramente se destacar. Ainda assim proporcionou algumas horas de entretenimento e certamente agradará a um público mais juvenil.
22:22 Publicada por Unknown 8

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"A Espia da Rainha" de Philippa Gregory [Opinião Literária]

Título: A Espia da Rainha
Autora: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Coleção: A Corte dos Tudor (nº4)

Sinopse:
No Inverno de 1553, a jovem Hannah, uma judia de 14 anos, e o pai fogem para Londres perseguidos pela Inquisição Espanhola. Fixam-se nesta cidade e abrem uma livraria onde Hannah conhece o Lord Robert Dudley, um aristocrata influente. Dudley apercebe-se de que Hannah tem o dom de ver o futuro e leva-a para a corte para ser o bobo e espiar as irmãs, rivais e pretendentes ao trono, Mary Tudor e Elizabeth. Contratada como bobo, mas a trabalhar como espia, prometida em casamento a um judeu, mas apaixonada por Lord Robert Dudley, ameaçada pelas leis contra a heresia, traição e feitiçaria, Hannah tem que escolher entre a vida segura e tranquila de uma pessoa comum, ou a vida no centro das perigosas intrigas da família real.

Opinião:
Neste volume somos convidados a visitar novamente a corte dos Tudor – a mais intriguista, sangrenta e volúvel da história –, desta vez no reinado dos descendentes de Henrique VIII.  Abordando a ascensão ao trono de Mary e os jogos políticos que tiveram como objetivo colocar a sua irmã Elizabeth a reinar, Philippa Gregory estabelece um excelente retrato histórico nos meandros de uma estória ainda mais fictícia que o habitual. Pela primeira vez, o foco é uma personagem completamente imaginária, que constitui o elo de ligação entre todos os acontecimentos e intervenientes verídicos.   
Contudo, a protagonista, Hannah, não me convenceu. A sua caracterização é confusa e inconsistente. Tanto é descrita pela autora como uma jovem forte e espirituosa que deseja acima de tudo ser independente da autoridade de um homem (algo bastante discrepante para a época), como no momento seguinte está apaixonada pelo seu superior Robert Dudley, enquanto rejeita terminantemente envolver-se com o seu noivo Daniel. Ao longo de toda a obra achei-a imatura, teimosa e por vezes muito egoísta.
No entanto, a autora compensa com o retrato de Mary Tudor. Conhecida como uma rainha sangrenta, pela sua obsessão com a fé verdadeira – a católica – que originou a perseguição e massacre de protestantes, a autora apresenta uma versão mais compassiva e realista das razões para o seu eventual declínio. Mary é aqui caracterizada como uma mulher que sofreu toda a sua vida ao ser afastada do trono e da linhagem real pelo próprio pai, o rei Henrique, e impossibilitada de visitar a mãe, Catarina de Aragão, no seu leito de morte. Por este motivo, Mary nunca perdoou a Ana Bolena por seduzir o rei mas, apesar de tudo não projeta este ódio à sua meia-irmã Elizabeth. Na verdade, a relação entre ambas é o ponto alto desta obra, um contraste entre duas personalidades distintas e duas crenças incompatíveis. Elizabeth, claro, é a imagem da sua mãe, uma verdadeira herdeira da ambição e calculismo dos Bolena. É esta desilusão perante a irmã mais nova que sempre amou que leva Mary numa espiral de ressentimento e depressão que condenou para sempre o seu reinado.  
O enredo é, portanto, mais focado na dimensão psicológica de Mary e na vida de Hannah enquanto espia na corte, o que francamente acabou por se tornar um pouco entediante. A estória poderia ter sido encurtada e teria sido mais interessante ter como protagonista Mary do que Hannah. O desenlace final é também previsível e melodramático, sem grande relevância como romance histórico. Não gostei da aposta da autora em tornar esta obra ainda mais fictícia do que o habitual, pois perdeu o encanto dos volumes anteriores. Ainda assim, foi uma leitura que entreteve e uma aposta segura para quem aprecia as obras de Philippa Gregory.
Deixo, no final, uma pequena consideração à editora relativamente à tradução dos nomes: ou os traduzem em todos os volumes de uma série ou não. Não percebo como em alguns volumes os nomes estão traduzidos diretamente (Elizabeth para Isabel e Mary para Maria) enquanto neste mantêm o original. Honestamente não sou grande apreciadora das traduções de nomes mas pelo menos sejam consistentes! 
23:38 Publicada por Unknown 0

domingo, 8 de setembro de 2013

"Anjo Mecânico" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: Anjo Mecânico
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras – As Origens (nº1)

Sinopse:
A magia é perigosa, mas o amor é ainda mais perigoso.
Quando Tessa Gray, uma rapariga de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizadoras aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos.
Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa depressa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si.
Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que juram encontrar-lhe o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente da sua vida à distância… ou seja, toda a gente menos Tessa. À medida que a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo… e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.

Opinião:
Como fã da saga Caçadores de Sombras, não poderia de forma alguma recusar a leitura deste livro – o primeiro de uma série que retrata as origens da mitologia que encontramos em A Cidade dos Ossos. Assente na Inglaterra do século XIX, esta é uma estória que prometia um romance paranormal, com um toque de steampunk, para a qual tinha grandes expectativas. Porém, apesar de ter correspondido ao que esperava em termos de entretenimento, não consegui ignorar alguns pormenores que impediram esta leitura de corresponder ao seu potencial.
Em primeiro lugar, tive alguns problemas com o retrato da época vitoriana. Na verdade, parece que a autora se limitou a adicionar alguns pormenores vitorianos/steampunk sem grande contexto. Alguns diálogos pareceram-me forçados e pouco enquadrados na época e ambiente pretendidos. Mas de uma forma geral, o retrato da Inglaterra vitoriana está apelativo e interessante, embora pudesse ser melhor explorado.
Contudo, o meu verdadeiro problema foi a caracterização dos protagonistas. Parecem uma cópia exata dos protagonistas da saga original, apenas com mínimas alterações físicas! Analisando mais pormenorizadamente: Tessa é a rapariga ingénua que descobre que descobre um mundo sobrenatural e perigoso enquanto tenta resolver o desaparecimento de um familiar e se apaixona por um Caçador de Sombras – exatamente como Clary em A Cidade dos Ossos! E Will é o Caçador de Sombras enigmático e egocêntrico, extremamente sarcástico, com um passado tortuoso e uma tendência para afastar as pessoas que o amam – tal e qual o Jace. Confesso que a meio do livro já estava um pouco farta deste paralelismo constante, especialmente quando Tessa e Will são apenas cópias baratas que nem sequer têm o mesmo encanto que Clary e Jace. Por outro lado, Jem, apesar de parecer um substituto de Simon nesta narrativa, até conseguiu fascinar-me. É uma personagem com um toque trágico que leva o leitor a criar uma empatia instantânea e merece sem dúvida maior destaque nos próximos volumes.
As próprias personagens secundárias acabaram por ultrapassar os protagonistas em certa medida, com as suas personalidades e motivações particulares e originais. Os meus intervenientes favoritos incluem Charlotte, uma mulher competente e determinada que desafia as convenções da época ao governar o Instituto; o seu marido Henry, despistado e ingénuo mas ainda assim muito caricato; Sophie, uma criada irreverente com uma estória tocante; e até mesmo as odiosas Irmãs Black, pelo toque de perversidade e malvadez que trouxeram à estória. Também o facto de rever Magnus Bane – uma das minhas personagens favoritas na saga original – conseguiu atenuar um pouco da minha irritação com Tessa e Will. Ainda assim, gostaria que estivesse mais envolvido na trama principal e que lhe fosse proporcionado mais protagonismo.
O enredo é interessante e o ritmo avassalador, com um final surpreendente e intrigante. Acabei por ficar curiosa com o possível rumo da estória nos próximos volumes mas espero um melhor aproveitamento dos protagonistas, de preferência com maior originalidade. Não foi uma leitura que me tenha arrebatado, mas aconselho aos fãs da saga original que pretendam aprofundar o seu conhecimento sobre o mundo dos Caçadores de Sombras.
22:44 Publicada por Unknown 0

terça-feira, 3 de setembro de 2013

"A Letra Encarnada" de Nathaniel Hawthorne [Opinião Literária]






Título: A Letra Encarnada
Autor: Nathaniel Hawthorne
Editora: Dom Quixote




15:42 Publicada por Unknown 0

domingo, 25 de agosto de 2013

"O Cirurgião" de Tess Gerritsen [Opinião Literária]

Título: O Cirurgião
Autora: Tess Gerritsen
Editora: Bertrand Editora
Coleção: Rizzoli & Isles (nº1)

Sinopse:
Anda um assassino em série à solta nas ruas de Bóston. Os cadáveres encontrados indiciam uma brutalidade extrema: as vítimas são cortadas com um bisturi, os úteros são removidos e as suas gargantas cortadas. A polícia desespera para encontrar pistas para travar aquele a quem a imprensa já apelidou de o Cirurgião. Jane Rizzoli, uma detective dura e implacável e a única mulher na Brigada de Homicídios, está determinada a travá-lo. Thomas Moore, o outro detective encarregue do caso, encontra semelhanças perturbadoras com uma outra série de crimes ocorridos dois anos antes numa outra cidade. Poderá tratar-se-á do mesmo assassino? O problema é que o suspeito foi morto por uma das suas vítimas, a doutora Catherine Cordell, uma reputada médica actualmente a residir em Bóston. Será que o pesadelo de Catherine ainda não terminou? Terá o assassino regressado para acabar o que começou?

Opinião:
Esta foi a minha estreia com Tess Gerritsen, uma das escritoras mais aclamadas no género policial. E francamente não poderia ter sido melhor! Há algum tempo que não tinha a oportunidade de ler um policial que me cativasse tanto, que perpetuasse uma leitura tão viciante que a acabei num dia!
Em primeiro lugar, o enredo é absolutamente intrigante: uma onda de assassínios brutais muito semelhantes à atividade de um serial killer que já se encontra morto. A estória mantém o suspense até ao final, levando o leitor a desvendar pouco a pouco as peças de um puzzle único e perturbador.
A autora não se coíbe na componente descritiva. Afinal, este é um assassino que remove o útero às suas vítimas ainda vivas, apenas para depois as degolar e observar enquanto se afogam no próprio sangue. Todos os detalhes mais grotescos são bem explícitos, numa narrativa gráfica que certamente não aconselho aos mais suscetíveis. No entanto, foi este realismo sobre a natureza humana, capaz de uma crueldade inimaginável, que talvez me tenha cativado mais, revolvendo o meu estômago e despertando o meu lado mais emotivo.
De igual modo, a autora aborda a temática da violação e violência contra as mulheres de uma forma brilhante. A caracterização das vítimas deste trauma, protagonizada pela personagem Catherine Cordell, parece-me bastante realista, demonstrando a maneira de (sobre)viver após a violação mais intima que alguém pode sofrer. Por conseguinte, considero este um excelente retrato da forma como as mulheres que sofreram de abuso sexual encaram o mundo que as rodeia, como se vêm a si próprias, e como a sociedade as trata.
Como qualquer thriller médico, a componente técnica é bastante predominante nesta obra. Como estudante de enfermagem não tive qualquer problema com a maior parte dos termos utilizados mas percebo que será um obstáculo para a generalidade dos leitores. Ainda assim, penso que esta vertente descritiva nos procedimentos é mais notória no início do livro e que será fácil para o leitor se embrenhar na estória numa fase posterior.
Por fim, são as personagens complexas e fascinantes que dão vida a este enredo fenomenal. Desde Catherine Cordell, uma médica que viveu um verdadeiro pesadelo e que vive numa batalha diária contra os seus medos, a Thomas Moore, um detetive calmo e ponderado, que fará de tudo para restituir a felicidade que Catherine perdeu. Adorei observar o desenvolvimento do relacionamento entre ambos, foi ternurento e simplesmente perfeito.
Quanto a Jane Rizzoli, esta surpreendeu-me pela complexidade da sua personalidade: é uma mulher que aparenta força e determinação, mas, ao contrário do que seria de esperar, é absurdamente insegura. A sua infância enquanto irmã renegada no meio de dois rapazes e o seu trabalho num mundo de homens que raramente respeitam as suas opiniões, Rizzoli torna-se numa mulher amarga, rancorosa e com pouca auto-estima. Não será certamente uma protagonista que promova empatia, mas é uma das mais interessantes que já encontrei.
O próprio assassino é uma das personagens mais apelativas deste livro. Com o acesso ao seu ponto de vista em vários capítulos, conseguimos perceber as suas intenções, motivações e a sua inteligência. É fascinante e ao mesmo tempo mórbido sentir a sua paixão pelos crimes que comete, mas é assim que percebemos a verdadeira maldade que lhe corre nas veias. Um assassino impiedoso cuja aparência tão vulgar me arrepiou diversas vezes, fazendo-me refletir sobre até que ponto conhecemos verdadeiramente quem nos rodeia.
Esta foi sem dúvida uma obra desconcertante, uma leitura impossível de parar, que demonstra como as aparências podem iludir e que o mal se esconde nos sítios mais improváveis.
16:12 Publicada por Unknown 14