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domingo, 7 de julho de 2013

"Corações em Silêncio" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: Corações em Silêncio
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº119)

Sinopse:
Confrontado com situações de extremo perigo, Taylor McAden, bombeiro voluntário, expõe-se até ao limiar do perigo. Denise é uma jovem mãe solteira, cujo filho de cinco anos sofre de um inexplicável atraso de desenvolvimento e a quem ela devota a sua vida numa tentativa de o ajudar. Mas o caso vai aproximar estes seres. Numa noite de tremendo temporal, Denise sofre um acidente de automóvel e é Taylor quem vem socorrê-la. Embora muito ferida, a jovem depressa toma consciência de que o filho já não se encontra na sua cadeirinha do banco traseiro. Taylor irá até ao fim de uma angustiante noite de buscas para o encontrar. Foram tecidas as primeiras malhas que os irão unir, e o pequeno Kyle desabrocha ao calor da ternura daquele homem. Denise abandona-se à alegria de um amor nascente. Mas Taylor tem em si cicatrizes antigas, que o não deixam manter compromissos de longa duração. Nicholas Sparks, esse talentoso contador de histórias, intervém com a sua magia redentora e a sua inigualável capacidade de aprofundar a complexidade das relações e dos afectos.

Opinião:
Nicholas Sparks, mestre do romance e de estórias emotivas, cria nesta obra um relato ternurento mas bastante real que explora os traumas de infância e problemas na área do desenvolvimento infantil. Sempre sensível, realista e perspicaz, o autor combina os ingredientes perfeitos para uma boa leitura: um romance enternecedor, momentos de ação e suspense, e personagens fabulosas cujos destinos não deixarão nenhum leitor indiferente.
Denise é uma protagonista eficaz, com quem facilmente criei uma empatia imediata, pois é uma mulher forte, determinada, que apesar de todas as adversidades que a vida lhe trouxe, continua a dedicar a sua vida, toda a sua força interior, em prol do filho. Kyle é um menino encantador, cujas dificuldades comunicativas tornam-se no foco do quotidiano de Denise. É impossível ficar indiferente ao desespero desta mãe, sem saber concretamente a causa desta perturbação no desenvolvimento do filho, recebendo a cada dia que passa diferentes diagnósticos possíveis mas nenhum prevalecendo como explicação final. Esta componente da obra foi extremamente enriquecedora, apreciei bastante a abordagem do quotidiano de uma criança com distúrbios de aprendizagem.
Por sua vez, Taylor é o verdadeiro mistério desta estória. O seu desapego e relutância em ser feliz são características exasperantes mas rapidamente nos apercebemos que estão enraizadas num trauma de infância que marcou a sua vida para sempre. A relação entre Taylor e Denise é muito realista e o seu eventual declínio é retratado de uma forma credível, considerando todas as cicatrizes do passado que ambos recusam admitir.
Nicholas Sparks não é propriamente adepto de finais felizes, pelo menos não completamente, por isso já esperava algum tipo de tragédia no final. Contudo, fiquei surpreendida com a mesma e bastante emocionada. Pois esta é a magia deste autor: consegue sempre tocar naquela corda emocional no nosso âmago, tornando-se impossível não nos sensibilizarmos com as suas estórias. Uma leitura absorvente sobre o poder regenerador dos afetos.
21:29 Publicada por Unknown 5

quinta-feira, 27 de junho de 2013

"À Primeira Vista" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: À Primeira Vista
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº311)

Sinopse:
Até que ponto nos conhecemos a nós próprios e àqueles que amamos? Jeremy Marsh nunca teria imaginado que alguma vez viesse a deixar Nova Iorque, a sua família e os seus amigos para mudar-se para Boone Creek, uma pequena vila do Sul dos Estados Unidos com a qual estará familiarizado se leu o último romance de Nicholas Sparks, Quem Ama Acredita. Mas se Jeremy aprendeu algo durante o curto espaço de tempo passado nesta localidade é que há coisas para as quais não é possível encontrar explicação. Como estar a alguns meses de se tornar pai, quando a própria ciência inviabilizava esta opção. Ou como estar a ainda menos a meses de casar com Lexie, apesar de a ter conhecido há tão pouco tempo. Para estas duas pessoas que ainda lutam para se adaptarem uma à outra, tamanhas mudanças vão constituir uma fonte de crescentes tensões, capazes de pôr à prova os sentimentos que ambos nutrem pelo outro. Quando simultaneamente Jeremy recebe uns misteriosos e-mails que sugerem que ele não conhece Lexie tão bem como deveria e que ela lhe anda a ocultar aspectos da sua vida, sente-se vacilar. Será ela aquilo que parece à primeira vista? Mas o verdadeiro desafio à fé no amor de ambos ainda está para vir... Um livro de grande impacto emocional sobre confiança, novos começos e um amor infinito que constantemente redefine o nosso modo de encarar a vida e de ultrapassar os obstáculos que esta nos reserva.

Opinião:
Após um primeiro volume algo dececionante, regressamos a Boone Creek para acompanhar a jornada de Jeremy e Lexie pelos meandros do casamento e da parentalidade. Um relato realista sobre as dificuldades de acreditar e confiar cegamente noutra pessoa, enquanto constroem os seus sonhos e se adaptam à noção de serem pais pela primeira vez.
O enredo, apesar de mais passivo que o anterior, é bem mais interessante. Mesmo sem as investigações sobre fantasmas, luzes misteriosas ou algo paranormal, a narrativa foi bastante apelativa, na medida em que o autor apostou, adequadamente, na densidade psicológica de um par de recém-casados durante um período de gravidez.
A evolução é notória nos protagonistas e o autor aprofunda bem esta relação de recém-casados, com todos os conflitos inerentes: a adaptação a diferentes hábitos, a conjugação de dois estilos de vida, as inseguranças durante todo este percurso…
Relativamente à gravidez, esta foi sem dúvida a componente mais emocional. Na minha opinião, o autor capturou de forma perfeita as dificuldades dos futuros pais nesta nova etapa, com uma particularidade: existe a possibilidade de que a filha que Lexie e Jeremy tanto almejam nasça portadora de uma deficiência, tudo em virtude de algo que não podem controlar. Quando pensamos num futuro com filhos, jamais consideramos a possibilidade de estes virem a sofrer, de não serem “perfeitos”, de serem vítimas de algo impossível de controlar ou prever… É esta a sombra que paira permanentemente no pensamento destas personagens e apenas podemos observar enquanto este pesadelo para qualquer pai se desenrola.
O desenlace final é, como já esperava, bastante trágico, mas talvez não da forma como seria mais expectável. Apreciei bastante todo o realismo por detrás das situações descritas, sem melodramas excessivos. Em geral, considero esta leitura uma evolução muito favorável relativamente ao volume anterior, sem sombra de dúvida!
22:55 Publicada por Unknown 8

quinta-feira, 13 de junho de 2013

"Quem Ama Acredita" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: Quem Ama Acredita
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº287)

Sinopse:
Jeremy Marsh vive em Nova Iorque, é um jornalista científico que trabalha para a Scientific American. O seu talento especial para desmistificar fenómenos paranormais fraudulentos faz dele uma personalidade pública e conceituada. O cepticismo é, naturalmente, uma das suas características. Agora, aí vai ele a caminho da Carolina do Norte, aonde alguém o chamou, da pequena localidade de Boone Creek, para esclarecer um fenómeno de luzes misteriosas que à noite têm sido vistas sobre um velho cemitério meio arruinado. Jeremy está convencido que lhe bastará apenas uma semana para desvendar o caso. Porém não espera que irá encantar-se com aquela pequena comunidade que o recebe calorosamente nem sobretudo com uma bela e enigmática bibliotecária. Ela disponibiliza-lhe gentilmente um gabinete onde ele pode pesquisar documentos antigos. A aproximação é inevitável, mas ambos sofreram amargas desilusões no passado. Jeremy, que passou por um divórcio, e Lexie, que se envolveu em dois casos amorosos que a deixaram profundamente magoada, vão ter de se confrontar com escolhas arriscadas se quiserem ficar juntos. Lexie está fortemente enraizada na sua comunidade e, além disso, não quer abandonar Doris, a avó que a criou e por quem nutre um imenso carinho. Estará Jeremy disposto a deixar Nova Iorque para ficar com a sua amada? Será ele ainda capaz de acreditar num grande amor?

Opinião:
Nicholas Sparks aposta mais uma vez no seu género de eleição: o romance. No entanto, cai no erro de apostar na sua fórmula habitual, levando-a à exaustão. A narrativa é demasiado previsível, sem o habitual cunho pessoal que o autor introduz nas suas estórias.
As próprias personagens são algo ocas e unidimensionais. Os protagonistas sofreram desilusões e amarguras no passado, mas rapidamente se atiram de cabeça para uma relação que tem tudo para correr mal para ambos. Mais ainda, o autor opta pelo típico final feliz, o que apenas reforçou a minha ideia de que esta estória não traz nada de especial.
A explicação final sobre a origem do fenómeno supostamente sobrenatural que fascina toda esta vila – o grande mistério da obra – é mediana e sem grande interesse, deixando-me francamente desiludida.
Em contrapartida, gostei do retrato de uma comunidade unida, com fortes raízes no passado, constituída por indivíduos caricatos. Na verdade, gostaria que as personagens secundárias que compõem esta vila, como Doris, Rodney e Rachel, tivessem sido mais exploradas.
No fundo, é uma leitura confortável, mas careceu a componente emotiva que me teria feito apaixonar pela estória, pelas personagens, pelo ambiente. Aliás, esteve longe de me conseguir arrebatar e surpreender verdadeiramente. Não é certamente um bom exemplo da qualidade normalmente associada a este autor. 
23:11 Publicada por Unknown 18

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"O Inverno do Mundo" de Ken Follett [Opinião Literária]

Título: O Inverno do Mundo
Autor: Ken Follett
Editora: Editorial Presença
Coleção: Trilogia O Século (nº2) / Grandes Narrativas (nº533)

Sinopse:
Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, que subjugou milhares de leitores, este segundo volume vem dar continuação à viagem através do século XX e, simultaneamente, à saga de cinco famílias – de nacionalidades americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – que polarizam a narrativa. Reencontramo-las agora no ponto em que as deixámos, ainda que seja uma segunda geração que assumirá progressivamente o protagonismo dos acontecimentos. Bem demarcadas, as personagens vão evoluindo segundo as suas crenças, ambições e aspirações, nem sempre do mesmo lado da barricada após o dramático início da Segunda Guerra Mundial. Ken Follett, incomparável contador de histórias, vai compondo o quadro global de uma forma não linear, recorrendo a situações esparsas, recriando múltiplos ambientes, acontecimentos do dia a dia, segundo a perspetiva dos diferentes atores – aristocratas, políticos, diplomatas, simples trabalhadores, militares –, configurando a totalidade do quadro como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente. No final temos a sensação de ter estado lá, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a guerra feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria.

Opinião:
É com esta obra que comprovo, mais uma vez, a mestria de Ken Follett em criar uma estória envolvente, com personagens complexas, romances apaixonantes, intrigas e ação, interligando fatos verídicos com momentos repletos de ficção. Neste segundo volume, a narrativa incide sobre os descendentes das personagens do primeiro volume, o que me deixou algo apreensiva. Honestamente, pensava que seria difícil recordar todos os nomes e relações, associando esta nova geração de personagens às cinco famílias principais, mas o autor teve o cuidado de pontuar o enredo com pequenos excertos de informação que facilitaram a minha memória e compreensão.
Abordando uma temática que sempre capturou o meu interesse – a Segunda Guerra Mundial –, o autor elabora uma notável investigação histórica, relatando os acontecimentos que lhe deram origem, as suas consequências nefastas para todo o mundo e o desfecho que alterou o rumo da história da humanidade. A conjuntura geopolítica deste período encontra-se eximiamente delineada, representando cronologicamente os acontecimentos mais importantes e diversificando o espaço físico retratado, tornando a leitura mais dinâmica e o retrato da época mais amplo e fidedigno. O leitor é levado numa viagem fascinante pelo século XX, atravessando a Inglaterra, os EUA, a Rússia e mesmo a Espanha, adquirindo, pelo caminho, toda a informação sobre a Segunda Guerra Mundial, sobre os interesses políticos e financeiros por todo o mundo.
A política é, pois, um fator indissociável desta obra, o que não constituiu um entrave à leitura, na medida em que o autor explica de uma forma bastante acessível as contendas entre a democracia, o comunismo e o fascismo. De igual modo, para quem aprecia relatos de espionagem estará bem servido com este livro: Ken Follett explora o papel determinante que a espionagem e contra-espionagem tiveram no desenlace destes eventos.
Porém, acima de tudo, este é um relato sobre pessoas, sobre o impacto que o Holocausto teve na população mundial, mas principalmente sobre os atentados à dignidade humana cometidos em prol de ideais repugnantes. O autor serve-se das suas personagens para proporcionar uma perspetiva direta do sofrimento de um país em guerra: a pobreza, a falta de recursos básicos, a violência, o terror constante, a morte que espreita inevitavelmente… É fascinante observar a forma como as personagens evoluem ao longo da narrativa, como o seu carácter é moldado pela necessidade de sobreviver ou simplesmente pelas atrocidades que foram forçados a testemunhar. Assim, verificamos concretamente as consequências que não apenas esta, mas qualquer guerra inflige ao indivíduo.
No entanto, gostaria de ter podido aceder à perspetiva japonesa, uma das mais cruciais em toda esta estória, mas que nunca é apresentada diretamente. Sem personagens japonesas que descrevessem o seu lado da guerra, principalmente o impacto da detonação das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasáqui, que inauguraram a era atómica, a mensagem apresentada pelo autor pareceu-me algo tendenciosa. Quase como se fosse algo irrelevante, utilizando o argumento que todas essas mortes pouparam vidas de cidadãos americanos. Confesso que fiquei algo desiludida com uma visão tão limitada.
Por fim, é fulcral salientar que esta obra não é um mero relato político e bélico da época, mas sim um retrato social profundo, explorando a capacidade de resiliência do ser humano perante condições inimagináveis. Este é, pois, um retrato envolvente de uma época sangrenta, de atrocidades e calamidades, mas também de uma luta incansável pelos direitos que usufruímos hoje, principalmente, pelo direito à liberdade.
16:48 Publicada por Unknown 2

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Dei-te o Melhor de Mim" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: Dei-te o Melhor de Mim
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº517)

Sinopse:
Este novo romance de Nicholas Sparks conta a história emocionante de Amanda e Dawson, dois adolescentes envolvidos na mágica experiência do primeiro amor.
Separados por classes sociais distintas, a paixão que sentem um pelo outro fá-los acreditar que aquele sentimento durará para sempre e terá força para superar todos os obstáculos. Vinte e cinco anos mais tarde, ambos são chamados à cidade natal, por altura da morte do único homem que os protegera. Amanda e Dawson tinham seguido caminhos diferentes. E se para ambos o amor de outrora se revela intacto, não podem evitar confrontar-se com dolorosas recordações e mais ainda com as escolhas que tinham feito perante as circunstâncias que o seu juvenil amor não pudera alterar. Que sentido dar agora a um amor que nunca poderia mudar o passado?

Opinião:
Claramente, esta é uma estória de amor. Mas não um amor qualquer: o amor entre Amanda e Dawson, uma relação na adolescência condenada ao fracasso, devido a diferenças sociais e pressões familiares. Após a sua separação, encontramos ambos no presente, com as respetivas vidas que optaram por seguir. Agora duas pessoas completamente diferentes, o seu reencontro é confuso e tumultuoso. É neste contexto que, através da escrita fluída e ternurenta de Sparks, que descobrimos um amor enterrado no passado mas que ainda prevalece perante os mais árduos obstáculos.
Dawson e Amanda são personagens reais, credíveis, com vivências profundas. Contudo, penso que faltou entre ambos alguma química, aquela faísca despoletada pela paixão, principalmente quando se reencontram.
Pelo contrário, adorei conhecer Tuck e a sua própria estória de amor. O autor cria uma mensagem líndissima com esta personagem, acerca da prevalência de um grande amor após a perda mais irreparável – a prova que o amor pode ser eterno.
Até à última página imaginei um final diferente para esta estória. O desenlace mostra ao leitor a importância de valorizar a vida e a família. No fim de tudo, e sem querer revelar demasiado, o título deste romance não poderia ser mais apropriado!
22:08 Publicada por Unknown 10

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"Quando menos esperamos..." de Sarah Dunn [Opinião Literária]

Título: Quando menos esperamos…
Autora: Sarah Dunn
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº473)

Sinopse:
Holly Frick é uma escritora nova-iorquina de trinta e cinco anos, inteligente e divertida, que se vê confrontada com a separação do marido, Alex, por quem ainda está apaixonada. No seu círculo de amigos todos parecem capazes de retirar algum prazer da situação de vida em que se encontram, e Holly decide fazer o mesmo. Compra um cão e envolve-se com um rapaz bastante mais novo. O quotidiano de Holly e dos seus amigos, as amizades, os casos amorosos e as aventuras sexuais, a busca incessante da felicidade e do amor formam um complexo padrão afectivo e emocional que é aqui retratado com profundidade, subtileza e muito humor.

Opinião:
Esta é uma leitura leve, despretensiosa, mas que considerei demasiado pobre em conteúdo para me cativar. Mostra-nos um conjunto de indivíduos, cada um com um complexo diferente, desde medo de compromissos, a infidelidades consecutivas, passando por neuroses, isolamento e vidas desperdiçadas. Ao fim de alguns capítulos, todo este disfuncionalismo acaba por ser repetitivo e maçador.
Apesar de perceber a intenção da autora em criar personagens realistas e caracterizar a sociedade atual norte-americana, penso que todas as personagens são demasiado egocêntricas, fúteis, insensíveis na maior parte dos casos. Mesmo a personagem principal é frustrante, cheia de moralismos quando ela própria não vive propriamente uma vida idílica. Isto só contribuiu para o meu desprendimento da estória, pois confesso que no final já não estava grandemente interessada no seu desfecho.
A escrita da autora é simples, direta, com bastante humor (o ponto forte deste livro). No fundo, é uma estória que não leva a grandes introspeções, com um final previsível e algo enfadonho.
00:08 Publicada por Unknown 0

domingo, 27 de janeiro de 2013

"Filhos do Abandono" de Torey Hayden [Opinião Literária]


Título: Filhos do Abandono
Autora: Torey Hayden
Editora: Editorial Presença

Coleção: Grandes Narrativas (nº394)
Sinopse:
Durante décadas Torey Hayden tem sido uma luz na escuridão para muitas crianças com distúrbios comportamentais graves. Além de terapeuta exímia e criativa, ela é uma mulher extraordinária pela generosidade e persistência com que se liga aos seus «casos». Especializada em «mutismo electivo», trabalha agora num hospital, na unidade de pedopsiquiatria. Neste livro, ela ocupa-se de Cassandra, uma menina que apenas com seis anos foi raptada pelo pai, só regressando a casa da mãe quase dois anos depois. O seu comportamento alterna entre períodos de silêncio e um comportamento errático e agressivo, levando a supor ter sido vítima de abusos graves. Drake, de quatro anos, é pelo contrário um rapazinho encantador, cativante e carismático. Parece adaptar-se bem a novos ambientes, mas incompreensivelmente não fala de todo, a não ser com a própria mãe. O seu autoritário avô, um brilhante homem de negócios exige que Torey se ocupe dele e o «conserte» rapidamente… E, embora nunca tenha trabalhado com adultos, Torey é ainda chamada a ocupar-se de uma idosa que, após um AVC, se refugiou num mutismo depressivo. Cada história desenrola-se um pouco como um caso policial – Hayden vai descobrindo o que se esconde por detrás do mistério daqueles silêncios a partir dos mais ínfimos e subtis indícios.

Opinião:
Torey Hayden retrata mais uma vez a sua experiência profissional no âmbito da psicologia. Porém, neste livro surgem três casos, duas crianças e uma idosa, cada qual com os seus motivos para permanecerem mudos, os quais Torey terá que desvendar.
Cassandra é uma menina que apenas conhece o pior lado da vida, vítima de um passado terrível. As descrições do sofrimento que sofreu durante a infância são brutais e levaram-me a cerrar os dentes com a fúria que despertam.
Por outro lado, Drake é o símbolo de como as expectativas demasiado altas e as regras rígidas podem levar uma criança tão pequena a sentir-se afogada perante tanta pressão por parte da sua família.
Por sua vez, Gerda, a senhora idosa, tem de lidar com o pior que a velhice pode acarretar: a solidão e a dependência física. Este é um alerta muito importante para o mundo atual. Com o aumento exponencial da esperança média de vida e o consequente aumento da população idosa, é necessário não esquecer todos os idosos que por vezes são isolados, maltratados e renegados pela sociedade.
Torey Hayden retrata três estórias tristes e profundamente comoventes, de abusos e violência, de vivências terríveis e situações bárbaras e repugnantes. A injustiça está patente ao longo deste livro mas mais uma vez Torey demonstra como o amor tem todo o poder para suplantar o lado mais negro da vida.
13:30 Publicada por Unknown 5

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

"A Queda dos Gigantes" de Ken Follett [Opinião Literária]


Título: A Queda dos Gigantes

Autor: Ken Follett

Editora: Editorial Presença

Coleção: Trilogia O Século (nº1) / Grandes Narrativas (nº479)

Sinopse:

Ken Follett, esse grande mestre do romance, publica uma nova obra de grande fôlego histórico, a trilogia O Século, que atravessará todo o conturbado século XX. Neste primeiro volume, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações serão as grandes protagonistas da trilogia. Mas não esgotam a vasta galeria de personagens, incluindo figuras reais como Winston Churchill, Lenine ou Trotsky, que irão cruzar-se uma complexa rede de relações, no quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino. Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.

Opinião:

O século XX foi uma época de grandes mudanças, acontecimentos que alteraram o rumo da História da Humanidade. E é isso que Ken Follett consegue retratar com perfeição nesta obra.

O autor oferece diferentes perspetivas deste século: cinco famílias (uma russa, uma inglesa, uma galesa, uma alemã e uma americana) cujas vidas são obviamente indissociáveis dos acontecimentos mais importantes de 1911 e 1924. Assim, o leitor perceciona estes eventos pela visão tanto da classe pobre e trabalhadora, como da classe rica e aristocrata. Passando pela queda dos Czares e a ascensão do comunismo na Rússia, pelo movimento sufragista feminino, pela queda do antigo regime até ao surgimento dos EUA como uma potência mundial, Ken Follett evidencia a sua obsessão pela fidelidade histórica.

Por conseguinte, não aconselho este livro a quem não aprecia História. Na verdade, a componente ficcional encontra-se por vezes demasiado diluída na tentativa de estabelecer um relato histórico perfeito. Ainda assim, é uma excelente obra no género do romance histórico que inicia uma trilogia bastante promissora.


18:37 Publicada por Unknown 1

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"A Menina Que Nunca Chorava" de Torey Hayden [Opinião Literária]


Título: A Menina Que Nunca Chorava
Autora: Torey Hayden
Editora: Editorial Presença

Coleção: Grandes Narrativas (nº364)

Sinopse:
Torey Hayden publicou "A Criança Que Não Queria Falar", em 1980, relatando o caso verídico e comovente da sua relação com uma menina de seis anos que aparecera, gravemente perturbada, na sua aula de ensino especial. Ao longo de vários meses, a jovem professora lutou para fazê-la desabrochar sob o calor generoso da sua espantosa intuição e amor e levá-la a descobrir um mundo que podia ser luminoso.
Separadas pelas contingências da vida, só voltam a encontrar-se anos mais tarde quando Sheila já tem 13 anos. Para surpresa de Torey, a adolescente parece ter perdido uma grande parte das memórias dos primeiros tempos que passaram juntas e, à medida que elas ressurgem do passado com os sentimentos que lhes estão associados, a sua competência de terapeuta e a sua devoção vão de novo ser duramente postas à prova.

Opinião:
No livro A Criança Que Não Queria Falar fui confrontada com uma estória verídica e profundamente comovente, capaz de me levar às lágrimas. Este livro traz-nos a continuação desta estória. No entanto, para Torey e Sheila não é bem uma continuação, mas sim uma repetição de todo o processo, uma vez que Sheila, agora com 13 anos, não se recorda da sua relação com a professora.
Mais uma vez, Torey narra uma estória muito forte psicologicamente sobre uma temática que infelizmente ainda perdura no mundo atual. Para quem leu o volume anterior, este pode parecer uma simples imitação, mas na verdade é uma nova viagem para Sheila e Torey, com uma dinâmica completamente diferente, devido à idade de Sheila.
Este livro apenas renova a minha fé na importância do amor e da perseverança quando lidamos com alguém quebrado pelas circunstâncias cruéis da vida.
10:50 Publicada por Unknown 0

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"A Criança Que Não Queria Falar" de Torey Hayden [Opinião Literária]


Título: A Criança Que Não Queria Falar
Autora: Torey Hayden
Editora: Editorial Presença

Coleção: Grandes Narrativas (nº343)
Sinopse:

Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história inspiradora, que nos mostra que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inacessível. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, onde ficam as crianças que não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria.

Opinião:
Esta é a estória verídica de uma criança que foi privada do seu direito à infância, ao amor, a um desenvolvimento saudável. É uma estória que deixará qualquer leitor revoltado perante as injustiças e crueldades perpetradas a uma inocente criança, que nada fez para o merecer. Acho que qualquer pessoa se emocionará a ler este livro, eu sem dúvida que não consegui controlar as lágrimas perante alguns dos atos profundamente cruéis cometidos.
Mais do que tudo, este livro tem uma mensagem subjacente muito poderosa: a perseverança e o amor condicional conseguem quebrar as barreiras mais poderosas. É uma obra que alerta para uma realidade ainda muito presente na sociedade atual: a violência e os abusos a crianças. Torey é uma grande professora, mas sobretudo um grande ser humano que conseguiu retribuir a Sheila um pouco do amor que lhe havia sido negado.
Em suma, este livro demonstra o lado mais negro da humanidade, a crueldade de que somos capazes, mas também a nossa capacidade de lutar contra estes atos. E principalmente, a importância dos laços que criamos uns com os outros e de quanto o amor é essencial para combater as injustiças da vida.

00:08 Publicada por Unknown 2

terça-feira, 20 de novembro de 2012

"Um Mundo Sem Fim" (Vol. I e II) de Ken Follett [Opinião Literária]


Título: Um Mundo Sem Fim (Volume I e Volume II)

Autor: Ken Follett

Editora: Editorial Presença

Coleção: Os Pilares da Terra (nº2) / Grandes Narrativas (nº408+410)

Sinopse:

Ken Follett regressa à cidade de Kingsbridge, mas desta vez cerca de dois séculos após os acontecimentos do primeiro livro. No dia 1 de Novembro de 1327, quatro crianças presenciam a morte de dois homens por um cavaleiro. O sucedido irá para sempre assombrar as suas vidas, mas Merthin, Ralph, Caris e Gwenda ficarão também marcados pelo próprio tempo em que vivem, e em particular pela maior tragédia que assolou a Europa no século XIV, a Peste Negra.

Opinião:

À continuação de Os Pilares da Terra é impossível não associar imediatamente expectativas muito altas. E, mais uma vez, Ken Follett não faz nada mais do que corresponder perfeitamente ao esperado: um romance histórico magistral, com personagens palpáveis cujas vidas se interligam num enredo brilhante. No fundo, é uma sequência na mesma linha da obra anterior.

Ken Follett continua a oferecer um conjunto de personagens absolutamente viciantes. Mas a que destaco é indubitavelmente Caris, que personifica uma abordagem precoce ao feminismo, numa época em que o papel da mulher na sociedade era praticamente nulo. Contudo, recusando-se a tomar um papel secundário na sua própria vida, Caris segue a sua vocação na medicina, área exclusivamente dominada pelos homens do clero. Esta é uma personagem com que o leitor facilmente se identifica, pela sua intenção de ajudar os outros e pelos cuidados humanizadores que pretende implementar. No fundo, Caris torna-se uma das poucas luzes durante a época de trevas pautada pela Peste Negra.

Mais uma vez, o autor retrata um amor que floresce perante as mais árduas dificuldades, mesmo num ambiente em que ambição e ânsia pelo poder dos homens do clero corrompem a prosperidade da população.

Esta é uma obra complexa, com tantas dimensões brilhantemente exploradas que se torna difícil encontrar mais adjetivos que reforcem a minha opinião sobre esta grande estória: apenas posso recomendar vivamente a sua leitura (e do volume anterior).


00:26 Publicada por Unknown 0