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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"O Pacto - O Crime de Ter Nascido" de Gemma Malley [Opinião Literária]


Título: O Pacto – O Crime de Ter Nascido
Autora: Gemma Malley
Editora: Editorial Presença
Coleção: The Declaration (nº1) / Noites Claras (nº1)

Sinopse:
Planeta Terra, ano 2140. A ciência oferece aos humanos a possibilidade de se tornarem imortais, mas, dada a escassez de recursos, a imortalidade só é garantida à custa da renúncia à descendência. O Pacto é o compromisso que sela tal decisão. Quebrá-lo é ir contra as leis da Natureza, e as consequências são aterradoras. Anna conhece-as demasiado bem. É uma Excedente, uma criança que não deveria ter nascido. Desde bebé que está em Grange Hall, a instituição que prepara todos os Excedentes para o terrível destino que os espera no mundo exterior. Mas um dia recebe a visita de Peter, um jovem Excedente que vem revolucionar para sempre a sua visão de si própria e do mundo…

Opinião:
Apesar de representar uma estória distópica dirigida a um público juvenil, este livro encerra um enredo bem delineado, capaz de entreter os mais jovens e fornecer aos adultos uma narrativa complexa, profunda e reflexiva. Através de uma premissa bastante atual: a assustadora visão de uma sociedade futura em que os problemas ambientais dominam a vida de todos, torna-se uma espécie de ensaio algo filosófico acerca do medo da morte e do que abdicaríamos pela imortalidade.
A narrativa inicia-se no ano de 2140, em Grange Hall, uma instituição que praticamente opera como campo de concentração para crianças nascidas fora do Pacto. Num mundo em que os recursos naturais estão prestes a esgotar, ter um filho constitui um crime gravíssimo, um ato egoísta na medida em que estes “Excedentes” nascem apenas para retirar o lugar no mundo que apenas se destina aos “Legítimos” – aqueles que tomam a medicação da Longevidade destinada a afastar a morte. Toda esta mentalidade é verdadeiramente repugnante. A isto junta-se o relato de Anna, uma Excedente em Grange Hall, que descreve as revoltantes injustiças e a falta de humanidade e dignidade que as paredes deste local encerram.
Anna é uma excelente protagonista, uma vez que podemos constatar a sua grande evolução à medida que a estória evolui. Inicialmente, graças à lavagem cerebral de que foi vítima, o seu único objetivo de vida é apenas se tornar “Útil” – basicamente um eufemismo para escravo dos “Legítimos” – de forma a mitigar a terrível afronta que cometeu – o seu nascimento! Contudo, quando surge Peter, um jovem misterioso e determinado, a estória rapidamente adquire outro fôlego, revelando uma conspiração intrincada e complexa. A relação entre Anna e Peter transparece alguns lugares comuns normalmente associados ao típico romance na literatura juvenil, o que a torna um pouco monótona.  
Para além de abordar o eterno dilema – Ciência vs. Natureza – e as suas possíveis consequências alarmantes na sociedade atual e futura, esta obra levanta questões pertinentes acerca da verdadeira essência do ser humano em situações de grande adversidade. Fica no ar a pergunta: Será legítimo escolher o aliciante poder da imortalidade em detrimento da possibilidade de ter descendência? Será a eternidade capaz de colmatar a ausência do riso de uma criança, da novidade e frescura da juventude?

23:47 Publicada por Unknown 0

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

"A Arte de Matar" de Jonathan Santlofer [Opinião Literária]


Título: A Arte de Matar
Autor: Jonathan Santlofer
Editora: Editorial Presença
Coleção: Minutos Contados (nº21) / Série Kate McKinnon (nº3)

Sinopse:
Há muito que Kate McKinnon trocou o seu trabalho como detective da Polícia de Nova Iorque pela sua paixão pela história da arte. Mas quando uma pintura que doara ao Museu Modernista aparece vandalizada e outros crimes relacionados, incluindo homicídio, se sucedem, Kate sabe que pode combinar a sua experiência e os seus conhecimentos de ambos os mundos para ajudar a descobrir quem é o responsável. As únicas pistas de que dispõe são os pequenos quadros a preto e branco contendo indícios sobre o próximo ataque que o assassino vai deixando atrás de si. Agora Kate terá de evocar todas as suas forças, toda a sua intuição e toda a sua argúcia para o deter antes que ela própria se transforme num alvo.

Opinião:
Este é um policial diferente, original, uma lufada de ar fresco. O autor combina o crime com a arte, a resolução de um mistério com a análise de grandes artistas. Santlofer dá grande destaque aos artistas da Escola de Nova Iorque, como Jackson Pollock, Franz Kline, Gorky, Philip Zander. Mesmo para quem não entende muito do mundo da arte, este livro é muito interessante e educativo.
O mistério que Kate tem que desvendar é intrincado e empolgante e o facto de o assassino enviar telas com pistas sobre as suas próximas vítimas deixa o leitor completamente ansioso por perceber qual o segredo por trás destes quadros.
Outro aspeto interessante e original neste livro são as ilustrações que o autor, um artista plástico, vai colocando ao longo das suas páginas, tornando a leitura desta estória muito mais dinâmica.
No fundo, considero esta uma leitura muito acessível e prazerosa, é um excelente policial para os amantes de um bom mistério e também de arte.
16:27 Publicada por Unknown 0

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"Morte no Bosque" de Harlan Coben [Opinião Literária]


Título: Morte no Bosque
Autor: Harlan Coben
Editora: Editorial Presença
Coleção: Minutos Contados (nº17)

Sinopse:
Para Paul Copeland, delegado do Ministério Público do condado de Essex, na Nova Jérsia, a vida nunca mais foi a mesma desde que uma noite, há vinte anos, quatro jovens por quem era responsável num acampamento de Verão desapareceram no bosque circundante. Dois foram encontrados sem vida na manhã seguinte, e os outros dois, a sua irmã Camille e Gil Perez, não voltaram a ser vistos. Os acontecimentos nunca esclarecidos dessa noite fatídica acabariam por condicionar toda a sua vida, mas a verdade poderá estar prestes a vir ao de cima. Quando o corpo de Gil Perez aparece, mas recentemente assassinado, Paul sente renascer a esperança de que a irmã possa estar viva e, impulsionado pela oportunidade de redenção, vai investigar a fundo o que aconteceu naquela noite. Simultaneamente, os seus inimigos na barra do tribunal parecem decididos a desenterrar os segredos do seu passado e, ao fazê-lo, vão contribuir para que o mistério se muito mais perverso do que Paul alguma vez imaginara...

Opinião:
Este é um mistério encerrado profundamente nas brumas do passado. Um enigma que tem atormentado Paul Copeland, uma personagem complexa e com quem o leitor cria empatia imediata. Aliás, a maioria das personagens apresentam uma grande complexidade, com passados obscuros e segredos bem escondidos.
Para além do mistério principal, este livro encerra nas suas páginas outras temáticas pertinentes como a ética, a espionagem, a corrupção… A componente jurídica também é bastante interessante, apesar de algumas cenas serem aborrecidas e não levarem a lado nenhum.
Contudo, a leitura deste livro torna-se empolgante, prendendo o leitor desde as primeiras páginas. A escrita de Harlan Coben é simples, concisa e sem floreados excessivos. Assim, a narrativa decorre de uma forma fluida, com um ritmo alucinante mais para o final.
É um policial que não precisa de cenas sangrentas para cativar o leitor, pois o autor consegue criar um mistério denso, intrincado e profundamente aliciante.
11:16 Publicada por Unknown 0

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

"O Último Fôlego" de George D. Shuman [Opinião Literária]


Título: O Último Fôlego
Autor: George D. Shuman
Editora: Editorial Presença
Coleção: Minutos Contados (nº14) / Série Sherry Moore (nº2)

Sinopse:
Sherry possui uma característica muito peculiar: ao tocar num corpo sem vida, esta mulher, cega desde muito pequena, consegue ver o que ficou registado na memória de uma pessoa durante os seus últimos 18 segundos. Quando os corpos de três mulheres brutalmente assassinadas são descobertos e nada no cenário as liga àqueles que haviam sido apontados como suspeitos do seu desaparecimento, torna-se incomodamente óbvio que o serial killer ainda anda à solta. Sem pistas, a polícia vê-se obrigada a pedir ajuda a Sherry. Porém, os perversos métodos do assassino dificultam o seu trabalho e, à medida que o tempo corre, o dom de Sherry poderá torná-la também um alvo.

Opinião:
Neste volume assistimos à descida de Sherry ao seu inferno pessoal. Após os acontecimentos trágicos do volume anterior, Sherry passa a enfrentar os seus demónios através do álcool e de abuso de medicamentos. Assim, o leitor é envolvido nos seus dramas psicológicos, por vezes demasiado frequentes, deixando pouco espaço para a resolução dos crimes.
Na verdade, o livro, comparativamente com o primeiro deixa um pouco a desejar. O autor passa demasiado tempo no passado, divaga muito e quando finalmente atinge as partes importantes, adquire um ritmo demasiado apressado e confuso.
Não é propriamente um mau livro, simplesmente desilude em relação às expectativas que o primeiro da série cria. No fundo, faltou o suspense a que nos tinha habituado mas espero que o próximo volume consiga recuperar o ritmo.
22:33 Publicada por Unknown 3

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

"Escrito nos Ossos" de Simon Beckett [Opinião Literária]


Título: Escrito nos Ossos
Autor: Simon Beckett
Editora: Editorial Presença

Coleção: Minutos Contados (nº11) / Série David Hunter (nº2)

Sinopse:
David Hunter, o antropólogo forense que protagonizou A Química da Morte, tem à sua frente um novo e inquietante desafio de contornos bizarros. Na remota ilha escocesa de Runa, foi descoberto um corpo quase totalmente carbonizado, embora o local onde o mesmo se encontra não apresente sinais de incêndio. Habituado a decifrar os segredos que os mortos guardam, David Hunter não acredita que se trate de um acidente ou, como a polícia local parece inclinada a concluir, um mítico caso de combustão espontânea humana. À medida que as evidências de um crime começam a sobressair da sua investigação, torna-se claro que a pacífica existência da comunidade de Runa vai em breve ser fortemente abalada – e que no lúgubre isolamento em que todos vivem e que se agravará com a chegada de uma violenta tempestade, um assassino convive com eles, à espera da próxima oportunidade.

Opinião:
A continuação desta série não desilude: mais uma vez Simon Beckett oferece ao leitor um thriller impressionante, muito bem desenvolvido e absolutamente empolgante. Mesmo para quem não leu o volume anterior, será fácil apreciar este livro, uma vez que não é um seguimento direto de A Química da Morte.
Mais uma vez, sendo a personagem principal um antropólogo forense, os aspetos científicos e forenses dos crimes são muito bem explorados, sendo algumas descrições um pouco gráficas e perturbantes.  
David Hunter continua uma personagem carismática, cujo quotidiano é descrito com grande frequência. Uma vez que a estória é narrada na primeira pessoa, o leitor visualiza as cenas na perspetiva desta personagem, potenciando a sua ligação com quem as lê. As restantes personagens envolvidas na trama poderiam ter sido melhor desenvolvidas mas compreendo que seja necessário manter a aura de mistério para deixar o leitor ansioso pelo desenrolar da ação.
Quanto a esta, é frequente e bastante intensa. Os capítulos são curtos, os diálogos enigmáticos e a escrita fluida, o que origina uma leitura vertiginosa e intensa. O próprio desfecho é completamente inesperado, deixou-me atónita! O final é um pouco abrupto e o destino da personagem principal fica em suspenso… Mal posso esperar pelo volume seguinte!
00:15 Publicada por Unknown 2

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

"A Queda dos Gigantes" de Ken Follett [Opinião Literária]


Título: A Queda dos Gigantes

Autor: Ken Follett

Editora: Editorial Presença

Coleção: Trilogia O Século (nº1) / Grandes Narrativas (nº479)

Sinopse:

Ken Follett, esse grande mestre do romance, publica uma nova obra de grande fôlego histórico, a trilogia O Século, que atravessará todo o conturbado século XX. Neste primeiro volume, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações serão as grandes protagonistas da trilogia. Mas não esgotam a vasta galeria de personagens, incluindo figuras reais como Winston Churchill, Lenine ou Trotsky, que irão cruzar-se uma complexa rede de relações, no quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino. Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.

Opinião:

O século XX foi uma época de grandes mudanças, acontecimentos que alteraram o rumo da História da Humanidade. E é isso que Ken Follett consegue retratar com perfeição nesta obra.

O autor oferece diferentes perspetivas deste século: cinco famílias (uma russa, uma inglesa, uma galesa, uma alemã e uma americana) cujas vidas são obviamente indissociáveis dos acontecimentos mais importantes de 1911 e 1924. Assim, o leitor perceciona estes eventos pela visão tanto da classe pobre e trabalhadora, como da classe rica e aristocrata. Passando pela queda dos Czares e a ascensão do comunismo na Rússia, pelo movimento sufragista feminino, pela queda do antigo regime até ao surgimento dos EUA como uma potência mundial, Ken Follett evidencia a sua obsessão pela fidelidade histórica.

Por conseguinte, não aconselho este livro a quem não aprecia História. Na verdade, a componente ficcional encontra-se por vezes demasiado diluída na tentativa de estabelecer um relato histórico perfeito. Ainda assim, é uma excelente obra no género do romance histórico que inicia uma trilogia bastante promissora.


18:37 Publicada por Unknown 1

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"A Menina Que Nunca Chorava" de Torey Hayden [Opinião Literária]


Título: A Menina Que Nunca Chorava
Autora: Torey Hayden
Editora: Editorial Presença

Coleção: Grandes Narrativas (nº364)

Sinopse:
Torey Hayden publicou "A Criança Que Não Queria Falar", em 1980, relatando o caso verídico e comovente da sua relação com uma menina de seis anos que aparecera, gravemente perturbada, na sua aula de ensino especial. Ao longo de vários meses, a jovem professora lutou para fazê-la desabrochar sob o calor generoso da sua espantosa intuição e amor e levá-la a descobrir um mundo que podia ser luminoso.
Separadas pelas contingências da vida, só voltam a encontrar-se anos mais tarde quando Sheila já tem 13 anos. Para surpresa de Torey, a adolescente parece ter perdido uma grande parte das memórias dos primeiros tempos que passaram juntas e, à medida que elas ressurgem do passado com os sentimentos que lhes estão associados, a sua competência de terapeuta e a sua devoção vão de novo ser duramente postas à prova.

Opinião:
No livro A Criança Que Não Queria Falar fui confrontada com uma estória verídica e profundamente comovente, capaz de me levar às lágrimas. Este livro traz-nos a continuação desta estória. No entanto, para Torey e Sheila não é bem uma continuação, mas sim uma repetição de todo o processo, uma vez que Sheila, agora com 13 anos, não se recorda da sua relação com a professora.
Mais uma vez, Torey narra uma estória muito forte psicologicamente sobre uma temática que infelizmente ainda perdura no mundo atual. Para quem leu o volume anterior, este pode parecer uma simples imitação, mas na verdade é uma nova viagem para Sheila e Torey, com uma dinâmica completamente diferente, devido à idade de Sheila.
Este livro apenas renova a minha fé na importância do amor e da perseverança quando lidamos com alguém quebrado pelas circunstâncias cruéis da vida.
10:50 Publicada por Unknown 0

domingo, 16 de dezembro de 2012

"As Raparigas do Rosário" de Richard Montanari [Opinião Literária]


Título: As Raparigas do Rosário
Autor: Richard Montanari
Editora: Editorial Presença
Coleção: Minutos Contados (nº9) / Série Jessica Balzano & Kevin Byrne (nº1)

Sinopse:
Na cidade de Filadélfia não há memória de uma série de crimes tão violentos e brutais como os que os detetives Kevin Byrne e Jessica Balzano têm em mãos. O alvo são raparigas de colégios católicos, que aparecem mortas em circunstâncias simbólicas evidenciado sinais de tortura e mutilação. O assassino tem um percurso ritual metodicamente preparado para a dupla de detetives, e é imperativo detê-lo antes que ele complete o ciclo. Mas aproxima-se o dia da Ressurreição e, quando ambos percebem quem é a próxima na lista e porquê, pode já ser demasiado tarde.

Opinião:
Este livro preenche todos os critérios para uma boa estória criminal: crimes mórbidos perpetrados em vítimas com quem desenvolvemos empatia facilmente, uma dupla de detetives fantástica, uma estória bem estruturada e um serial killer inteligentemente hediondo.
Este é um policial intrigante, um thriller emocionante, que cativa até à última página. O próprio desenlace é de cortar a respiração: intenso, cada pormenor revelado no timing perfeito! Todos os detalhes são explicados e agrada-me dizer que não esperava pela revelação final da identidade do homicida, jamais associaria esta personagem a esse papel mas, após as últimas explicações, tudo se torna claro.
Sem dúvida uma leitura que recomendo aos amantes de policiais! Mais uma vez um título incrível que pertence a uma das minhas coleções favoritas, uma excelente aposta da Editorial Presença!
00:33 Publicada por Unknown 0

domingo, 9 de dezembro de 2012

"A Regra dos 2 Minutos" de Robert Crais [Opinião Literária]

  
 

Título: A Regra dos 2 Minutos
Autor: Robert Crais
Editora: Editorial Presença
Coleção: Minutos Contados (nº4)

Sinopse:
Max Holman, após ter cumprido uma sentença de dez anos, descobre ao sair da prisão que o seu filho único, um polícia de Los Angeles, tinha sido abatido a tiro no dia anterior. O arrependimento define este homem que tudo faz para se redimir do passado. Agora resta-lhe fazer tudo o que estiver ao seu alcance para desagravar a morte do filho e apanhar o assassino.

Opinião:
Comparativamente com as restantes obras veiculadas pela Editorial Presença na coleção Minutos Contados, este livro traduz-se numa desilusão.
Sim, é um thriller emocionante. Sim, tem uma estória capaz de agarrar o leitor e deixá-lo preso ao assento até ao desenlace final. Sim, tem todos os componentes para um grande policial… exceto uma personagem principal cativante. É neste aspeto que o livro peca. Max Holman deveria ser uma alma atormentada com a qual o leitor se identifica e pela qual torce por um final feliz. A mim, pareceu-me uma personagem vazia e sem grande interesse.
Apesar de querer saber como a estória se desenrolaria (e por isso dou algum crédito ao autor), a personagem de Holman não me encantou. Honestamente, fiquei totalmente indiferente à sua demanda, o final poderia ter sido positivo ou negativo que reagiria da mesma forma: com um encolher de ombros.  

19:35 Publicada por Unknown 0

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"A Criança Que Não Queria Falar" de Torey Hayden [Opinião Literária]


Título: A Criança Que Não Queria Falar
Autora: Torey Hayden
Editora: Editorial Presença

Coleção: Grandes Narrativas (nº343)
Sinopse:

Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história inspiradora, que nos mostra que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inacessível. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, onde ficam as crianças que não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria.

Opinião:
Esta é a estória verídica de uma criança que foi privada do seu direito à infância, ao amor, a um desenvolvimento saudável. É uma estória que deixará qualquer leitor revoltado perante as injustiças e crueldades perpetradas a uma inocente criança, que nada fez para o merecer. Acho que qualquer pessoa se emocionará a ler este livro, eu sem dúvida que não consegui controlar as lágrimas perante alguns dos atos profundamente cruéis cometidos.
Mais do que tudo, este livro tem uma mensagem subjacente muito poderosa: a perseverança e o amor condicional conseguem quebrar as barreiras mais poderosas. É uma obra que alerta para uma realidade ainda muito presente na sociedade atual: a violência e os abusos a crianças. Torey é uma grande professora, mas sobretudo um grande ser humano que conseguiu retribuir a Sheila um pouco do amor que lhe havia sido negado.
Em suma, este livro demonstra o lado mais negro da humanidade, a crueldade de que somos capazes, mas também a nossa capacidade de lutar contra estes atos. E principalmente, a importância dos laços que criamos uns com os outros e de quanto o amor é essencial para combater as injustiças da vida.

00:08 Publicada por Unknown 2

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"A Ameaça" de Ken Follett [Opinião Literária]


Título: A Ameaça

Autor: Ken Follett

Editora: Editorial Presença

Coleção: Minutos Contados (nº3)

Sinopse:

Em A Ameaça, somos fustigados pelos ventos gélidos do Norte da Escócia em plena véspera de Natal, e pelos inquietantes golpes narrativos de um enredo tempestuoso e surpreendente. Um poderoso agente antiviral desaparece misteriosamente das instalações da Oxenford Medical, uma empresa farmacêutica que está a desenvolver um antivírus para uma das mais perigosas variedades do Ébola. Quem o poderá ter roubado? E com que obscuras intenções? Toni Gallo, responsável pela segurança da empresa, está profundamente consciente do valor incalculável daquela fórmula secreta… e da terrível ameaça que o seu desaparecimento pode significar. Tem então início uma vertiginosa corrida contra o tempo, mas o que Toni, Stanley Oxenford, o director da empresa, e a própria polícia vão encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios…

Opinião:

Mesmo fora do género histórico, Ken Follett não desilude: com um enredo altamente emocionante, narra o assalto a um laboratório e o roubo de um vírus mortal. Este é um livro sobre conspirações, terrorismo, ética e a utilização de animais em experiências científicas.

De igual modo, o autor consegue aliar eficazmente todo este suspense com uma pitada de romance. As próprias personagens formam um conjunto surpreendente: indivíduos corajosos, cheios de garra, com personalidades fortes mas vulneráveis, humildes, sem atitudes desmesuradas de super-herói. Ao mesmo tempo que decorrem reviravoltas completamente imprevistas, descobrimos segredos e observamos dinâmicas familiares envolventes.

A narrativa decorre em dois dias e cada capítulo corresponde a uma hora do dia, num ritmo quase contra-relógio. Durante a estória o leitor acompanha as diversas perspetivas, tanto durante o roubo como no contexto familiar das personagens. Devido ao seu ritmo alucinante, este é um livro impossível de fechar até ao desfecho final.

Ken Follett possui uma capacidade inegável na criação de argumentos inteligentes, ambientes repletos de suspense e personagens cativantes. Como tal, o resultado final só poderia ser um excelente livro como este.


00:51 Publicada por Unknown 0

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

"18 Segundos" de George D. Shuman [Opinião Literária]


Título: 18 Segundos

Autor: George D. Shuman

Editora: Editorial Presença

Coleção: Minutos Contados (nº2) / Série Sherry Moore (nº1)

Sinopse:

Esta primeira obra de um autor que trabalhou como polícia durante vinte anos é um livro que surpreende, arquitectado com um realismo convincente. Sherry Moore é invulgarmente bela, cega, vulnerável e compassiva. A sua mente tem uma característica única, a de poder «ver» o que ficou gravado nos últimos 18 segundos de memória que antecedem a morte de uma pessoa. Embora não seja confundido com qualquer forma de actividade paranormal, esse dom leva-a a ser procurada por detectives e forças da lei a quem ajuda a resolver casos criminais. Quando a tenente O’Shaughnessy começa a investigar casos de desaparecimento de jovens mulheres em Wildwood, na Nova Jérsia, as duas mulheres juntam forças para capturar um tenebroso serial killer que acabara de cumprir trinta anos de prisão, não pelos crimes cometidos, mas por um desastre de viação do qual fora considerado responsável. No entanto Earl Sykes não é fácil de apanhar, e tanto Sherry Moore como Kelly O’Shaughnessy acabam por encontrar-se em poder do assassino...

Opinião:

Mais do que um simples thriller sobre um serial killer difícil de apanhar, esta é uma obra com um lado esotérico muito interessante. É uma alternativa inovadora, fresca e estimulante à típica estória criminal.

Contudo, não é a capacidade paranormal de Sherry que a torna uma personagem tão especial, nem sequer o facto de ser cega. É a sua personalidade e a força que possui mesmo perante os obstáculos mais árduos que a vida lhe trouxe.

Os fãs da literatura criminal mais puristas poderão estar reticentes perante esta adição de algo fantástico na estória mas garanto que o seu foco rapidamente retorna à resolução do crime, mesmo que seja por meios menos convencionais. Na verdade, quando a ação atinge o seu auge este livro torna-se impossível de pôr de lado. Em suma, é uma leitura estimulante e uma excelente forma de entretenimento.  


00:29 Publicada por Unknown 0

terça-feira, 20 de novembro de 2012

"Um Mundo Sem Fim" (Vol. I e II) de Ken Follett [Opinião Literária]


Título: Um Mundo Sem Fim (Volume I e Volume II)

Autor: Ken Follett

Editora: Editorial Presença

Coleção: Os Pilares da Terra (nº2) / Grandes Narrativas (nº408+410)

Sinopse:

Ken Follett regressa à cidade de Kingsbridge, mas desta vez cerca de dois séculos após os acontecimentos do primeiro livro. No dia 1 de Novembro de 1327, quatro crianças presenciam a morte de dois homens por um cavaleiro. O sucedido irá para sempre assombrar as suas vidas, mas Merthin, Ralph, Caris e Gwenda ficarão também marcados pelo próprio tempo em que vivem, e em particular pela maior tragédia que assolou a Europa no século XIV, a Peste Negra.

Opinião:

À continuação de Os Pilares da Terra é impossível não associar imediatamente expectativas muito altas. E, mais uma vez, Ken Follett não faz nada mais do que corresponder perfeitamente ao esperado: um romance histórico magistral, com personagens palpáveis cujas vidas se interligam num enredo brilhante. No fundo, é uma sequência na mesma linha da obra anterior.

Ken Follett continua a oferecer um conjunto de personagens absolutamente viciantes. Mas a que destaco é indubitavelmente Caris, que personifica uma abordagem precoce ao feminismo, numa época em que o papel da mulher na sociedade era praticamente nulo. Contudo, recusando-se a tomar um papel secundário na sua própria vida, Caris segue a sua vocação na medicina, área exclusivamente dominada pelos homens do clero. Esta é uma personagem com que o leitor facilmente se identifica, pela sua intenção de ajudar os outros e pelos cuidados humanizadores que pretende implementar. No fundo, Caris torna-se uma das poucas luzes durante a época de trevas pautada pela Peste Negra.

Mais uma vez, o autor retrata um amor que floresce perante as mais árduas dificuldades, mesmo num ambiente em que ambição e ânsia pelo poder dos homens do clero corrompem a prosperidade da população.

Esta é uma obra complexa, com tantas dimensões brilhantemente exploradas que se torna difícil encontrar mais adjetivos que reforcem a minha opinião sobre esta grande estória: apenas posso recomendar vivamente a sua leitura (e do volume anterior).


00:26 Publicada por Unknown 0