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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

"O Jogo Final" de Orson Scott Card [Opinião Literária]




Título: O Jogo Final
Autor: Orson Scott Card
Editora: Editorial Presença
Coleção: Ender (nº1)




00:08 Publicada por Unknown 0

sábado, 7 de dezembro de 2013

"Os Reinos do Norte" de Philip Pullman [Opinião Literária]




Título: Os Reinos do Norte
Autor: Philip Pullman
Editora: Editorial Presença
Coleção: Mundos Paralelos (nº1)



18:06 Publicada por Unknown 6

domingo, 7 de julho de 2013

"Corações em Silêncio" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: Corações em Silêncio
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº119)

Sinopse:
Confrontado com situações de extremo perigo, Taylor McAden, bombeiro voluntário, expõe-se até ao limiar do perigo. Denise é uma jovem mãe solteira, cujo filho de cinco anos sofre de um inexplicável atraso de desenvolvimento e a quem ela devota a sua vida numa tentativa de o ajudar. Mas o caso vai aproximar estes seres. Numa noite de tremendo temporal, Denise sofre um acidente de automóvel e é Taylor quem vem socorrê-la. Embora muito ferida, a jovem depressa toma consciência de que o filho já não se encontra na sua cadeirinha do banco traseiro. Taylor irá até ao fim de uma angustiante noite de buscas para o encontrar. Foram tecidas as primeiras malhas que os irão unir, e o pequeno Kyle desabrocha ao calor da ternura daquele homem. Denise abandona-se à alegria de um amor nascente. Mas Taylor tem em si cicatrizes antigas, que o não deixam manter compromissos de longa duração. Nicholas Sparks, esse talentoso contador de histórias, intervém com a sua magia redentora e a sua inigualável capacidade de aprofundar a complexidade das relações e dos afectos.

Opinião:
Nicholas Sparks, mestre do romance e de estórias emotivas, cria nesta obra um relato ternurento mas bastante real que explora os traumas de infância e problemas na área do desenvolvimento infantil. Sempre sensível, realista e perspicaz, o autor combina os ingredientes perfeitos para uma boa leitura: um romance enternecedor, momentos de ação e suspense, e personagens fabulosas cujos destinos não deixarão nenhum leitor indiferente.
Denise é uma protagonista eficaz, com quem facilmente criei uma empatia imediata, pois é uma mulher forte, determinada, que apesar de todas as adversidades que a vida lhe trouxe, continua a dedicar a sua vida, toda a sua força interior, em prol do filho. Kyle é um menino encantador, cujas dificuldades comunicativas tornam-se no foco do quotidiano de Denise. É impossível ficar indiferente ao desespero desta mãe, sem saber concretamente a causa desta perturbação no desenvolvimento do filho, recebendo a cada dia que passa diferentes diagnósticos possíveis mas nenhum prevalecendo como explicação final. Esta componente da obra foi extremamente enriquecedora, apreciei bastante a abordagem do quotidiano de uma criança com distúrbios de aprendizagem.
Por sua vez, Taylor é o verdadeiro mistério desta estória. O seu desapego e relutância em ser feliz são características exasperantes mas rapidamente nos apercebemos que estão enraizadas num trauma de infância que marcou a sua vida para sempre. A relação entre Taylor e Denise é muito realista e o seu eventual declínio é retratado de uma forma credível, considerando todas as cicatrizes do passado que ambos recusam admitir.
Nicholas Sparks não é propriamente adepto de finais felizes, pelo menos não completamente, por isso já esperava algum tipo de tragédia no final. Contudo, fiquei surpreendida com a mesma e bastante emocionada. Pois esta é a magia deste autor: consegue sempre tocar naquela corda emocional no nosso âmago, tornando-se impossível não nos sensibilizarmos com as suas estórias. Uma leitura absorvente sobre o poder regenerador dos afetos.
21:29 Publicada por Unknown 5

domingo, 30 de junho de 2013

"O Monte dos Vendavais" de Emily Brontë [Opinião Literária]

Título: O Monte dos Vendavais
Autora: Emily Brontë
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
O Monte dos Vendavais é uma das grandes obras-primas da literatura inglesa. Único romance escrito por Emily Brontë, é a narrativa poderosa e tragicamente bela da paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw, de um amor tempestuoso e quase demoníaco que acabará por afectar as vidas de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adoptado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, Heathcliff é ostracizado por Hindley, o filho legítimo, e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona assim o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança. Magistral na construção da trama narrativa, na singularidade e força das personagens, na grandeza poética da sua visão, nodoso e agreste como a raiz da urze que cobre as charnecas de Yorkshire, O Monte dos Vendavais reveste-se da intemporalidade inerente à grande literatura.

Opinião:
Este é um romance negro, um clássico da literatura que explora as emoções mais negras da condição humana.
As personagens não poderiam ser mais controversas, a começar pelos protagonistas Catherine e Heathcliff. A primeira é uma mulher profundamente egoísta, com atitudes vis e maldosas. Por sua vez, Heathcliff é violento, assustador, um homem arrogante que não conhece o conceito de compaixão ou remorsos. Apesar de claramente não terem sido construídas para agradar ao leitor, estas personagens – e mesmo as secundárias – são fascinantes precisamente pelos seus defeitos. O romance platónico entre ambos desenvolve-se num ambiente tempestuoso, repleto de ódio, rejeição e maldade. Por conseguinte, é impossível considerar esta uma estória de amor! Todo o livro aborda uma reflexão sobre o ódio puro, a vingança, a perversidade da alma humana.
De igual modo, a autora retrata fielmente a época vitoriana, embora assumindo alguns ideais incomuns para altura. É compreensível, portanto, toda a polémica e escândalo gerados pelo público dessa época.
Esta é uma obra invulgar, algo mórbida, que poderá deixar o leitor mais sensível desconfortável perante o seu negativismo. Será difícil encontrar estória mais trágica, quase roçando o melodramático, cujo ambiente fantasmagórico proporcionará ao leitor uma viagem inesquecível aos confins mais obscuros da natureza humana.
21:19 Publicada por Unknown 10

quinta-feira, 27 de junho de 2013

"À Primeira Vista" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: À Primeira Vista
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº311)

Sinopse:
Até que ponto nos conhecemos a nós próprios e àqueles que amamos? Jeremy Marsh nunca teria imaginado que alguma vez viesse a deixar Nova Iorque, a sua família e os seus amigos para mudar-se para Boone Creek, uma pequena vila do Sul dos Estados Unidos com a qual estará familiarizado se leu o último romance de Nicholas Sparks, Quem Ama Acredita. Mas se Jeremy aprendeu algo durante o curto espaço de tempo passado nesta localidade é que há coisas para as quais não é possível encontrar explicação. Como estar a alguns meses de se tornar pai, quando a própria ciência inviabilizava esta opção. Ou como estar a ainda menos a meses de casar com Lexie, apesar de a ter conhecido há tão pouco tempo. Para estas duas pessoas que ainda lutam para se adaptarem uma à outra, tamanhas mudanças vão constituir uma fonte de crescentes tensões, capazes de pôr à prova os sentimentos que ambos nutrem pelo outro. Quando simultaneamente Jeremy recebe uns misteriosos e-mails que sugerem que ele não conhece Lexie tão bem como deveria e que ela lhe anda a ocultar aspectos da sua vida, sente-se vacilar. Será ela aquilo que parece à primeira vista? Mas o verdadeiro desafio à fé no amor de ambos ainda está para vir... Um livro de grande impacto emocional sobre confiança, novos começos e um amor infinito que constantemente redefine o nosso modo de encarar a vida e de ultrapassar os obstáculos que esta nos reserva.

Opinião:
Após um primeiro volume algo dececionante, regressamos a Boone Creek para acompanhar a jornada de Jeremy e Lexie pelos meandros do casamento e da parentalidade. Um relato realista sobre as dificuldades de acreditar e confiar cegamente noutra pessoa, enquanto constroem os seus sonhos e se adaptam à noção de serem pais pela primeira vez.
O enredo, apesar de mais passivo que o anterior, é bem mais interessante. Mesmo sem as investigações sobre fantasmas, luzes misteriosas ou algo paranormal, a narrativa foi bastante apelativa, na medida em que o autor apostou, adequadamente, na densidade psicológica de um par de recém-casados durante um período de gravidez.
A evolução é notória nos protagonistas e o autor aprofunda bem esta relação de recém-casados, com todos os conflitos inerentes: a adaptação a diferentes hábitos, a conjugação de dois estilos de vida, as inseguranças durante todo este percurso…
Relativamente à gravidez, esta foi sem dúvida a componente mais emocional. Na minha opinião, o autor capturou de forma perfeita as dificuldades dos futuros pais nesta nova etapa, com uma particularidade: existe a possibilidade de que a filha que Lexie e Jeremy tanto almejam nasça portadora de uma deficiência, tudo em virtude de algo que não podem controlar. Quando pensamos num futuro com filhos, jamais consideramos a possibilidade de estes virem a sofrer, de não serem “perfeitos”, de serem vítimas de algo impossível de controlar ou prever… É esta a sombra que paira permanentemente no pensamento destas personagens e apenas podemos observar enquanto este pesadelo para qualquer pai se desenrola.
O desenlace final é, como já esperava, bastante trágico, mas talvez não da forma como seria mais expectável. Apreciei bastante todo o realismo por detrás das situações descritas, sem melodramas excessivos. Em geral, considero esta leitura uma evolução muito favorável relativamente ao volume anterior, sem sombra de dúvida!
22:55 Publicada por Unknown 8

quinta-feira, 13 de junho de 2013

"Quem Ama Acredita" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: Quem Ama Acredita
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº287)

Sinopse:
Jeremy Marsh vive em Nova Iorque, é um jornalista científico que trabalha para a Scientific American. O seu talento especial para desmistificar fenómenos paranormais fraudulentos faz dele uma personalidade pública e conceituada. O cepticismo é, naturalmente, uma das suas características. Agora, aí vai ele a caminho da Carolina do Norte, aonde alguém o chamou, da pequena localidade de Boone Creek, para esclarecer um fenómeno de luzes misteriosas que à noite têm sido vistas sobre um velho cemitério meio arruinado. Jeremy está convencido que lhe bastará apenas uma semana para desvendar o caso. Porém não espera que irá encantar-se com aquela pequena comunidade que o recebe calorosamente nem sobretudo com uma bela e enigmática bibliotecária. Ela disponibiliza-lhe gentilmente um gabinete onde ele pode pesquisar documentos antigos. A aproximação é inevitável, mas ambos sofreram amargas desilusões no passado. Jeremy, que passou por um divórcio, e Lexie, que se envolveu em dois casos amorosos que a deixaram profundamente magoada, vão ter de se confrontar com escolhas arriscadas se quiserem ficar juntos. Lexie está fortemente enraizada na sua comunidade e, além disso, não quer abandonar Doris, a avó que a criou e por quem nutre um imenso carinho. Estará Jeremy disposto a deixar Nova Iorque para ficar com a sua amada? Será ele ainda capaz de acreditar num grande amor?

Opinião:
Nicholas Sparks aposta mais uma vez no seu género de eleição: o romance. No entanto, cai no erro de apostar na sua fórmula habitual, levando-a à exaustão. A narrativa é demasiado previsível, sem o habitual cunho pessoal que o autor introduz nas suas estórias.
As próprias personagens são algo ocas e unidimensionais. Os protagonistas sofreram desilusões e amarguras no passado, mas rapidamente se atiram de cabeça para uma relação que tem tudo para correr mal para ambos. Mais ainda, o autor opta pelo típico final feliz, o que apenas reforçou a minha ideia de que esta estória não traz nada de especial.
A explicação final sobre a origem do fenómeno supostamente sobrenatural que fascina toda esta vila – o grande mistério da obra – é mediana e sem grande interesse, deixando-me francamente desiludida.
Em contrapartida, gostei do retrato de uma comunidade unida, com fortes raízes no passado, constituída por indivíduos caricatos. Na verdade, gostaria que as personagens secundárias que compõem esta vila, como Doris, Rodney e Rachel, tivessem sido mais exploradas.
No fundo, é uma leitura confortável, mas careceu a componente emotiva que me teria feito apaixonar pela estória, pelas personagens, pelo ambiente. Aliás, esteve longe de me conseguir arrebatar e surpreender verdadeiramente. Não é certamente um bom exemplo da qualidade normalmente associada a este autor. 
23:11 Publicada por Unknown 18

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"O Inverno do Mundo" de Ken Follett [Opinião Literária]

Título: O Inverno do Mundo
Autor: Ken Follett
Editora: Editorial Presença
Coleção: Trilogia O Século (nº2) / Grandes Narrativas (nº533)

Sinopse:
Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, que subjugou milhares de leitores, este segundo volume vem dar continuação à viagem através do século XX e, simultaneamente, à saga de cinco famílias – de nacionalidades americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – que polarizam a narrativa. Reencontramo-las agora no ponto em que as deixámos, ainda que seja uma segunda geração que assumirá progressivamente o protagonismo dos acontecimentos. Bem demarcadas, as personagens vão evoluindo segundo as suas crenças, ambições e aspirações, nem sempre do mesmo lado da barricada após o dramático início da Segunda Guerra Mundial. Ken Follett, incomparável contador de histórias, vai compondo o quadro global de uma forma não linear, recorrendo a situações esparsas, recriando múltiplos ambientes, acontecimentos do dia a dia, segundo a perspetiva dos diferentes atores – aristocratas, políticos, diplomatas, simples trabalhadores, militares –, configurando a totalidade do quadro como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente. No final temos a sensação de ter estado lá, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a guerra feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria.

Opinião:
É com esta obra que comprovo, mais uma vez, a mestria de Ken Follett em criar uma estória envolvente, com personagens complexas, romances apaixonantes, intrigas e ação, interligando fatos verídicos com momentos repletos de ficção. Neste segundo volume, a narrativa incide sobre os descendentes das personagens do primeiro volume, o que me deixou algo apreensiva. Honestamente, pensava que seria difícil recordar todos os nomes e relações, associando esta nova geração de personagens às cinco famílias principais, mas o autor teve o cuidado de pontuar o enredo com pequenos excertos de informação que facilitaram a minha memória e compreensão.
Abordando uma temática que sempre capturou o meu interesse – a Segunda Guerra Mundial –, o autor elabora uma notável investigação histórica, relatando os acontecimentos que lhe deram origem, as suas consequências nefastas para todo o mundo e o desfecho que alterou o rumo da história da humanidade. A conjuntura geopolítica deste período encontra-se eximiamente delineada, representando cronologicamente os acontecimentos mais importantes e diversificando o espaço físico retratado, tornando a leitura mais dinâmica e o retrato da época mais amplo e fidedigno. O leitor é levado numa viagem fascinante pelo século XX, atravessando a Inglaterra, os EUA, a Rússia e mesmo a Espanha, adquirindo, pelo caminho, toda a informação sobre a Segunda Guerra Mundial, sobre os interesses políticos e financeiros por todo o mundo.
A política é, pois, um fator indissociável desta obra, o que não constituiu um entrave à leitura, na medida em que o autor explica de uma forma bastante acessível as contendas entre a democracia, o comunismo e o fascismo. De igual modo, para quem aprecia relatos de espionagem estará bem servido com este livro: Ken Follett explora o papel determinante que a espionagem e contra-espionagem tiveram no desenlace destes eventos.
Porém, acima de tudo, este é um relato sobre pessoas, sobre o impacto que o Holocausto teve na população mundial, mas principalmente sobre os atentados à dignidade humana cometidos em prol de ideais repugnantes. O autor serve-se das suas personagens para proporcionar uma perspetiva direta do sofrimento de um país em guerra: a pobreza, a falta de recursos básicos, a violência, o terror constante, a morte que espreita inevitavelmente… É fascinante observar a forma como as personagens evoluem ao longo da narrativa, como o seu carácter é moldado pela necessidade de sobreviver ou simplesmente pelas atrocidades que foram forçados a testemunhar. Assim, verificamos concretamente as consequências que não apenas esta, mas qualquer guerra inflige ao indivíduo.
No entanto, gostaria de ter podido aceder à perspetiva japonesa, uma das mais cruciais em toda esta estória, mas que nunca é apresentada diretamente. Sem personagens japonesas que descrevessem o seu lado da guerra, principalmente o impacto da detonação das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasáqui, que inauguraram a era atómica, a mensagem apresentada pelo autor pareceu-me algo tendenciosa. Quase como se fosse algo irrelevante, utilizando o argumento que todas essas mortes pouparam vidas de cidadãos americanos. Confesso que fiquei algo desiludida com uma visão tão limitada.
Por fim, é fulcral salientar que esta obra não é um mero relato político e bélico da época, mas sim um retrato social profundo, explorando a capacidade de resiliência do ser humano perante condições inimagináveis. Este é, pois, um retrato envolvente de uma época sangrenta, de atrocidades e calamidades, mas também de uma luta incansável pelos direitos que usufruímos hoje, principalmente, pelo direito à liberdade.
16:48 Publicada por Unknown 2

quinta-feira, 21 de março de 2013

"Em Chamas" de Suzanne Collins [Opinião Literária]

Título: Em Chamas
Autora: Suzanne Collins
Editora: Editorial Presença
Coleção: Os Jogos da Fome (nº2)

Sinopse:
Pela primeira vez na história dos Jogos da Fome dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Mas o que para Katniss e Peeta não passou de uma estratégia desesperada para não terem de escolher entre matar ou morrer, para os espectadores de todos os distritos foi um acto de desafio ao poder opressivo do Capitólio. Agora, Katniss e Peeta tornaram-se os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar…

Opinião:
Após a leitura do primeiro volume desta saga, não hesitei em atirar-me de cabeça a este segundo livro. Logo após os acontecimentos finais de Os Jogos da Fome, acompanhamos o regresso de Katniss e Peeta ao Distrito 12 e à agitação que gradualmente se forma por toda a nação de Panem. O derradeiro ato de desespero efetuado por Katniss no final do volume anterior é o catalisador para uma rebelião que ferve dia após dia na maior parte dos distritos. A primeira parte deste livro é, portanto, um pouco mais passiva, mais orientada para as intrigas e manipulações do Capitólio e a revolta das populações, cansadas de serem oprimidas.
No entanto, o Capitólio prepara a sua vingança, na forma de mais uns Jogos da Fome, comemorando os seus 75 anos com uma edição especial, na qual os tributos são vencedores passados de cada Distrito. Katniss e Peeta são mais uma vez atirados para a arena e forçados a lutar pela sua sobrevivência. Contudo, os restantes tributos já não são jovens manipuláveis e temerosos, são lutadores e sobreviventes, com muitos truques escondidos nas mangas… Adorei o foco que é dado neste livro aos restantes tributos, pois permitiu que me envolvesse emocionalmente com estas personagens, tornando os capítulos na arena absolutamente entusiasmantes! Sem dúvida que compensou o ritmo mais lento da parte inicial do livro.
O enredo continua a apelar a uma consciência social mais humanista, na medida em que expõe o contraste entre os distritos responsáveis pelas atividades básicas, mais pobres, e os distritos associados à tecnologia, onde predomina a riqueza e o poder. É, pois, estabelecido um paralelismo com os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos presentes na atualidade, caracterizada pelo fosso social que conhecemos tão bem. Suzanne Collins critica a sobrevalorização dos bens materiais e supérfluos, em detrimento dos recursos básicos à vida humana, assim como a exploração e exclusão social que incrementa a distância entre aqueles que detêm o poder e os que vivem na pobreza.
Katniss mantém-se uma protagonista excecional. É uma personagem muito realista, com dúvidas, defeitos e inseguranças que apenas contribuem para a criação de uma forte empatia com esta jovem. É o seu espírito crítico e a sua visão humana que estabelece o rumo para esta estória tão pujante. Uma saga a não perder!
20:52 Publicada por Unknown 4

terça-feira, 12 de março de 2013

"Os Jogos da Fome" de Suzanne Collins [Opinião Literária]

Título: Os Jogos da Fome
Autora: Suzanne Collins
Editora: Editorial Presença
Coleção: Os Jogos da Fome (nº1)

Sinopse:
Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espetáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um ato de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade?

Opinião:
Situado num futuro pós-apocalíptico, este livro retrata o quotidiano na nação de Panem, emergida das cinzas após uma catástrofe que atingiu a América do Norte, governada por um regime totalitário. Neste contexto ditatorial, a Capitol – a sede do governo – decreta a ocorrência, todos os anos, de um espetáculo sangrento onde dois adolescentes de cada um dos 12 Distritos são obrigados a participar numa luta até à morte, onde apenas um poderá escapar com vida.
Através deste ambiente avassalador que a autora cria uma estória intensa e que predispõe o leitor a uma reflexão profunda sobre alguns componentes da condição humana. A primeira vertente é a abordagem dos limites do ser humano, isto é, até onde este é capaz de ir para sobreviver. É impossível não sentir a angústia e o terror palpáveis dos jovens tributos na arena. E aqui chegamos à outra fonte de reflexão: se já para o leitor é perturbador ler sobre tal acontecimento, o que dizer de uma sociedade que explora estes jovens para o entretenimento público? A autora consegue, portanto, estabelecer uma forte crítica ao voyeurismo e à cultura atual dos reality-shows.
A personagem principal, Katniss, é uma protagonista incrível. Uma jovem com um passado duro, forçada a crescer depressa de forma a assegurar a sua subsistência, mas principalmente a da irmã mais nova e da sua mãe. Katniss é inteligente, determinada e altruísta, capaz de tudo para manter a sua família em segurança. O momento em que se voluntaria para Os Jogos da Fome na vez da sua irmã marcou-me. Sem qualquer hesitação ou medo, esta jovem instintivamente oferece a sua própria vida para salvar a sua irmã. Mesmo ao longo da estória compreendemos que, apesar da máscara fria e compenetrada que construiu para se proteger, Katniss é uma jovem com um grande coração.
A estória é narrada na primeira pessoa, pela perspetiva de Katniss, o que significa que apenas temos acesso à sua experiência. Por conseguinte, somos poupados a algumas descrições mais macabras ou violentas, mas também a emoções que poderiam ter sido melhor exploradas. Com tantos acontecimentos subentendidos, gostaria que a carga emocional tivesse sido maior em alguns momentos, mas compreendo a necessidade de manter o teor mais juvenil, devido ao público-alvo. Na minha opinião, a autora perdeu algumas oportunidades para verdadeiramente levar a componente emotiva ao limite.
Confesso que fiquei agradavelmente surpreendida com a componente romântica neste livro. Uma vez que o foco de Katniss é a sua sobrevivência, não resta muito espaço para o romance, o que, na minha opinião, é uma lufada de ar fresco. Com tantos clichés relativamente a triângulos amorosos, é interessante observar a relutância de Katniss em se comprometer a qualquer avanço romântico, o que aguçou a minha curiosidade para os restantes volumes.
Esta é uma saga imperdível, de leitura compulsiva que, com uma escrita simples e acessível, reflete inúmeras emoções intensas e dramáticas. É bom saber que o género young-adult tem obras tão ricas e educativas como esta para oferecer!
17:23 Publicada por Unknown 21

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Dei-te o Melhor de Mim" de Nicholas Sparks [Opinião Literária]

Título: Dei-te o Melhor de Mim
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº517)

Sinopse:
Este novo romance de Nicholas Sparks conta a história emocionante de Amanda e Dawson, dois adolescentes envolvidos na mágica experiência do primeiro amor.
Separados por classes sociais distintas, a paixão que sentem um pelo outro fá-los acreditar que aquele sentimento durará para sempre e terá força para superar todos os obstáculos. Vinte e cinco anos mais tarde, ambos são chamados à cidade natal, por altura da morte do único homem que os protegera. Amanda e Dawson tinham seguido caminhos diferentes. E se para ambos o amor de outrora se revela intacto, não podem evitar confrontar-se com dolorosas recordações e mais ainda com as escolhas que tinham feito perante as circunstâncias que o seu juvenil amor não pudera alterar. Que sentido dar agora a um amor que nunca poderia mudar o passado?

Opinião:
Claramente, esta é uma estória de amor. Mas não um amor qualquer: o amor entre Amanda e Dawson, uma relação na adolescência condenada ao fracasso, devido a diferenças sociais e pressões familiares. Após a sua separação, encontramos ambos no presente, com as respetivas vidas que optaram por seguir. Agora duas pessoas completamente diferentes, o seu reencontro é confuso e tumultuoso. É neste contexto que, através da escrita fluída e ternurenta de Sparks, que descobrimos um amor enterrado no passado mas que ainda prevalece perante os mais árduos obstáculos.
Dawson e Amanda são personagens reais, credíveis, com vivências profundas. Contudo, penso que faltou entre ambos alguma química, aquela faísca despoletada pela paixão, principalmente quando se reencontram.
Pelo contrário, adorei conhecer Tuck e a sua própria estória de amor. O autor cria uma mensagem líndissima com esta personagem, acerca da prevalência de um grande amor após a perda mais irreparável – a prova que o amor pode ser eterno.
Até à última página imaginei um final diferente para esta estória. O desenlace mostra ao leitor a importância de valorizar a vida e a família. No fim de tudo, e sem querer revelar demasiado, o título deste romance não poderia ser mais apropriado!
22:08 Publicada por Unknown 10

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"Quando menos esperamos..." de Sarah Dunn [Opinião Literária]

Título: Quando menos esperamos…
Autora: Sarah Dunn
Editora: Editorial Presença
Coleção: Grandes Narrativas (nº473)

Sinopse:
Holly Frick é uma escritora nova-iorquina de trinta e cinco anos, inteligente e divertida, que se vê confrontada com a separação do marido, Alex, por quem ainda está apaixonada. No seu círculo de amigos todos parecem capazes de retirar algum prazer da situação de vida em que se encontram, e Holly decide fazer o mesmo. Compra um cão e envolve-se com um rapaz bastante mais novo. O quotidiano de Holly e dos seus amigos, as amizades, os casos amorosos e as aventuras sexuais, a busca incessante da felicidade e do amor formam um complexo padrão afectivo e emocional que é aqui retratado com profundidade, subtileza e muito humor.

Opinião:
Esta é uma leitura leve, despretensiosa, mas que considerei demasiado pobre em conteúdo para me cativar. Mostra-nos um conjunto de indivíduos, cada um com um complexo diferente, desde medo de compromissos, a infidelidades consecutivas, passando por neuroses, isolamento e vidas desperdiçadas. Ao fim de alguns capítulos, todo este disfuncionalismo acaba por ser repetitivo e maçador.
Apesar de perceber a intenção da autora em criar personagens realistas e caracterizar a sociedade atual norte-americana, penso que todas as personagens são demasiado egocêntricas, fúteis, insensíveis na maior parte dos casos. Mesmo a personagem principal é frustrante, cheia de moralismos quando ela própria não vive propriamente uma vida idílica. Isto só contribuiu para o meu desprendimento da estória, pois confesso que no final já não estava grandemente interessada no seu desfecho.
A escrita da autora é simples, direta, com bastante humor (o ponto forte deste livro). No fundo, é uma estória que não leva a grandes introspeções, com um final previsível e algo enfadonho.
00:08 Publicada por Unknown 0

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"Sobre o amor e a morte" de Patrick Süskind [Opinião Literária]


Título: Sobre o amor e a morte
Autor: Patrick Süskind
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Se é verdade que o amor e a morte - Eros e Tanatos - são as duas forças primordiais da existência humana que mais nos fascinam, por maioria de razão nos fascina a sua profunda e misteriosa ligação. Sentimo-la como intrinsecamente verdadeira, intima e no entanto, causa-nos profunda estranheza, transcende-nos. Tanto mais quando sabemos que o convite para esta assombrosa aliança parte de Eros - o enlouquecedor, o excitante, a pretensa fonte do impulso criador - sempre que a sua embriaguez faz despertar o desejo erótico da morte… Neste breve ensaio, Patrick Suskind partilha connosco uma interessantissíma reflexão sobre estes dois princípios fundamentais da nossa existância. Num rasgo de audácia e humor, estabelece ligações inusitadas - entre Jesus e Orpheu, por exemplo as duas personagens que desafiam a morte em nome do amor - e ilustra a sua meditação com referências aos universos da mitologia, da literatura, da ópera e da vida real, e a autores profundamente envolvidos nesta temática, como é o caso de Wagner, de Oscar Wilde ou de Goethe.
Opinião:
Esta obra consiste numa brilhante reflexão acerca da condição humana à luz da relação entre os seus princípios vitais: Eros e Tanatos; o amor e a morte. Num pequeno ensaio, que se lê num ápice, o autor faz uma crítica acutilante, mas sempre com um humor elegante e subtil, ao invariável impulso do amor.
Süskind sustenta a sua meditação em inúmeros exemplos: alguns do quotidiano, outros da mitologia grega, a maior parte do universo literário e cultural. No final, chega a uma conclusão inusitada: Orfeu terá desafiado a morte em nome do amor de forma mais intensa do que Jesus. Esta comparação ousada assenta num elogio à humanidade: Orfeu supera a grandiosidade (divina) de Jesus ao assemelhar-se ao ser humano na sua demanda pelo amor.
Todas estas ligações culminam numa reflexão inevitável para o leitor: será que o amor suplanta verdadeiramente tudo? Até mesmo a irreversibilidade da morte?
00:45 Publicada por Unknown 3

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

"O Círculo da Morte" de Andrew Pyper [Opinião Literária]


Título: O Círculo da Morte
Autor: Andrew Pyper
Editora: Editorial Presença
Coleção: Minutos Contados (nº23)

Sinopse:
Patrick Rush é um homem cuja vida se encontra em queda livre. Viúvo e há muito assombrado pela solidão paralisante, tem visto a sua carreira de jornalista a regredir constantemente enquanto luta com a responsabilidade de cuidar do filho pequeno e com o sonho de um dia se tornar escritor. É impulsionado por esse sonho que decide inscrever-se numa oficina de escrita criativa ou, como o orientador lhe prefere chamar, o círculo de Kensington. Cedo percebe, porém que ali não vai conhecer nenhum prodígio literário, à excepção talvez de Angela, uma jovem que conta uma história lúgubre e hipnótica sobre uma criança atormentada por uma figura misteriosa que a persegue. Quando, ao mesmo tempo, o bairro onde Patrick vive começa a ser testemunha de acontecimentos com estranhas ligações à história de Angela, as fronteiras entre realidade e ficção tornam-se cada vez mais confusas e perturbadoras. Mas, como qualquer leitor compulsivo, Patrick não consegue deixar de sucumbir à necessidade de saber como a história acaba.

Opinião:
Para quem procura um policial criativo, diferente do que é habitual, este é o livro ideal. É um thriller mais psicológico, não dando grande ênfase à componente criminal ou sangrenta dos crimes. Ao longo de toda a estória, a verdade funde-se com a mentira, sendo impossível dissociá-las e discernir com clareza a realidade.
Patrick é uma personagem perturbada, que deixa o leitor revoltado com algumas das atitudes que toma. Confesso que não é uma personagem principal muito eficaz, pois as decisões que toma são bastante exasperantes. Contudo, é necessário para que o autor possa explorar as temáticas da criatividade literária, dos direitos de autor e do plágio.
As melhores partes são sem dúvida os acontecimentos sobrenaturais, relacionados com o rapto de crianças. Mas serão estes crimes fruto da possível existência de um verdadeiro boogeyman ou de um homem com uma mente perturbada? Durante grande parte do livro é difícil responder a esta questão. A linha entre a realidade e o sobrenatural não está bem definida, deixando o leitor ansioso à medida que a narrativa avança.
Assim, associaria esta obra mais ao género do terror do que a um policial clássico, principalmente devido às emoções arrepiantes que proporciona ao leitor.
09:17 Publicada por Unknown 0

domingo, 27 de janeiro de 2013

"Filhos do Abandono" de Torey Hayden [Opinião Literária]


Título: Filhos do Abandono
Autora: Torey Hayden
Editora: Editorial Presença

Coleção: Grandes Narrativas (nº394)
Sinopse:
Durante décadas Torey Hayden tem sido uma luz na escuridão para muitas crianças com distúrbios comportamentais graves. Além de terapeuta exímia e criativa, ela é uma mulher extraordinária pela generosidade e persistência com que se liga aos seus «casos». Especializada em «mutismo electivo», trabalha agora num hospital, na unidade de pedopsiquiatria. Neste livro, ela ocupa-se de Cassandra, uma menina que apenas com seis anos foi raptada pelo pai, só regressando a casa da mãe quase dois anos depois. O seu comportamento alterna entre períodos de silêncio e um comportamento errático e agressivo, levando a supor ter sido vítima de abusos graves. Drake, de quatro anos, é pelo contrário um rapazinho encantador, cativante e carismático. Parece adaptar-se bem a novos ambientes, mas incompreensivelmente não fala de todo, a não ser com a própria mãe. O seu autoritário avô, um brilhante homem de negócios exige que Torey se ocupe dele e o «conserte» rapidamente… E, embora nunca tenha trabalhado com adultos, Torey é ainda chamada a ocupar-se de uma idosa que, após um AVC, se refugiou num mutismo depressivo. Cada história desenrola-se um pouco como um caso policial – Hayden vai descobrindo o que se esconde por detrás do mistério daqueles silêncios a partir dos mais ínfimos e subtis indícios.

Opinião:
Torey Hayden retrata mais uma vez a sua experiência profissional no âmbito da psicologia. Porém, neste livro surgem três casos, duas crianças e uma idosa, cada qual com os seus motivos para permanecerem mudos, os quais Torey terá que desvendar.
Cassandra é uma menina que apenas conhece o pior lado da vida, vítima de um passado terrível. As descrições do sofrimento que sofreu durante a infância são brutais e levaram-me a cerrar os dentes com a fúria que despertam.
Por outro lado, Drake é o símbolo de como as expectativas demasiado altas e as regras rígidas podem levar uma criança tão pequena a sentir-se afogada perante tanta pressão por parte da sua família.
Por sua vez, Gerda, a senhora idosa, tem de lidar com o pior que a velhice pode acarretar: a solidão e a dependência física. Este é um alerta muito importante para o mundo atual. Com o aumento exponencial da esperança média de vida e o consequente aumento da população idosa, é necessário não esquecer todos os idosos que por vezes são isolados, maltratados e renegados pela sociedade.
Torey Hayden retrata três estórias tristes e profundamente comoventes, de abusos e violência, de vivências terríveis e situações bárbaras e repugnantes. A injustiça está patente ao longo deste livro mas mais uma vez Torey demonstra como o amor tem todo o poder para suplantar o lado mais negro da vida.
13:30 Publicada por Unknown 5