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terça-feira, 3 de setembro de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
"O Jogo do Anjo" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião Literária]
Título: O Jogo do Anjo
Autor: Carlos Ruiz
Záfon
Editora: Dom Quixote
Coleção: O Cemitério
dos Livros Esquecidos (nº2)
Sinopse:
Na Barcelona
turbulenta dos anos 20, um jovem escritor obcecado com um amor impossível
recebe de um misterioso editor a proposta para escrever um livro como nunca
existiu a troco de uma fortuna e, talvez, muito mais.
Com
deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do
Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros
Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia,
através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a
amizade se conjugam num relato magistral.
Opinião:
Com este
volume regressei à Barcelona nas primeiras décadas do século XX, uma cidade
tenebrosa, capaz de uma crueldade imensa, como se do sofrimento se alimentasse.
Regressei às suas ruas labirínticas, aos segredos que encerra por detrás de
fachadas destruídas, e ao inolvidável Cemitério dos Livros Esquecidos. Estabelecido
como uma prequela de A Sombra do Vento,
reencontramos nestas páginas a família Sempere e a sua livraria enaltecendo a
dedicação e paixão aos livros. Afinal, este é sobretudo um livro sobre o poder
e a magia da literatura.
O
protagonista, David Martín, é um jovem escritor amargurado que, após diversos insucessos
no mundo editorial, é incumbido por um enigmático editor, mediante uma
extraordinária quantia monetária, de produzir um livro capaz de fundar uma nova
religião, enquanto se debate com um eterno e malogrado amor. Pelo meio surge
Isabella, uma espécie de discípula na área da escrita e sua ajudante, uma jovem
irreverente, determinada e inteligente. A amizade improvável entre ambos foi o
que mais me encantou nesta obra, devido ao genuíno carinho mútuo que demonstram,
apesar de todas as discussões e tiradas sarcásticas que atiram constantemente um
ao outro.
O autor não
foge ao ambiente gótico retratado no volume anterior, elevando-o a níveis ainda
mais dramáticos. A atmosfera de terror perpetua-se à medida que as mortes,
desgraças e revelações nefastas surgem em catadupa, num ritmo vertiginoso que
apela leitor que abandone a realidade e se sujeite ao pesadelo. Este clima de
paranoia e maldição é avassalador, impossível de ser ignorado. Por diversas
vezes senti as emoções à flor da pele, principalmente em virtude da escrita
notoriamente cinematográfica de Zafón. É um verdadeiro encanto para todos os
sentidos, na medida em que adota uma narrativa melodiosa, soberba, quase
poética!
Ainda assim,
o desenlace misterioso, praticamente em aberto, poderá não agradar a muitos
leitores. Fiquei um pouco frustrada pelo final abrupto mas ao mesmo tempo
encantada por todas as possibilidades que encerra. Nesse aspeto, este livro é
genial em fomentar a discussão e análise acerca do significado desta estória,
aberta a interpretações.
Contrariamente
ao que esperava, este segundo volume encantou-me mais que o anterior, talvez
por me ter apegado mais às personagens, de maneira que vivi, sofri e rejubilei
com elas. Mais uma vez o autor prova com esta obra extraordinária que as
palavras têm poder, que influenciam profundamente as nossas vidas, como que se
contivessem verdadeira magia!
sexta-feira, 3 de maio de 2013
"A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Záfon [Opinião Literária]
Título: A Sombra do Vento
Autor: Carlos Ruiz
Záfon
Editora: Dom Quixote
Coleção: O Cemitério
dos Livros Esquecidos (nº1)
Sinopse:
Numa manhã
de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração
da cidade velha: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra
um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de
intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.
Juntando as
técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de
costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de
amor cujo eco se projecta através do tempo. Com uma grande força narrativa, o autor entrelaça tramas e enigmas ao modo de bonecas russas num inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, numa intriga que se mantém até à última página.
Opinião:
Esta é uma
obra que enaltece o encantamento profundo que um livro é capaz de tecer no
leitor, que aconselho a todos os amantes destes preciosos objetos. Assente na
década de 40, numa Barcelona flagerada pela guerra civil e pela ditadura de
Franco, a narrativa acompanhará o fascínio dilacerante e potencialmente
perigoso de um jovem por um misterioso livro. No fundo, esta é uma estória de
um livro dentro de um livro, com uma intriga complexa e intrincada.
As
personagens são fascinantes e multifacetadas, com o devido destaque para
Fermín, cuja estória de vida me tocou profundamente. Aprecio a mensagem que
representa: que por detrás de um aspeto andrajoso pode estar um homem digno e
honrado.
Mas o aspeto
mais positivo da obra é o estilo original do autor, a sua escrita muito visual,
quase cinematográfica, que permite ao leitor sentir, viver, saborear tudo o que
é descrito! A prose é soberba, as descrições são melodiosas e a narrativa é
quase poética.
De igual
modo, apreciei bastante o ambiente gótico retratado, o clima psicologicamente
denso e as pequenas nuances que
pretendem refletir algo sobrenatural. Confesso, porém, que por vezes senti que
a narrativa se tornava algo pesada, por vezes demasiado extensa, com a
introdução de novos detalhes à estória. Talvez devido ao excesso de floreados
em certas partes, que se tornam algo descritivas, sinto que perdi algures o
entusiasmo pelo desenrolar da ação. No entanto, este entusiasmo regressou perto
do desenlace final, quando todas as peças se começaram a encaixar e o confronto
final repleto de ação é inevitável.
Adorei a
forma como o presente se entrelaça com o passado, através do paralelismo entre
a vida do jovem Daniel e a estória do misterioso escritor Julián Carax. As
pequenas e subtis ligações entre ambos dão um toque especial à narrativa,
elevando o desenlace final a um nível de profundidade emocional superior.
Aguardo
ansiosamente a leitura do próximo volume, para me perder nos corredores do
Cemitério dos Livros Esquecidos, um lugar fascinante que gostaria de ver mais
explorado nos próximos livros. Esta saga não poderia ter sido iniciada da
melhor maneira, com um primeiro volume que pressagia a qualidade dos futuros
volumes. O autor foi, pois, capaz de construir uma belíssima ode aos livros, ao
poder que encerram nas suas páginas – poder esse capaz de mudar vidas e moldar
o futuro.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
"A Princesa de Gelo" de Camilla Läckberg [Opinião Literária]
Título: A Princesa de Gelo
Autora: Camilla
Läckberg
Editora: Dom Quixote
Coleção: Série Patrik
Hedström (nº1)
Sinopse:
De regresso à cidadezinha onde nasceu depois
da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da
tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está
para vir. Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da
banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou.
Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via
desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo
tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas
nem sempre são o que parecem. Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é
que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado
profundamente perturbador…
Opinião:
Este é um
policial clássico, em que um homicídio abala toda a comunidade local de uma
pequena cidade ao desenterrar segredos enterrados no passado. Por conseguinte,
o leitor tenta decifrar não apenas o crime inicial, mas também todas as
situações terríveis que ocorreram há muitos anos e que muitos preferem
esquecer. Camilla Läckberg desenvolve a estória de uma forma inteligente, em
que as diversas peças deste puzzle acabam por encaixar e revelar uma verdade
tenebrosa.
De igual
modo, ao contrário de alguns policiais, existe uma componente de romance
extremamente apelativa: a relação entre Erica e Patrik cativou-me desde o
início. No fundo, esta é também uma estória familiar e caseira, na medida em
que a autora proporciona um vislumbre das vidas privadas das personagens e do
quotidiano sueco.
O ritmo
desta obra é talvez um pouco inconsistente: algumas partes mais vagarosas,
outras frenéticas e delirantes. Esta imprevisibilidade torna a leitura um pouco confusa e morosa em algumas partes.
Quanto à
frase publicitária, “A nova Agatha Christie que vem do frio”? Não, Camilla Läckberg
não é uma nova Agatha Christie, simplesmente porque é impossível fazer esse
tipo de comparação. Christie, quem eu considero a rainha dos policiais, viveu
noutra época e isso é evidente na sua escrita. Ambas as autoras têm o seu
mérito e os seus livros possuem estruturas e características muito distintas.
Este tipo de marketing falacioso deveria ser evitado a todo custo.
Quero, pois,
ressalvar o facto de esta autora ser muito original dentro deste género, não pela
estória em si, mas pela perspetiva mais doméstica das personagens. Recomendo
sem reservas, tanto para os amantes de policiais, como para quem aprecia um bom
romance.
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