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sábado, 14 de setembro de 2013

"Eragon" de Christopher Paolini [Opinião Literária]

Título: Eragon
Autor: Christopher Paolini
Editora: Gailivro
Coleção: Ciclo da Herança (nº1)

Sinopse:
Quando Eragon encontra uma pedra azul polida na floresta, acredita que poderá ser uma descoberta bendita para um simples rapaz do campo: talvez sirva para comprar carne para manter a família durante o Inverno. Mas quando descobre que a pedra transporta uma cria de dragão, Eragon depressa se apercebe de que está perante um legado tão antigo como o próprio Império. De um dia para o outro, a sua vida muda radicalmente, e ele é atirado para um perigoso mundo novo de destino, de magia e de poder. Empunhando apenas uma espada legendária e levando os conselhos dum velho contador de histórias como guia, Eragon e o jovem dragão terão de se aventurar por terras perigosas e enfrentar inimigos obscuros, dum Império governado por um rei cuja maldade não conhece fronteiras. Conseguirá Eragon alcançar a glória dos lendários heróis da Ordem dos Cavaleiros do Dragão? O destino do Império pode estar nas suas mãos...

Opinião:
Finalmente decidi dar uma segunda oportunidade a este livro, cuja leitura abandonei há uns anos atrás, principalmente porque a fantasia era um género que não me cativava na altura (algo que mudou consideravelmente). Esta segunda leitura foi mais agradável, ainda que as expectativas demasiado altas talvez tenham influenciado negativamente a minha opinião geral sobre a obra.
Inicialmente devorei os primeiros capítulos com avidez, até porque a escrita é muito dinâmica e acessível, e a estória intrigou-me bastante. Não que o enredo seja propriamente inovador para os fãs do género, mas parecia-me que o autor fosse capaz de introduzir algo de novo. Contudo, quando o autor inicia um relato interminável e aborrecido de uma viagem que não parece ter um fim à vista, em conjunto com uma miríade de clichés, a desilusão tomou as rédeas e já não me conseguia concentrar devidamente na leitura. Simplesmente não consegui ignorar a sensação de déjà-vu, pois as semelhanças com a jornada retratada em O Senhor dos Anéis são inegáveis.
As personagens tornaram tudo um pouco melhor, com a exceção do protagonista. Eragon é uma personagem demasiado perfeita, que adquire as habilidades sem grande esforço e a quem tudo acontece convenientemente. Achei-o egocêntrico, imaturo e espero que tenha uma grande evolução em termos de caracterização nos próximos volumes. No entanto, o autor presenteia-nos com algumas personagens interessantes e carismáticas: Brom, Saphira, Murtagh, Arya e Nasuada deixam a sua marca e fornecem-me um incentivo para ler os restantes livros da saga para conhecer os seus desfechos. Em particular, a relação entre Eragon e o seu dragão, Saphira, é bem explorada e enternecedora. Já os vilões careciam genuíno terror para fazerem o leitor temer o desenlace final. Este, por sua vez, foi um pouco apressado e nada marcante, deixando algumas questões em aberto para o volume seguinte.
Em suma, esperava mais desta leitura. Acabou por ser a típica viagem épica de um jovem a tentar descobrir a origem dos seus poderes, uma estória genérica com dragões à mistura, à qual faltou algo para verdadeiramente se destacar. Ainda assim proporcionou algumas horas de entretenimento e certamente agradará a um público mais juvenil.
22:22 Publicada por Unknown 8