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sábado, 15 de junho de 2013

"As Investigações de Poirot" de Agatha Christie [Opinião Literária]

Título: As Investigações de Poirot
Autora: Agatha Christie
Editora: Edições Asa
Coleção: Obras de Agatha Christie (nº32) / Hercule Poirot (nº3)

Sinopse:
O que têm um comum uma estrela de cinema, um arqueólogo, uma criada francesa, um primeiro-ministro, uma viúva rica e um conde italiano? Crime e Hercule Poirot.
Pela mão da mais popular autora de policiais de todos os tempos, são ao todo onze intricados casos que Poirot, o mestre dos enigmas, terá de resolver.

Opinião:
Este livro é composto por onze contos, onze crimes resolvidos pelo genial detetive belga Hercule Poirot mas relatados pelo seu fiel companheiro, o Capitão Hastings. O leitor é presenteado com delitos para todos os gostos: roubos, raptos, homicídios, nada escapa às formidáveis “células cinzentas” do detetive.
Não destaco, porém, nenhuma estória em particular na medida em que estiveram todas no mesmo nível: uma combinação entre uma narrativa simples com um enredo bem delineado. Num número reduzido de páginas, Christie é capaz de criar uma boa estória, apesar de por vezes parecer que a sua resolução é demasiado célere.
No fundo, é a leitura adequada para quem procura uma dose rápida de uma boa estória criminal à la Christie, mas que me deixou a ansiar por ler um dos seus mistérios mais completos.
01:23 Publicada por Unknown 2

sexta-feira, 7 de junho de 2013

"Perdidos" de Rute Canhoto [Opinião Literária]

Título: Perdidos
Autora: Rute Canhoto
Editora: Euedito
Coleção: Trilogia Perdidos (nº1)

Sinopse:
Marina, de 17 anos, leva uma vida monótona e confortável, centrada no objetivo de ter boas notas para entrar na universidade. Findas as férias de verão, tem início um novo ano letivo que se revela repleto de novidades, entre elas Lucas. A misteriosa figura do aluno desperta-lhe atenção, apesar da aura obscura que o rodeia. Mais tarde, Joshua junta-se à turma e um turbilhão de sentimentos contraditórios assola Marina, deixando-a confusa e sem saber que caminho seguir. E se fizer a escolha errada? 
Em simultâneo, o cosmos da rapariga fica completamente virado do avesso com uma série de inexplicáveis acidentes, que parecem querer colocar um ponto final na sua existência. Afinal, o que se estará a passar? A resposta será uma revelação inesperada, que dará a conhecer ao mundo os Perdidos.
Este é o primeiro volume da trilogia Perdidos, uma série na qual coração e razão entram em conflito. Nem sempre o que gostaríamos de ter é o melhor para nós. Mas e se o que nos dizem não ser bom para nós, é exatamente aquilo de que precisamos? Viver implica correr riscos, demasiado grandes às vezes.

Opinião:
Este é um início promissor para uma trilogia de romance sobrenatural assente em território português, com uma estória facilmente reconhecível mas pautada por detalhes originais. Sem dúvida uma leitura confortável para os fãs do género, na qual acompanhamos os dramas da juventude com um toque de sobrenatural.
A protagonista, Marina, é uma personagem sólida, com características que aprecio grandemente: determinação, independência, coragem. No entanto, esta personalidade que me entusiasmou no início acaba por se diluir ao longo do livro, no modo como se rende totalmente a um rapaz que mal conhece, Lucas. Na verdade, durante grande parte do livro Marina contradiz-se constantemente: tanto afirma que não acredita no amor à primeira vista, apresentando argumentos lógicos e racionais, principalmente quando se refere a Joshua, apenas para depois ficar obcecada com Lucas, com quem apenas trocou algumas palavras. Este comportamento pareceu-me algo bizarro, desajustado para esta personagem, o que restringiu a sua evolução.
A sua relação com Joshua é também pouco realista e deixou-me um pouco incomodada. Não gostei da maneira como Marina dá constantemente falsas esperanças a Joshua, deixando arrastar uma situação que apenas acabará por magoá-lo. A meu ver, a sua personalidade não se coaduna com este tipo de atitude e um pouco de honestidade teria sido melhor. Joshua, por sua vez, pareceu-me uma personagem demasiado unidimensional. Demasiado perfeito, quer no aspeto, quer na personalidade, do qual pouco sabemos e cujo desenvolvimento em termos de carácter é praticamente inexistente ao longo da estória.
Em contrapartida, o outro vértice deste triângulo-amoroso, Lucas, representa muito bem o lado negro da trama. A sua importância na estória é gradual, o que potencia o suspense em relação à sua identidade sobrenatural. Apreciei bastante a inovação neste âmbito, pois a autora introduz alguns conceitos originais e, assim, produz uma mitologia interessante.
Quanto aos personagens secundários, poderiam ser mais desenvolvidos, em particular Ana. Esta tem um grande potencial para ter mais relevância no enredo, principalmente no ambiente humorístico que adiciona. Em relação aos restantes, há um pequeno pormenor que me deixou um pouco perturbada: os professores naquela escola parecem todos horríveis! É que não há um único docente compreensivo, responsável ou minimamente humano! Pareceu-me que os seus comportamentos são exagerados e pouco credíveis, e não gostei particularmente do papel de vítima que Marina adquire face a estes professores.
A narrativa é fluída, por vezes carecendo de alguma ação para dinamizar a estória, mas essencialmente muito acessível. A linguagem é apropriada para o público-alvo, com diálogos realistas para jovens e, ao mesmo tempo, sem ser demasiado infantil.
O aspeto que me fascinou foi a utilização de Alcácer do Sal como palco para todos os acontecimentos. Esta terra é fabulosamente descrita e proporcionou-me uma grande vontade de a visitar no futuro.
Infelizmente, o final acabou por me desiludir. A autora tomou o rumo mais previsível e pouco estimulante. Não deixou pontas soltas e, simultaneamente, deixou-me curiosa em relação ao rumo que a estória tomará no próximo volume. Gostaria que a autora não se refreasse de adicionar elementos mais dark e alguns twists à fórmula tradicional que utiliza.
Apesar de todas estas arestas por limar, a experiência global foi positiva. Uma leitura fácil e agradável, que merecia divergir um pouco do esquema tradicional em que se enquadra mas que, no fundo, recomendo sem reservas a quem aprecia o género.
23:58 Publicada por Unknown 2

terça-feira, 14 de maio de 2013

"A Pousada no Fim do Rio" de Nora Roberts [Opinião Literária]

Título: A Pousada no Fim do Rio
Autora: Nora Roberts
Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]

Sinopse:
Olivia MacBride e os seus pais eram a típica família de sonho de Hollywood, não lhes faltando fama, fortuna e amor. Até à noite em que Olivia, de quatro anos, acorda e encontra a mãe brutalmente assassinada aos pés do pai. Nesse momento, a vida de Olivia mudará para sempre. Acolhida pelos avós num recanto resguardado pela Natureza, Olivia aprende a enterrar bem fundo o passado. Determinada a proteger-se de memórias dolorosas, cresce limitando a sua vida às florestas verdejantes e à Pousada do Fim do Rio. Mas quando aparece Noah Brady, a jovem terá de se esforçar muito para resistir à atracção que sente por ele. Infelizmente, o futuro é caprichoso e Noah trai a confiança de Olivia. Apesar de ele nunca desistir de a ajudar a lidar com os traumas do passado, poderá a jovem voltar a confiar em Noah? Mais: o pai de Olivia é liberto da prisão e parece que há segredos terríveis a descobrir sobre aquela fatídica noite.

Opinião:
Neste livro estamos perante a fórmula do sucesso de Nora Roberts: drama, amor, ação, mistério, redenção… Talvez por isso esta estória peque pela pouca originalidade, pois, para quem já leu muitas obras desta autora, acaba por não trazer muito de novo.
O casal principal é minimamente cativante, o que permitiu que me dedicasse a esta leitura, apesar da previsibilidade. A protagonista, Olivia, possui uma personalidade complexa, misturando inocência e coragem. A tragédia do seu passado e a traição a que foi sujeita arrefeceram-lhe o coração mas mesmo assim é obstinada o suficiente para perseguir os seus sonhos. Apreciei o facto de não se entregar logo a Noah e dificultar-lhe as suas tentativas de a reaver.
Noah é uma personagem diferente, gostei do facto de não ser o homem perfeito, pois acaba por magoar quem ama, mesmo que as suas intenções não sejam más. Apreciei o crescimento e amadurecimento desta personagem, e acabei por admirar a sua persistência e paciência perante Olivia.
Quanto ao mistério, achei-o um pouco pobre e desconfiei rapidamente da identidade do criminoso, o que me desmotivou um pouco. Não é de todo um dos melhores livros de Nora Roberts, mas fornece aos seus fãs o conforto do lugar-comum. No fundo, não deixa de ser um bom livro para relaxar e descontrair, uma leitura leve, com a qualidade a que Nora Roberts já nos habituou.
16:59 Publicada por Unknown 4

domingo, 12 de maio de 2013

"Nómada" de Stephenie Meyer [Opinião Literária]





Título: Nómada
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Gailivro
Coleção: The Host (nº1)



16:27 Publicada por Unknown 12

sábado, 4 de maio de 2013

"O Recife" de Nora Roberts [Opinião Literária]

Título: O Recife
Autora: Nora Roberts
Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]

Sinopse:
A arqueóloga marinha, Tate Beaumont, é apaixonada pela caça ao tesouro. Ao longo da vida, ela e o pai descobriram muitas riquezas fabulosas, mas há um tesouro que nunca conseguiram encontrar: a Maldição de Angelique - um amuleto com pedras preciosas, obscurecido pela lenda e manchado de sangue. Para encontrarem este artefacto precioso, os Beaumonts aceitam, hesitantemente, uma parceria com os mergulhadores Buck e Matthew Lassiter. Tate não fica feliz por partilhar o seu sonho, mas não tem alternativa. E, à medida que os Beaumonts e os Lassiters disponibilizam recursos para localizar a Maldição de Angelique, as águas das Caraíbas adensam-se com desilusões sombrias e ameaças escondidas. A parceria entre as famílias é posta em causa quando Matthew se recusa a partilhar informação - incluindo a verdade sobre a morte misteriosa do seu pai, alguns anos antes. E conforme Tate e Matthew avançam com a sua desconfortável aliança... o perigo e o desejo ameaçam emergir.

Opinião:
Eis outro livro de Nora Roberts que cumpriu o seu objetivo central: entreteu-me, distraiu-me e envolveu-me na estória. O leitor é transportado para as profundezas do mar azul celeste num paraíso à beira-mar nas Caraíbas, em busca de um tesouro perdido nas lendas de outros séculos.  Uma abordagem exótica à estrutura comum dos livros de Nora Roberts, com grande potencial para refrescar este romance.
Contudo, todo este potencial é desperdiçado numa atribulada estória de amor que não me seduziu. Matthew é um jovem ambicioso, demasiado orgulhoso e amargurado. Já Tate é uma sonhadora, sentimental e movida pelo gosto pela ciência. Gostei da diferença abismal entre os dois e do choque entre personalidades. Mas este é um amor desencontrado no passado e que parece apenas ser retomado no presente com base numa atracão física. Este aspeto pareceu-me algo frio e distanciou-me do envolvimento que poderia ter estabelecido com as personagens.
No entanto, através da personagem de VanDyke é explorada uma importante lição de vida sobre a ganância e a obsessão desmedida por bens materiais. Em suma, gostaria que este romance me tivesse despertado mais emoções relativamente ao casal principal, mas apreciei o enredo dinâmico e empolgante da busca pelo tesouro.
14:15 Publicada por Unknown 6

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"A Villa" de Nora Roberts [Opinião Literária]

Título: A Villa
Autora: Nora Roberts
Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]

Sinopse:
Sophia é a herdeira do negócio de vinhos da próspera família Giambelli. Sob ordens da sua avó, ela tem de aprender todas as etapas da produção de vinho. O seu tutor, Tyler MacMillan, é um jovem atraente com uma grande paixão pelas vinhas, mas apenas desprezo pelo mundo de negócios. À partida, esta promete ser uma parceria difícil, mas quando a reputação dos vinhos Giambelli começa a ser misteriosamente atacada, a difícil relação transforma-se num inesperado romance. Infelizmente alguém ambiciona destruir mais do que o negócio de vinhos. Mas só quando o pai de Sophia é morto e os membros da família se tornam suspeitos, é que a verdadeira dimensão da ameaça é revelada. Será que a própria família Giambelli está em risco? E o que pode um frágil amor fazer perante tamanha teia de manipulação?

Opinião:
Neste livro Nora Roberts brinda-nos com uma saga familiar, tendo como pano de fundo a cultura do vinho. Aqui aprendemos todo o processo da indústria vitivinícola, desde as técnicas de cultivo da uva até à venda do produto, englobando as vindimas, a produção do vinho, as sessões de prova, os rótulos e a publicidade…  No fundo, uma abordagem completa e bem explorada acerca de uma temática muito interessante.
A narrativa alterna entre a Califórnia (EUA) e a Itália, sendo o ponto fulcral a família Giambelli que, como bons italianos, prezam a família acima de tudo. Um dos pontos mais positivos nesta estória são as personagens femininas fortes, três mulheres de negócios aliadas a homens que as apoiam e complementam: Tereza (La Signora), a matriarca e chefe dos negócios da família em conjunto com Eli, seu marido há muitos anos, um amor duradouro assente na amizade e honestidade; Pilar, uma mulher vítima de traições e desgostos mas que apenas quer esquecer o passado e encontrar o seu lugar na empresa, encontrará em David uma razão para voltar a acreditar no amor; Sophia, uma jovem inteligente e independente que encontra em Tyler o seu absoluto oposto e, no fundo, o seu complemento perfeito! A componente romântica neste livro é obviamente fragmentada, o que me deixou por vezes frustrada pois queria mais momentos entre alguns dos casais.
Como já seria de esperar, esta estória de amor tem um percurso sinuoso até atingir o final feliz: alguém parece encontrar no homicídio a forma perfeita de se vingar desta família. No que diz respeito a este vilão, não senti grande suspense. Não há liberdade para imaginação ou grandes devaneios, as pistas estão todas lá e são fáceis de seguir. Ainda existem algumas surpresas no final mas não considero a explicação final para a vingança muito bem delineada.
Apesar de tudo, é um drama familiar como os que Nora Roberts sabe tecer tão bem, em que o amor, a intriga e a união são palavras-chave.
15:45 Publicada por Unknown 2

sábado, 20 de abril de 2013

"Amante de Sonho" de Sherrilyn Kenyon [Opinião Literária]

Título: Amante de Sonho
Autora: Sherrilyn Kenyon
Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]
Coleção: Predadores da Noite (nº1)

Sinopse:
Grace Alexander, uma bonita terapeuta sexual de Nova Orleães, julgava estar destinada a uma vida sem paixão. Até ao dia em que a amiga Selena a convence de que, por artes mágicas, poderá convocar um escravo de amor durante um mês. Certa de que a magia da amiga irá falhar, Grace deixa-se levar pela brincadeira. Mas...
"Caro leitor,
Estar preso num quarto com uma mulher é fabuloso.
Estar preso em centenas de quartos ao longo de dois mil anos não o é de todo. E estar amaldiçoado como escravo de amor para a eternidade, arruína qualquer guerreiro espartano. Como escravo de amor, sei tudo sobre as mulheres. Como tocá-las, saboreá-las e, acima de tudo, como dar-lhes prazer. Mas quando fui convocado para satisfazer as fantasias de Grace, encontrei a primeira mulher na história que me viu como um homem com um passado atormentado. Só ela se preocupou em levar-me para fora do quarto e mostrar-me o mundo.
Ensinou-me a amar de novo.
Mas eu não nasci para conhecer o amor. Fui amaldiçoado para caminhar sozinho pela eternidade. Como general, aceitara há muito a minha sentença. No entanto, agora encontrara Grace - a única coisa sem a qual o meu coração não consegue sobreviver. Poderá o seu amor curar as minhas feridas e quebrar uma maldição milenar?"
Julian da Macedónia

Opinião:
Neste primeiro volume da aclamada saga Predadores da Noite acompanhamos a estória de Julian da Macedónia, através de uma premissa única e intrigante: um ex-general espartano é amaldiçoado pelos deuses a permanecer preso num livro e, quando convocado, a sua única função é proporcionar prazer à mulher que o evocou. Confesso que usufruía de expectativas bastante altas, fruto das opiniões positivas acerca desta saga. Contudo, embora estivesse ansiosa por começar esta coleção tão popular entre os amantes de romance paranormal, não poderia ter ficado mais desiludida.
O enredo é simples, talvez em demasia, mesmo para o género. Como seria de esperar, o foco principal da estória é o romance entre Julian e Grace. Gostei francamente da maneira como a relação entre ambos resulta da recusa de Grace em tratá-lo como um mero objeto sexual, em virtude da sua experiência com uma relação anterior. A estória carece, porém, de um maior desenvolvimento dos conflitos interiores das personagens, aprofundando as suas emoções e dualidades. Gostava, por conseguinte, que esta faceta moral tivesse sido mais aprofundada e melhor explorada, pois penso que é uma excelente mensagem.
Existe um antagonista secundário que parece caído do céu, um homem perturbado com uma fixação pouco saudável por Grace, mas cujas ações não trazem grande impacto para a estória e cujo desenlace é rápido e previsível. A escrita é fluída e acessível, com diálogos repletos de humor mas por vezes algo cliché.
Julian, o protagonista, é talvez a única personagem que realmente me cativou, não (apenas) pelas suas características físicas, que, obviamente, encerram o estereótipo do homem perfeito neste tipo de estórias. Em geral, primou pela sua personalidade forte, uma alma torturada pela injustiça do seu destino e toda a crueldade que suportou ao longo da sua vida. Apreciei a forma como vamos desvendando o seu passado e, gradualmente, a sua máscara de frieza e distanciamento vai desaparecendo e dando lugar a um homem gentil e vulnerável. A sua relação com Grace evolui de uma amizade mútua para uma cumplicidade ternurenta e, evidentemente, para um amor apaixonante.
Um aspeto realmente positivo foi a abordagem à mitologia grega, na medida em que é uma temática que sempre me fascinou. Adorei as alusões aos deuses e deusas e as suas caracterizações singulares e originais.
No entanto, ao terminar a sua leitura, senti a falta de alguma ação e de um enredo mais intenso, para acentuar o clímax final. Apesar de ser uma agradável leitura para descomprimir, não encontrei o que procurava, talvez por culpa de algumas expectativas que desenvolvi acerca desta saga. Definitivamente que lhe irei dar uma segunda oportunidade, através da leitura do segundo volume, o qual espero que tenha um registo mais dark e uma narrativa mais dinâmica e apelativa.

23:21 Publicada por Unknown 8

domingo, 7 de abril de 2013

"A Cidade das Cinzas" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: A Cidade das Cinzas
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº2)

Sinopse:
Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Mas o que é normal quando se é um Caçador de Sombras? A mãe em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente começa a ver lobisomens, vampiros, e fadas?
A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine que, além de louco, simboliza o Mal e, para piorar o cenário, também é o seu pai.
Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente ser seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e aliar-se ao diabólico pai Valentine… mas as aparências podem iludir.

Opinião:
A trama adensa-se neste segundo volume de uma saga de fantasia urbana que me cativou desde a primeira página. A mitologia paranormal é alargada, na medida em que exploramos o domínio das Fadas, seres que não mentem mas apreciam distorcer a verdade e manipular os desejos mais obscuros das personagens.
Os protagonistas, Jace e Clary, lidam com as revelações surpreendentes do volume anterior, principalmente com a incapacidade para se manterem afastados mesmo sabendo a inviabilidade da ligação amorosa que os une. Por conseguinte, o início deste livro é algo passivo, focando-se no debate emocional das personagens que enfrentam os seus demónios interiores.
Jace mantém-se a personagem mais cativante de toda a estória. A sua infância conturbada endureceu-o mas o seu carácter sarcástico, arrogante e carismático é, neste volume, sobreposto pela sua luta interior entre os seus sentimentos e o seu lado racional. Assim, temos a oportunidade de vislumbrar o seu lado mais emotivo, mais humano. Clary torna-se mais interventiva, sendo que ambos descobrem capacidades peculiares muito interessantes e úteis para a sua demanda.
As personagens secundárias também emergem como partes essenciais deste contexto. Simon é uma das personagens que adquire mais relevo, um novo vigor e, por isso, tornou-se mais fácil de simpatizar com este jovem apaixonado que, apesar das suas inseguranças, se mostra forte e determinado. Outro aspeto que apreciei bastante em relação à caracterização de personagens foi o aprofundar da relação entre Alec e Magnus, um casal com uma dinâmica diferente e peculiar, com avanços e recuos, pela qual dou por mim a torcer com maior motivação do que pelo triângulo amoroso no centro da estória. Novos intervenientes surgem, como Maia, uma jovem lobisomem, que prometem trazer ainda mais dinâmica à narrativa. Por outro lado, a personagem de Isabelle, para meu desgosto, é relegada para segundo plano.
 A escrita da autora permanece simples e fluída, sendo que a narrativa, após o início mais vagaroso, adquire um ritmo alucinante, repleto de ação e acontecimentos que se sucedem freneticamente. Contudo, por vezes são introduzidos elementos que não se coadunam com o desenrolar do enredo. As atitudes de algumas personagens por vezes deixaram-me perplexa, como por exemplo a decisão de Simon regressar ao Hotel Dumort, com consequências trágicas, ou a maneira demasiado intuitiva de Clary resolver as dificuldades que encontra. Por vezes, senti que a narrativa adquiria contornos forçados e faltava alguma lógica ou contextualização destas ações.
Por fim, este segundo volume peca em comparação com o primeiro, com algumas falhas no enredo que impediu o meu envolvimento total na estória. Apesar de tudo, gostei bastante do elemento misterioso que se mantém permanentemente à volta do passado de Jace, a força motriz de toda a saga. Certas pistas subtis levaram-me a formular algumas teorias e estou completamente ansiosa por ler o próximo volume para descobrir o rumo da estória e as potenciais reviravoltas que surgirão. Em suma, apesar de algo previsível, esta foi uma leitura aprazível e estimulante.
20:11 Publicada por Unknown 0

sábado, 6 de abril de 2013

"Escândalos Privados" de Nora Roberts [Opinião Literária]

Título: Escândalos Privados
Autora: Nora Roberts
Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]

Sinopse:
Desenrolando-se no glamoroso mundo da televisão, Escândalos Privados conta-nos a história de Deanna Reynolds, a apresentadora de um pequeno talk-show em ascensão. Bonita, sincera e muito profissional, Deanna decide então partir para Nova Iorque, determinada em tornar-se a melhor dentro do género. Mas isto fá-la atravessar-se no caminho da sua antiga mentora, Angela Perkins, a actual rainha da televisão e uma mulher perigosa de desafiar. Angela não hesita em roubar convidados, fazer chantagem e até atravessar os limites do bom jornalismo para combater a crescente popularidade de Deanna. E o romance desta com o famoso e encantador repórter Finn Riley, por quem Angela sempre teve uma paixão, só aumenta a tensão. Mas a prova de que as coisas podem sempre piorar é o aparecimento de um fã obcecado, que deseja Deanna só para si, e que começa a matar todos aqueles que se aproximam dela…

Opinião:
Nora Roberts fornece mais uma vez aos seus leitores um romance apaixonante mas condicionado por um mistério aterrorizador que ameaça o futuro das personagens. Com um ritmo fluído e emocionante, é uma leitura aprazível e que se lê num ápice.
No entanto, não gostei particularmente dos protagonistas Deanna e Finn. Apreciei os diálogos e as discussões que revelaram as personalidades fortes que detêm e o realismo na sua caracterização, mas, a nível pessoal, senti sempre que faltava alguma coisa para conseguir empatizar com ambos.
Por outro lado, adorei a caracterização de Angela, a sua arrogância, mesquinhez e duplicidade. Uma mulher sem honra nem escrúpulos, cuja ambição desmedida apenas potencia a sua queda no lado negro da alma humana.
De igual modo, gostei do mistério em redor do fã obcecado por Deanna. É uma boa abordagem ao fenómeno de stalking e adoro enigmas que me façam saltar de personagem em personagem até descobrir o culpado. A autora criou um excelente ambiente de suspense vibrante que se prolongou durante todo o livro. Porém, quando finalmente atingimos a derradeira descoberta, o desenlace acaba por ser algo previsível e acelerado.
É um bom romance, com uma temática interessante mas que não é, definitivamente, um dos meus preferidos de Nora Roberts.
22:02 Publicada por Unknown 2

sexta-feira, 5 de abril de 2013

"Crime no Campo de Golfe" de Agatha Christie [Opinião Literária]

Título: Crime no Campo de Golfe
Autora: Agatha Christie
Editora: Edições Asa
Coleção: Obras de Agatha Christie (nº26) / Hercule Poirot (nº2)

Sinopse:
Um urgente pedido de ajuda leva Poirot a França. Infelizmente, o detective não chega a tempo de salvar o seu cliente, cujo corpo é encontrado numa sepultura aberta num campo de golfe. Mas porque é que o morto enverga o sobretudo do filho? E a quem se destinava a apaixonada carta de amor descoberta no seu bolsa? Antes que Poirot consiga responder a essas perguntas, o caso sofre uma reviravolta com a descoberta de uma segunda vítima.

Opinião:
A Rainha do Crime continua com a sua fórmula para criar excelentes policiais, mantendo o leitor constantemente interessado na estória e motivado para deslindar o crime.
Um dos pontos fortes desta estória foi o facto de assentar sobre um crime antigo, um segredo do passado que aparenta ser fulcral para a resolução deste mistério.
Contudo, este livro deixou-me um pouco desiludida, principalmente devido à escolha do narrador. Em vez de ser Poirot a investigar sozinho, surge um detetive mais convencional, uma personagem que, como o leitor, pouco percebe do que se está a passar e se deixa levar facilmente pelas emoções. Para mim, esta personagem não foi propriamente cativante e, por isso, senti-me um pouco desligada da investigação do crime.
Mesmo assim, considero que Christie desenvolve aqui uma boa estória, com grande potencial para entreter e desanuviar.
14:32 Publicada por Unknown 2

quinta-feira, 14 de março de 2013

"Naquele Tempo" de Nora Roberts & J.D. Robb [Opinião Literária]

Título: Naquele Tempo
Autora: Nora Roberts / J.D. Robb
Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]

Sinopse:
Laine Tavish é dona de uma loja de antiguidades chamada Naquele Tempo. É uma mulher discreta e vive uma vida igualmente discreta numa pequena localidade de Maryland. Pelo menos, isso é o que toda a gente pensa. Na verdade, o seu nome é Elaine O´Hara e é filha de Big Jack O´Hara, um dos mais conhecidos bandidos do seu tempo. E o passado de Laine acaba de a encontrar... de uma forma bem dramática. O seu tio, há muito sumido, aparece de repente na sua loja, apenas para deixar um aviso misterioso antes de ser atropelado mortalmente na rua. Pouco depois, a casa dela é revirada por assaltantes. Agora cabe a Laine e a um homem deliciosamente misterioso chamado Max Gannon, descobrir quem anda atrás dela, e porquê. A resposta está num tesouro escondido, um tesouro que vai mudar não só a vida de Laine mas também a de futuras gerações.

Opinião:
Este é um livro que une o romance contemporâneo característico de Nora Roberts com a sua vertente mais policial escrita sob o pseudónimo J. D. Robb. Por conseguinte, a estória é dividida em duas partes: uma focando o passado, cerca do ano 2000, em que acompanhamos o desenvolvimento do amor entre Laine e Max durante a busca por um tesouro roubado, enquanto a segunda parte se passa em pleno ano 2059, em que acompanhamos a tenente Eve Dallas na sua investigação em auxílio da descendente de Laine e Max.
A narativa tem um ritmo muito dinâmico e um enredo bem estruturado. Porém, a subtil alteração de estilo a meio do livro, a introdução de novas personagens e pontos de vista dificultaram o acompanhamento da estória e tornaram o desenrolar da ação um pouco apressado. Confesso que me senti um pouco perdida no contexto, principalmente no segmento do futuro, talvez por não acompanhar a Série Mortal/In Death de J. D. Robb, protagonizada pela tenente Eve Dallas.
Em suma, penso que esta será uma leitura apropriada para quem apreciar ambos os lados da escrita de Nora Roberts. Para mim tornou-se algo confusa esta alternância mas como ponto positivo tenho que destacar a curiosidade que me proporcionou acerca da coleção de J. D. Robb – uma série que gostaria de experimentar no futuro!
22:07 Publicada por Unknown 10

sábado, 9 de março de 2013

"Lua Azul" de Alyson Noël [Opinião Literária]

Título: Lua Azul
Autora: Alyson Noël
Editora: Gailivro
Coleção: Os Imortais (nº2)

Sinopse:
Quando Ever está a aprender tudo o que consegue sobre as suas novas capacidades como imortal, iniciada nesse mundo sombrio e sedutor pelo seu amado, algo de terrível acontece a Damen. Os poderes de Ever aumentam mas os de Damen começam a enfraquecer depois de ter sido acometido por uma doença misteriosa que lhe ameaça a memória, a identidade e a própria vida. Desesperadamente ansiosa por salvá-lo, Ever viaja até à misteriosa dimensão conhecida por Summerland, onde descobre não apenas os segredos do passado de Damen – a história de brutalidade e de tortura que ele queria manter oculta –, como também um texto antigo que revela os mecanismos do tempo.
Com uma Lua Nova iminente a enquadrar a sua única possibilidade de viajar no tempo, Ever vê-se obrigada a decidir entre fazer o relógio andar para trás e salvar a sua família do acidente em que morreram... ou ficar no momento presente e salvar Damen, que fica cada vez mais fraco a cada dia que passa...

Opinião:
Após um bom início para uma saga com grande potencial, este volume acabou por me desiludir. O início é lento, o enredo de intrigas e vinganças imortais não me conseguiu interessar e apenas se torna cativante no final.
Desta vez, a protagonista não é tanto a relação entre Ever e Damen, na medida em que este tanto se apresenta profundamente apaixonado como fragilizado e distante. O seu ódio súbito por Ever acaba até por ser doloroso, tendo em conta o amor que partilhavam. Este distanciamento de Damen acaba por ser benéfico para a evolução da personagem de Ever, que acaba por ter de se desenvencilhar sozinha e descobrir o que está por trás de tanta mudança.
 O vilão, Roman, é misterioso, enigmático e as suas intenções apenas são reveladas no derradeiro final. Contudo, gostaria que esta personagem tivesse sido melhor explorada, pois os seus momentos e diálogos foram dos melhores ao longo do livro.
Também Ava é digna de menção como uma personagem cativante e com um desenvolvimento marcante em relação ao volume anterior. Por outro lado, as restantes personagens secundárias acabam por ter pouco destaque, tornando-se demasiado vazias e dispensáveis.
Não sendo esta uma estória propriamente arrebatadora, Alyson Noël continua a apelar aos leitores pela simplicidade da sua escrita e pela linha de romance sentimentalista, com alguns exageros lamechas, dentro do estilo que caracteriza o género young-adult. O desfecho final é intenso, apesar de algo apressado, deixando bastantes pontas soltas, o suficiente para me manter interessada no próximo volume.
17:03 Publicada por Unknown 6

segunda-feira, 4 de março de 2013

"O Homem do Fato Castanho" de Agatha Christie [Opinião Literária]


Título: O Homem do Fato Castanho
Autora: Agatha Christie
Editora: Edições Asa
Coleção: Obras de Agatha Christie (nº20)

Sinopse:
A jovem Anne vai para Londres em busca de aventura. E encontra-a rapidamente: na plataforma de embarque do metro de Hyde Park Corner, onde um homem perde o equilíbrio e morre electrocutado nos carris.
O veredicto da Scotland Yard aponta para morte acidental. Mas Anne não fica satisfeita. Afinal, quem era o homem de fato castanho que examinou o corpo fazendo-se passar por médico? De que forma é que este assassinato pode estar relacionado com a morte da misteriosa Nadina?
 Determinada a resolver o mistério, Anne parte num cruzeiro com destino à Cidade do Cabo, na África do Sul. Mas esta poderá vir a ser a sua derradeira viagem…

Opinião:
Esta é uma estória um pouco diferente do habitual para Agatha Christie. Nenhum dos detetives mais comuns nas suas obras está presente e quem se encarrega de desvendar este crime é Anne, uma protagonista impulsiva e determinada. Contudo, achei-a por vezes demasiado ingénua.
Infelizmente o próprio enredo não me convenceu muito. Não se traduziu no típico thriller impossível de pousar que habitualmente associo a esta autora. Por conseguinte, não fiquei propriamente encantada, apenas um pouco desiludida.
Um aspeto positivo deste livro foi a perspetiva romântica que normalmente está ausente nas obras de Christie. É habitual a formação de um casal mas raramente observamos a evolução do romance. Como uma lufada de ar fresco, Christie enfatiza o romance entre Anne e Harry, um casal, apesar de tudo, encantador.
No fundo, não deixa de ser um bom livro, apenas peca em comparação com as restantes obras de elevada qualidade de Agatha Christie.
18:04 Publicada por Unknown 0