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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

"O Prisioneiro do Céu" de Carlos Ruiz Záfon [Opinião Literária]




Título: O Prisioneiro do Céu
Autor: Carlos Ruiz Záfon
Editora: Planeta
Coleção: O Cemitério dos Livros Esquecidos (nº3)




22:45 Publicada por Unknown 8

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

"O Cântico dos Mendini" de Brian Keaney [Opinião Literária]




Título: O Cântico dos Mendini
Autor: Brian Keaney
Editora: Gailivro
Coleção: As Promessas do Dr. Sigmundus (nº3)




22:49 Publicada por Unknown 2

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

"A Cruz de Morrigan" de Nora Roberts [Opinião Literária]




Título: A Cruz de Morrigan
Autor: Nora Roberts
Editora: Saída de Emergência [Chá das Cinco]
Coleção: Trilogia do Círculo (nº1)






18:01 Publicada por Unknown 2

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

"A Cidade das Almas Perdidas" de Cassandra Clare [Opinião Literária]




Título: A Cidade das Almas Perdidas
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº5)




18:27 Publicada por Unknown 2

sábado, 28 de dezembro de 2013

"A Cidade dos Anjos Caídos" de Cassandra Clare [Opinião Literária]





Título: A Cidade dos Anjos Caídos
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras (nº4)




16:07 Publicada por Unknown 0

"Clube de Sangue" de Charlaine Harris [Opinião Literária]




Título: Clube de Sangue
Autora: Charlaine Harris
Editora: Saída de Emergência
Coleção: Sangue Fresco (nº3)




14:57 Publicada por Unknown 10

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

"O Jogo Final" de Orson Scott Card [Opinião Literária]




Título: O Jogo Final
Autor: Orson Scott Card
Editora: Editorial Presença
Coleção: Ender (nº1)




00:08 Publicada por Unknown 0

terça-feira, 24 de setembro de 2013

"Sapatos de Rebuçado" de Joanne Harris [Opinião Literária]

Título: Sapatos de Rebuçado
Autora: Joanne Harris
Editora: Edições Asa
Coleção: Trilogia Chocolate (nº2)

Sinopse:
Após ter abandonado a aldeia de Lansquenet-sur-Tannes, cenário de Chocolate, Vianne Rocher procura refúgio e anonimato em Paris, onde, juntamente com as suas filhas Anouk e Rosette, vive uma vida pacífica, talvez até mesmo feliz, por cima da sua pequena loja de chocolates. Não há nada fora de comum que as destaque de todos os outros. A tempestade que caracterizava a sua vida parece ter acalmado... Pelo menos até ao momento em que Zozie de l’Alba, a mulher com sapatos de rebuçado, entra de rajada nas suas vidas e tudo começa a mudar… 
Mas esta nova amizade não é o que parece ser. Impiedosa, retorcida e sedutora, Zozie de l’Alba tem os seus próprios planos - planos que vão despedaçar o mundo delas. E com tudo o que ama em jogo, Vianne encontra-se perante uma escolha difícil: fugir, tal como fez tantas outras vezes, ou confrontar o seu pior inimigo… 
Ela própria.

Opinião:
Neste segundo volume de uma trilogia tão doce como chocolate, acompanhamos Vianne Rocher, com uma nova identidade e novos desafios à espreita para perturbar a sua recente vida pacata e incógnita em Paris.  
Na verdade, a protagonista que tanto me encantou em Chocolate surge com uma personalidade completamente distinta. Vianne é neste volume uma mulher apagada, temerosa, sem qualquer réstia da vivacidade que a caracterizava. Apesar de entender a sua necessidade de fugir ao passado, nunca percebi completamente esta mudança de carácter tão súbita. Por conseguinte, acabou por se tornar numa personagem vazia e irritante.
Pelo contrário, adorei a oportunidade de explorar a personalidade de Anouk – filha de Vianne –, que neste livro já não é uma simples menina, é uma jovem a descobrir-se a si mesma e aos seus poderes.
Mas o verdadeiro foco da estória é Zozie, uma mulher intensa e enigmática, que fará tudo ao seu alcance para atingir os seus objetivos. Uma personagem que retrata precisamente a ilusão das aparências, que por detrás de uma imagem de amizade e dedicação, encerra um mundo de truques e segredos obscuros.
Quanto ao enredo, este pareceu-me algo desconexo, sem grande interesse ou objetivo final durante a primeira metade do livro, com alguns momentos um pouco forçados e que se arrastaram por demasiadas páginas. Ainda assim, a autora compensa com a reintrodução de Roux, e a sua relação com Vianne trouxe ternura, romance e um propósito à estória.
E claro, como posso negar o prazer de ler acerca da confeção de doces? A escrita é tão vívida, tão sensorial, que quase saboreio o chocolate ao folhear as páginas. Porém, após a conclusão desta leitura, não posso deixar de sentir que este segundo volume carece alguma da magia do primeiro, pecando pelo excesso de floreados sem grande substância. Ainda assim, aconselho a quem pretenda uma leitura leve, um romance delicioso, um breve sustento tanto para o estômago como para a alma.

23:44 Publicada por Unknown 7

sábado, 14 de setembro de 2013

"Eragon" de Christopher Paolini [Opinião Literária]

Título: Eragon
Autor: Christopher Paolini
Editora: Gailivro
Coleção: Ciclo da Herança (nº1)

Sinopse:
Quando Eragon encontra uma pedra azul polida na floresta, acredita que poderá ser uma descoberta bendita para um simples rapaz do campo: talvez sirva para comprar carne para manter a família durante o Inverno. Mas quando descobre que a pedra transporta uma cria de dragão, Eragon depressa se apercebe de que está perante um legado tão antigo como o próprio Império. De um dia para o outro, a sua vida muda radicalmente, e ele é atirado para um perigoso mundo novo de destino, de magia e de poder. Empunhando apenas uma espada legendária e levando os conselhos dum velho contador de histórias como guia, Eragon e o jovem dragão terão de se aventurar por terras perigosas e enfrentar inimigos obscuros, dum Império governado por um rei cuja maldade não conhece fronteiras. Conseguirá Eragon alcançar a glória dos lendários heróis da Ordem dos Cavaleiros do Dragão? O destino do Império pode estar nas suas mãos...

Opinião:
Finalmente decidi dar uma segunda oportunidade a este livro, cuja leitura abandonei há uns anos atrás, principalmente porque a fantasia era um género que não me cativava na altura (algo que mudou consideravelmente). Esta segunda leitura foi mais agradável, ainda que as expectativas demasiado altas talvez tenham influenciado negativamente a minha opinião geral sobre a obra.
Inicialmente devorei os primeiros capítulos com avidez, até porque a escrita é muito dinâmica e acessível, e a estória intrigou-me bastante. Não que o enredo seja propriamente inovador para os fãs do género, mas parecia-me que o autor fosse capaz de introduzir algo de novo. Contudo, quando o autor inicia um relato interminável e aborrecido de uma viagem que não parece ter um fim à vista, em conjunto com uma miríade de clichés, a desilusão tomou as rédeas e já não me conseguia concentrar devidamente na leitura. Simplesmente não consegui ignorar a sensação de déjà-vu, pois as semelhanças com a jornada retratada em O Senhor dos Anéis são inegáveis.
As personagens tornaram tudo um pouco melhor, com a exceção do protagonista. Eragon é uma personagem demasiado perfeita, que adquire as habilidades sem grande esforço e a quem tudo acontece convenientemente. Achei-o egocêntrico, imaturo e espero que tenha uma grande evolução em termos de caracterização nos próximos volumes. No entanto, o autor presenteia-nos com algumas personagens interessantes e carismáticas: Brom, Saphira, Murtagh, Arya e Nasuada deixam a sua marca e fornecem-me um incentivo para ler os restantes livros da saga para conhecer os seus desfechos. Em particular, a relação entre Eragon e o seu dragão, Saphira, é bem explorada e enternecedora. Já os vilões careciam genuíno terror para fazerem o leitor temer o desenlace final. Este, por sua vez, foi um pouco apressado e nada marcante, deixando algumas questões em aberto para o volume seguinte.
Em suma, esperava mais desta leitura. Acabou por ser a típica viagem épica de um jovem a tentar descobrir a origem dos seus poderes, uma estória genérica com dragões à mistura, à qual faltou algo para verdadeiramente se destacar. Ainda assim proporcionou algumas horas de entretenimento e certamente agradará a um público mais juvenil.
22:22 Publicada por Unknown 8

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"A Espia da Rainha" de Philippa Gregory [Opinião Literária]

Título: A Espia da Rainha
Autora: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Coleção: A Corte dos Tudor (nº4)

Sinopse:
No Inverno de 1553, a jovem Hannah, uma judia de 14 anos, e o pai fogem para Londres perseguidos pela Inquisição Espanhola. Fixam-se nesta cidade e abrem uma livraria onde Hannah conhece o Lord Robert Dudley, um aristocrata influente. Dudley apercebe-se de que Hannah tem o dom de ver o futuro e leva-a para a corte para ser o bobo e espiar as irmãs, rivais e pretendentes ao trono, Mary Tudor e Elizabeth. Contratada como bobo, mas a trabalhar como espia, prometida em casamento a um judeu, mas apaixonada por Lord Robert Dudley, ameaçada pelas leis contra a heresia, traição e feitiçaria, Hannah tem que escolher entre a vida segura e tranquila de uma pessoa comum, ou a vida no centro das perigosas intrigas da família real.

Opinião:
Neste volume somos convidados a visitar novamente a corte dos Tudor – a mais intriguista, sangrenta e volúvel da história –, desta vez no reinado dos descendentes de Henrique VIII.  Abordando a ascensão ao trono de Mary e os jogos políticos que tiveram como objetivo colocar a sua irmã Elizabeth a reinar, Philippa Gregory estabelece um excelente retrato histórico nos meandros de uma estória ainda mais fictícia que o habitual. Pela primeira vez, o foco é uma personagem completamente imaginária, que constitui o elo de ligação entre todos os acontecimentos e intervenientes verídicos.   
Contudo, a protagonista, Hannah, não me convenceu. A sua caracterização é confusa e inconsistente. Tanto é descrita pela autora como uma jovem forte e espirituosa que deseja acima de tudo ser independente da autoridade de um homem (algo bastante discrepante para a época), como no momento seguinte está apaixonada pelo seu superior Robert Dudley, enquanto rejeita terminantemente envolver-se com o seu noivo Daniel. Ao longo de toda a obra achei-a imatura, teimosa e por vezes muito egoísta.
No entanto, a autora compensa com o retrato de Mary Tudor. Conhecida como uma rainha sangrenta, pela sua obsessão com a fé verdadeira – a católica – que originou a perseguição e massacre de protestantes, a autora apresenta uma versão mais compassiva e realista das razões para o seu eventual declínio. Mary é aqui caracterizada como uma mulher que sofreu toda a sua vida ao ser afastada do trono e da linhagem real pelo próprio pai, o rei Henrique, e impossibilitada de visitar a mãe, Catarina de Aragão, no seu leito de morte. Por este motivo, Mary nunca perdoou a Ana Bolena por seduzir o rei mas, apesar de tudo não projeta este ódio à sua meia-irmã Elizabeth. Na verdade, a relação entre ambas é o ponto alto desta obra, um contraste entre duas personalidades distintas e duas crenças incompatíveis. Elizabeth, claro, é a imagem da sua mãe, uma verdadeira herdeira da ambição e calculismo dos Bolena. É esta desilusão perante a irmã mais nova que sempre amou que leva Mary numa espiral de ressentimento e depressão que condenou para sempre o seu reinado.  
O enredo é, portanto, mais focado na dimensão psicológica de Mary e na vida de Hannah enquanto espia na corte, o que francamente acabou por se tornar um pouco entediante. A estória poderia ter sido encurtada e teria sido mais interessante ter como protagonista Mary do que Hannah. O desenlace final é também previsível e melodramático, sem grande relevância como romance histórico. Não gostei da aposta da autora em tornar esta obra ainda mais fictícia do que o habitual, pois perdeu o encanto dos volumes anteriores. Ainda assim, foi uma leitura que entreteve e uma aposta segura para quem aprecia as obras de Philippa Gregory.
Deixo, no final, uma pequena consideração à editora relativamente à tradução dos nomes: ou os traduzem em todos os volumes de uma série ou não. Não percebo como em alguns volumes os nomes estão traduzidos diretamente (Elizabeth para Isabel e Mary para Maria) enquanto neste mantêm o original. Honestamente não sou grande apreciadora das traduções de nomes mas pelo menos sejam consistentes! 
23:38 Publicada por Unknown 0

domingo, 8 de setembro de 2013

"Anjo Mecânico" de Cassandra Clare [Opinião Literária]

Título: Anjo Mecânico
Autora: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Coleção: Caçadores de Sombras – As Origens (nº1)

Sinopse:
A magia é perigosa, mas o amor é ainda mais perigoso.
Quando Tessa Gray, uma rapariga de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizadoras aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos.
Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa depressa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si.
Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que juram encontrar-lhe o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente da sua vida à distância… ou seja, toda a gente menos Tessa. À medida que a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo… e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.

Opinião:
Como fã da saga Caçadores de Sombras, não poderia de forma alguma recusar a leitura deste livro – o primeiro de uma série que retrata as origens da mitologia que encontramos em A Cidade dos Ossos. Assente na Inglaterra do século XIX, esta é uma estória que prometia um romance paranormal, com um toque de steampunk, para a qual tinha grandes expectativas. Porém, apesar de ter correspondido ao que esperava em termos de entretenimento, não consegui ignorar alguns pormenores que impediram esta leitura de corresponder ao seu potencial.
Em primeiro lugar, tive alguns problemas com o retrato da época vitoriana. Na verdade, parece que a autora se limitou a adicionar alguns pormenores vitorianos/steampunk sem grande contexto. Alguns diálogos pareceram-me forçados e pouco enquadrados na época e ambiente pretendidos. Mas de uma forma geral, o retrato da Inglaterra vitoriana está apelativo e interessante, embora pudesse ser melhor explorado.
Contudo, o meu verdadeiro problema foi a caracterização dos protagonistas. Parecem uma cópia exata dos protagonistas da saga original, apenas com mínimas alterações físicas! Analisando mais pormenorizadamente: Tessa é a rapariga ingénua que descobre que descobre um mundo sobrenatural e perigoso enquanto tenta resolver o desaparecimento de um familiar e se apaixona por um Caçador de Sombras – exatamente como Clary em A Cidade dos Ossos! E Will é o Caçador de Sombras enigmático e egocêntrico, extremamente sarcástico, com um passado tortuoso e uma tendência para afastar as pessoas que o amam – tal e qual o Jace. Confesso que a meio do livro já estava um pouco farta deste paralelismo constante, especialmente quando Tessa e Will são apenas cópias baratas que nem sequer têm o mesmo encanto que Clary e Jace. Por outro lado, Jem, apesar de parecer um substituto de Simon nesta narrativa, até conseguiu fascinar-me. É uma personagem com um toque trágico que leva o leitor a criar uma empatia instantânea e merece sem dúvida maior destaque nos próximos volumes.
As próprias personagens secundárias acabaram por ultrapassar os protagonistas em certa medida, com as suas personalidades e motivações particulares e originais. Os meus intervenientes favoritos incluem Charlotte, uma mulher competente e determinada que desafia as convenções da época ao governar o Instituto; o seu marido Henry, despistado e ingénuo mas ainda assim muito caricato; Sophie, uma criada irreverente com uma estória tocante; e até mesmo as odiosas Irmãs Black, pelo toque de perversidade e malvadez que trouxeram à estória. Também o facto de rever Magnus Bane – uma das minhas personagens favoritas na saga original – conseguiu atenuar um pouco da minha irritação com Tessa e Will. Ainda assim, gostaria que estivesse mais envolvido na trama principal e que lhe fosse proporcionado mais protagonismo.
O enredo é interessante e o ritmo avassalador, com um final surpreendente e intrigante. Acabei por ficar curiosa com o possível rumo da estória nos próximos volumes mas espero um melhor aproveitamento dos protagonistas, de preferência com maior originalidade. Não foi uma leitura que me tenha arrebatado, mas aconselho aos fãs da saga original que pretendam aprofundar o seu conhecimento sobre o mundo dos Caçadores de Sombras.
22:44 Publicada por Unknown 0

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"Morte Num País Estranho" de Donna Leon [Opinião Literária]

Título: Morte Num País Estranho
Autora: Donna Leon
Editora: Planeta
Coleção: Série Comissario Brunetti (nº2)

Sinopse:
Um dia de manhã cedo, Guido Brunetti, Commissario da Polícia de Veneza, é confrontado com uma visão horrenda, quando o corpo de um jovem é tirado de um fétido canal veneziano. Todas as pistas apontam para um assalto violento, mas, para Brunetti, o roubo parece um móbil demasiado conveniente. Em seguida, algo muito incriminatório é descoberto no apartamento do morto – algo que aponta para a existência de uma cabala de alto nível – e Brunetti convence-se de que alguém, algures, se está a esforçar muito para fornecer uma solução já pronta para o crime…

Opinião:
Este é o segundo volume protagonizado por Guido Brunetti, um comissário da polícia veneziana cuja vida não poderia ser mais vulgar, mas cujo intelecto e paixão pela profissão superam qualquer outra personagem num policial. Desta vez é incumbido de investigar um caso – a morte de um militar americano – mas este aparentemente já se encontra solucionado por ordens superiores. Os membros influentes e poderosos da sociedade italiana unem-se num jogo de intriga, segredos, conspirações e manipulação de provas onde um homem honesto como Guido terá dificuldade em trabalhar – e sobreviver…
As temáticas desta obra são bem mais profundas do que esperava à primeira vista. Donna Leon aborda questões bastante atuais, com especial destaque para a poluição ambiental e o depósito ilegal de resíduos tóxicos. Este é um cenário que, infelizmente, não é meramente ficcional. A eliminação destes produtos tóxicos em países do terceiro mundo gera grandes lucros para alguns indivíduos e é frequentemente ignorada pelos países ocidentais. Citando Donna Leon: “Embora cientes daquilo que estamos a fazer, não hesitamos em destruir o nosso futuro (…) Somos uma nação de gente egoísta. É a nossa coroa de glória, contudo, essa atitude será a nossa destruição, uma vez que nenhum de nós tem capacidade para se consciencializar de que devemos preocupar-nos com qualquer coisa de tão abstrato como «o bem-estar comum».”. Escrita há uma década atrás, esta citação ainda se encontra assustadoramente verdadeira na sociedade moderna.
No entanto, ainda que extremamente interessante, a abordagem destas questões perturbou o ritmo da narrativa. Em vez de uma leitura frenética, tornou-se algo aborrecida, pontuado por breves momentos de maior intensidade ou humor. O foco da estória distanciou-se rapidamente da resolução dos crimes para uma análise sociopolítica da Europa e dos Estados Unidos da América. Não encontrei aqui o policial que esperava e nem o desenlace final foi satisfatório, pois deixou algumas questões em aberto.
Ainda assim, o retrato de Veneza – o cenário desta estória – é imperdível. Todos os seus recantos são explorados com a beleza e romantismo que associamos a esta cidade. A própria escrita da autora é muito reconfortante, sem detalhes gráficos ou violentos. Esta familiaridade e ternura são acentuadas pelo retrato da vida familiar de Guido, explorando de uma forma realista a vida de uma família no seio da sociedade mediterrânea. Esta não é uma obra absolutamente viciante, mas foi uma leitura cómoda e fácil, ideal para uma tarde de Verão.
22:38 Publicada por Unknown 0

terça-feira, 13 de agosto de 2013

"Grita Por Mim" de Karen Rose [Opinião Literária]

Título: Grita Por Mim
Autor: Karen Rose
Editora: Bertrand Editora
Coleção: Trilogia Daniel Vartanian (nº2)

Sinopse:
Conduzida apenas por um punhado de imagens, a investigação do Inspector Daniel Vartanian leva-o até ao passado sombrio da sua própria família, e para o reino duma mente mais sinistra do que ele jamais poderia imaginar. Mas a sua busca também o conduz até Alex Fallon, uma bela enfermeira, cujo conturbado passado remete para o seu próprio. Enquanto Daniel se apaixona por Alex, descobre que também ela é objecto do assassino obcecado. Deste modo, vê-se confrontado com a descoberta da identidade de um crime macabro, mas também com a salvação da vida da mulher que começou a amar.

Opinião:
Situado apenas algumas semanas após o desenlace do volume anterior, neste livro acompanhamos Daniel Vartanian, uma personagem previamente introduzida e que alcança o seu protagonismo neste volume. Irmão do sádico serial killer que aterrorizou a cidade de Philadelphia em Morre Por Mim, Daniel é um detetive encarregado de resolver uma série de homicídios que parecem relacionados com o assassinato de uma jovem há 13 anos na sua cidade natal. Atormentado pelos crimes do seu irmão, Daniel terá de enfrentar o seu passado para conseguir deslindar este caso. Também Alex Fallon, uma enfermeira cuja irmã gémea foi a vítima de homicídio há 13 anos, é impelida a confrontar novamente o evento que alterou drasticamente o rumo da sua vida há tantos anos atrás.
Tanto Daniel como Alex são personagens bem delineadas, cativantes e realistas. Enquanto Daniel é reservado e discreto, Alex é uma mulher forte e determinada. Ambas são personagens complexas e o desenvolvimento da sua relação foi apaixonante. À medida que lutam contra os demónios que assombram os seus respetivos passados, encontram um no outro a estabilidade emocional para resolver o mistério que os ameaça atualmente. Mais uma vez Karen Rose prima por adicionar uma pitada de romance absolutamente delicioso a uma estória policial.
Contudo, o enredo careceu a intensidade do volume anterior. O suspense acaba por se perder no meio de uma narrativa algo confusa. Perto do final temos duas investigações paralelas: a busca pela identidade do assassino em série e o mistério que envolve os líderes da comunidade de Dutton. Obviamente, as ligações entre estes dois mistérios e a quantidade de personagens envolvidas apenas contribuem para a complexidade do enredo que, por conseguinte, se torna difícil de seguir e interrompe a fluidez da leitura.  
Em suma, fiquei algo desiludida com esta obra, na medida em que esperava ser arrebatada, tendo ficado apenas com a sensação agridoce de um policial com potencial para um maior suspense e uma narrativa mais estimulante, apesar da componente romântica permanecer apelativa. O desenlace final deixa certas questões em aberto para abrir o apetite para o próximo volume, o qual espero sinceramente que supere as minhas expectativas.
23:52 Publicada por Unknown 6

terça-feira, 30 de julho de 2013

"Um Cappuccino Vermelho" de Joel G. Gomes [Opinião Literária]

Título: Um Cappuccino Vermelho
Autor: Joel G. Gomes
Editora: Edição de autor

Sinopse:
As pessoas que conhecem Ricardo Neves dividem-se em dois grupos: os que o conhecem como autor de policiais e os que o conhecem como assassino profissional.
Ricardo sempre cuidou para que estas duas facetas da sua vida não misturassem. Tudo se complica quando recebe uma lista de alvos demasiado próximos do seu mundo de escritor. A colisão torna-se inevitável e Ricardo não tem como a impedir.

João Martins é um escritor com prazos para cumprir e sem ideias para desenvolver. Até que tem a ideia de escrever sobre um escritor que é também assassino profissional.

A surpresa acontece quando pessoas à sua volta começam a morrer tal e qual ele descreve no seu livro. A dúvida surge de imediato: estarão as mortes a acontecer porque ele as escreve ou será ele um mero narrador de eventos predestinados a acontecer?

Opinião:
Esta é uma estória com uma premissa interessante, apesar de não ser propriamente original. Apreciei a estrutura bastante dinâmica, em que a intriga encerra várias dimensões, umas dentro das outras. O autor explora isto de uma maneira complexa e intrigante, podendo ser algo confuso.
Neste contexto, existe uma constante alternância de perspetivas bastante distintas. Por um lado surge Ricardo, um assassino impiedoso, frio, arrogante e egocêntrico, que valoriza o seu trabalho acima de tudo. Por outro lado, temos João, um escritor dedicado à sua arte, cuja sanidade começa a ser questionada quando aquilo que escreve se torna realidade. Ambos são personagens credíveis e interessantes, ainda que por vezes as tenha sentido um pouco unidimensionais.
O escritor retrata bem as idiossincrasias do quotidiano português, apesar de carecer nas descrições do mundo que rodeia estas personagens. Acredito que com a adição de mais pormenores acerca do ambiente seria possível consolidar toda a ação e situar melhor o leitor. Pelo contrário, as descrições exaustivas de certas rotinas (a história do café, as refeições de Ricardo) são dispensáveis. Estas passagens necessitavam de um ritmo mais rápido, enquanto as cenas de ação e os homicídios beneficiariam de uma maior descrição e detalhes para potenciar a emoção e o suspense.
A escrita, por sua vez, é bastante simples e acessível, algo cinematográfica e sem floreados ou subterfúgios. Gostei deste aspeto, desta escrita direta e crua que torna a estória bem mais sombria. No fundo, foi uma leitura bastante fluída, aprazível mas que carece alguns pontos-chave para se tornar memorável. 
21:21 Publicada por Unknown 0

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Soberba Escuridão" de Andreia Ferreira [Opinião Literária]

Título: Soberba Escuridão
Autora: Andreia Ferreira
Editora: Alfarroba
Coleção: Trilogia Soberba (nº1)

Sinopse:
Quando o relógio pisca as doze horas intermitentes, Carla recebe no seu quarto uma visita indesejada. A partir daí, todo o seu mundo desmorona e a solidão e o medo encarregam-se de a arrastar para um estado deprimente que só um desconhecido parece compreender. Cega de paixão, nega as evidências de que o seu novo amor é mais do que um rosto angelical. Ele esconde segredos que a levarão para perigos que parecem emergir das profundezas do inferno.

Opinião:
Situada em território português, esta obra traz o género sobrenatural a Braga, explorando uma narrativa juvenil repleta de fantasia e ação. A escolha de um cenário tão familiar é louvável e permite uma ligação imediata do leitor à estória.
No entanto, essa empatia foi imediatamente quebrada com a personagem principal. Carla, uma rapariga que inicialmente até me pareceu inteligente e com espírito crítico, rapidamente se torna numa jovem fragilizada, imatura, moldada à vontade de um rapaz que acaba de conhecer. A relação entre ambos é demasiado instantânea, fugaz, sem grande encanto. Destaco, porém, a elegância dos momentos íntimos retratados, com bom gosto e sem pudores excessivos.
Um ponto que provavelmente agradar-me-ia se tivesse sido melhor explorado seria o medo da loucura demonstrado por Carla quando começa a lidar com os eventos sobrenaturais. A sua dificuldade em distinguir a realidade daquilo que a sua imaginação é capaz de produzir constitui uma linha de enredo que poderia ter sido melhor aproveitada.
Caael, por sua vez, é o estereótipo dos protagonistas masculinos nestas estórias: perfeito mas misterioso, capaz de uma ternura imensa mas cujas verdadeiras intenções estão escondidas. Demasiado escondidas, aliás. No fundo, fiquei sem saber praticamente nada sobre esta personagem, o seu desenvolvimento de carácter foi nulo e não me cativou minimamente.
Ana é a personagem redentora nesta obra. É explosiva, engraçada, com uma personalidade bem delineada. Relativamente às restantes personagens secundárias, deveriam ter sido melhor exploradas a nível psicológico. A autora apenas descreve em traços gerais as suas personalidades, sempre pela visão de Carla e raramente pelas próprias ações das personagens.
Inicialmente, o enredo foi pouco estimulante, na medida em que a descrição do quotidiano de Carla é demasiado exaustiva. Porém, à medida que a estória avança torna-se mais empolgante e senti-me motivada para descobrir todo o mistério associado a Caael. No final, a autora conseguiu conjugar bem os diversos elementos da estória, elaborando um romance sobrenatural com uma boa dose de ação e terror. Apreciei bastante a forma como a autora não se coibiu de ser explícita e descritiva nas cenas mais cruéis do desenlace final. Admiro os autores com essa capacidade de torturar e danificar as personagens nas suas estórias, as suas criações.
A escrita é bastante acessível, coerente com um estilo juvenil que aprecio bastante. Uma estória simples, sem grandes pretensões, cujo potencial espero que seja melhor aproveitado nos próximos volumes.
23:49 Publicada por Unknown 0